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A TRANSCRIÇÃO DO DECRETO N.º 50.994 DE 24 DE JULHO DE 2006
 
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 A ACIVIL foi pioneira na região e expandiu também o seu atendimento, firmando contratos com outros segmentos de prestadores de serviços e comércio em geral, como por exemplo supermercados, farmácias, postos de combustíveis e outros assemelhados, possuindo credibilidade absoluta entre seus prestadores de serviço, conforme lista a disposição dos associados tanto na sede da ACIVIL como no site (www.comercioitape/acivil), e hoje oferece uma gama muita grande de serviços a seus associados que, mês-a-mês promovem um gasto substancial, haja visto que contamos com aproximadamente trezentos associados e duzentos prestadores de serviços contratados e tantos outros, no dia-a-dia procurando-nos a fim de se cadastrar e oferecer também seus serviços.

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ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 71

Nacional

31/08/2009

Crime

Fardas da Polícia Militar são vendidas sem controle »

Qualquer pessoa consegue comprar uniformes da Polícia Militar em vários estados e, com a farda, passa a ter privilégios.

 

Um repórter do Fantástico entrou no quartel-general da Polícia Militar do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, sem mostrar documentos e sem ser convidado, só por portar a farda de policial militar.

 

Assaltos e falsas blitz têm sido feitas por homens usando uniformes da polícia em várias cidades.

 

Crimes em Cuiabá, Belo Horizonte e São Paulo foram cometidos por pessoas usando uniformes da polícia.

 

No Rio Grande do Sul, fabricantes e vendedores da farda são credenciados pela PM. Um decreto estadual exige do lojista que confirme a identificação militar do comprador. Ainda assim, nos dois últimos anos, 25 crimes foram cometidos por bandidos vestidos de policiais.

 

Em uma loja autorizada, o repórter compra calça, camisa, camiseta, cinto e boné. O funcionário pede a carteira funcional. O repórter diz que não está com os documentos, promete voltar para mostrar a carteira e deixa a loja, fardado. Passeia pelos prédios da polícia gaúcha.

  

A equipe do Fantástico volta, depois, ao lugar da compra. “Não tem como vender sem autorização. Só vendemos com a carteirinha”, garante a vendedora.

 
 

Legislação

 

 

Treze estados brasileiros não têm legislação específica sobre o comércio de fardas militares. Santa Catarina é um deles. Não há controle sobre confecção e venda de uniformes.

 

“Existe um acordo de cavalheiros dos estabelecimentos que vendem esse tipo de uniforme, de farda, no sentido de solicitarem identificação para quem está comprando”, explica o comandante do batalhão, Gilmar Mônego.

 

Em Criciúma, a identificação não foi pedida ao repórter, que comprou mais do que o traje completo: comprou também uma carteira com o símbolo da PM de Santa Catarina. O risco de bandidos terem acesso ao material chegou a ser comentado na loja.

 

A vendedora garante que nunca ouviu falar de falsos PMs comprando fardas. “Aqui a gente nunca ouve falar isso”, diz a vendedora.

 

Dias depois da venda, a mesma vendedora reconhece o erro: “Esses tempos eu acabei vendendo sem saber, sem estar bem orientadinha”.

 

Em São Paulo, o repórter repetiu em quatro lojas a tentativa de comprar uma farda sem a carteira funcional. Nenhuma vendeu.

 

“Aqui tem uma lei estadual. Precisamos pegar o RG da pessoa, o batalhão que a pessoa é, o nome e o que comprou”, informa a vendedora.

 

 

Rio de Janeiro

 

Foi no Rio de Janeiro a descoberta mais assustadora: fardas são entregues pelo correio, sem qualquer fiscalização. Pela internet, o repórter entrou numa loja que funciona na zona norte da capital. Diante das muitas ofertas, encomendou camisa, calça, boné e cinto. No dia seguinte, um funcionário da loja telefonou para tirar algumas dúvidas.

 

"No caso, a calça é 46 e a gandola é G, não é?", pergunta o funcionário. "Isso", responde o repórter. "O nome de guerra?", pergunta o vendedor. "Grizotti", diz o jornalista, que confirma ainda o tipo sanguíneo e diz não querer símbolos de cursos ou brevês. Não é pedida nenhuma identificação militar.

 

Sem precisar fazer nada além de usar o uniforme, no Rio o repórter entrou em uma escola pública, cheia de crianças. Em frente ao batalhão da PM, teve uma última comprovação do perigo que esse comércio representa: não provocou desconfiança nem entre os próprios policiais.

 

Entregamos os uniformes aos responsáveis pela Polícia Militar dos três estados.

 

“Qualquer um pode fabricar e vender uma farda militar do Rio de Janeiro. Não há restrições para compra e venda de fardamento”, confirma o comandante-geral da PM do Rio, Mário Sérgio de Brito Duarte.

 

Os três comandantes acham que só uma lei nacional pode acabar com a farra da farda.

 

“Uma legislação federal rigorosa e que atingisse não só esses especializados em vender uniformes, mas todos aqueles vendem pela internet, pelo correio. Em lojas de marca se compra peças de roupa muito parecidas com o uniforme, particularmente os camuflados”, diz o comandante-geral da PM do Rio Grande do Sul, João Carlos Lopes.

 

O secretário nacional de segurança pública, Ricardo Balestreri, anuncia que em 15 dias vai criar um grupo de estudos sobre o assunto: “Se nós falarmos dos países desenvolvidos, é praticamente impossível que um cidadão comum compre uma roupa de uso exclusivo de polícia ou de Forças Armadas”.

Fonte: G1

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Nacional

31/08/2009

“Explode Coração”

Carreira única: não dá mais pra esperar... »

Por: Valacir Marques Gonçalves

Chega de tentar dissimular e disfarçar e esconder...
...que não querem uma carreira única, com início, meio e fim. Que são a favor em público, e contra nos bastidores. Que não abrem mão de eternizar o ingresso no meio do caminho, e que acham normal chefias caírem em seus colos, como se fosse um axioma, como se fosse um determinismo histórico...

 

O que não dá mais para ocultar e eu não quero mais calar...
...que aumentar o tom é um dever. Que realizar paralisações e manifestações anuais, semestrais, trimestrais, mensais, quinzenais, semanais, e até diárias, mais ainda. Que demonstrar “ao mundo” a insatisfação é algo inadiável. Que precisamos declarar em todas as entrevistas, em todos os jornais, rádios e televisões, que não abrimos mão de uma carreira única.

Já que o brilho desse olhar foi traidor
Não só o brilho. As amizades foram traidoras, os gestos foram traidores, as promessas foram traidoras, os acordos foram traidores, os “almoços” foram traidores, as conversas foram traidoras, os abraços foram traidores, os tratos foram traidores, os “cafés” foram traidores, as reuniões foram traidoras, os prazos foram traidores, as alianças foram traidoras.

 

E entregou o que você tentou conter
Foi fácil perceber.Alguns comparecerem nas “reuniões de trabalho” da Lei Orgânica com o único objetivo de mostrar que existiam coisas “sagradas”, que não podiam ser tocadas. Estão aí, intactas: manutenção do poder em todos os níveis, carreira jurídica e o jurássico inquérito policial.

 

O que você não quis desabafar
Que muitos se acham donos do hoje e proprietários do amanhã... Que não abrem mão de nada. Que a tática é a mesma de sempre: mudar muito para continuar tudo igual, embora seja óbvio que a Polícia Federal não pode ser reduzida a um imenso cartório...

 

Chega de temer, chorar, sofrer, sorrir, se dar...
... para todo tipo de serviço, com os louros sendo colhidos por quem reproduz um tempo que não viveu, amparado por decisões que tomou usando olhos de outros. Isso precisa ser mudado, o cidadão não pode ser massacrado por atos inúteis, demorados e desnecessários. 

 

E se perder e se achar e tudo aquilo que é viver...
...toda vez que acende uma luz.  Se perder toda vez que a mesma luz apaga, sinalizando que nada vai mudar. Que os “concurseiros” continuarão “ensinando” policiais experientes como as coisas devem ser feitas...

 

Eu quero mais é me abrir e que essa vida entre assim...
... para novas ideias, para estratégias competentes, que façam o governo entender que estamos cansados, que chega do “mais do mesmo”.

 

Como se fosse o sol desvirginando a madrugada
Mostrando que carreira única, inquérito policial e uma lei orgânica precisam ser discutidos. Não é tarefa fácil, o inquérito está aí para comprovar. Ele parece que tem vida própria. Às vezes dá a impressão de que ninguém consegue fazê-lo. Ele é que “faz” as pessoas...

 

Quero sentir a dor desta manhã...
... para ela não deixar esquecer que a porta de entrada precisa ser única, que a meritocracia e a gestão por competência são fatores que precisam ser considerados.

 

Nascendo, rompendo, rasgando, tomando, meu corpo e então eu

Chorando, sorrindo, sofrendo, adorando, gritando...
... indignado com as intransigências, mas bradando com toda a força que vamos lutar até mudar esse estado de coisas.

Feito louco, alucinado e criança...
... mas com a certeza dos que têm convicção que estão no caminho certo. Que não dá mais para esperar. Que a hora chegou com todas as previsíveis dificuldades. Maquiavel, há muitos anos, em seus conselhos ao príncipe, já dizia que não há coisa mais difícil, nem de êxito mais duvidoso, nem mais perigosa, do que o estabelecimento de novas leis...
 

Eu quero o meu amor se derramando

 

Não dá mais pra segurar, explode coração...
Carreira única na polícia, agora, já.



Adaptação da canção “Explode Coração”, do imortal Luiz Gonzaga Júnior, Gonzaguinha.


                                                                                                            Fonte: Agência Fenapef

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 69

Nacional

01/09/2009

Abadia

12 policiais indiciados por achaques »

A Corregedoria da Polícia Civil indiciou mais 12 policiais e três informantes por causa dos achaques contra integrantes da quadrilha do traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadía. Entre os indiciados estão dois delegados: Irani Guedes e Pedro Luiz Pórrio. Ambos, que trabalhavam no Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) quando os achaques e sequestros ocorreram, alegam inocência. Com os novos indiciamentos, já são 21 os acusados pelos achaques contra o grupo de Abadía - outros dois policiais também serão indiciados.

Líder do cartel do Norte do Vale, Abadía foi preso por policiais federais em São Paulo, em agosto de 2007. Um ano depois, após ser condenado a 30 anos de prisão no Brasil por lavagem de dinheiro, Abadía foi extraditado para os Estados Unidos, onde é acusado de homicídios e tráfico de drogas. Antes de embarcar, o colombiano gravou um depoimento detalhando as extorsões. Disse que para acabar com o tráfico em São Paulo bastava fechar o Denarc.

Há dois meses, a corregedoria indiciou a primeira leva de policiais acusados. Na manhã de ontem foi a vez do delegado Guedes. Ele é acusado de envolvimento no sequestro de Henry Edval Lagos, o Patcho, um traficante colombiano que foi solto depois do pagamento de resgate de US$ 280 mil. Além do delegado, nesse caso, também foram indiciados outros quatro investigadores do Denarc e um de Diadema, além de três informantes. A ideia do achaque teria surgido quando o investigador Pedro Paulo Rodrigues Oliveira, que trabalhava em Diadema, soube que Patcho participava de corridas no Kartódromo de Aldeia da Serra, em Barueri, na Grande São Paulo.

Patcho era um dos responsáveis por movimentar a fortuna de Abadía no Brasil e na Colômbia. Segundo promotores e delegados, Oliveira começou a investigar o traficante com o objetivo de recolher informações para as extorsões. Em maio de 2006, o investigador contou o que sabia para dois colegas. Eles teriam decidido sequestrar o traficante. Mas como eram poucos para fazer o achaque, Oliveira teria decidido pedir ajuda a um colega do Denarc. Foi então que, segundo os corregedores, entrou na história o investigador Francisco Carlos Vintecinco.

Ocorre, de acordo com a investigação, que os policiais do Denarc "traíram" seus colegas, passando-os para trás. Os homens do Denarc sequestraram Patcho e o levaram até a sede da empresa La Bella, em Indianópolis, na zona sul de São Paulo. Os policiais saberiam que a empresa pertencia "ao bando de Abadía". O valor do resgate foi negociado por meio do aparelho de telefone do vigia da empresa. Abadía entregou o dinheiro a seu amigo, o empresário Daniel Braz Maróstica, para que ele levasse aos policiais.

Assustado com a virulência e o apetite dos policiais, Patcho deixou o Brasil logo em seguida. Os corregedores indiciaram o policial de Diadema, cinco do Denarc e três informantes neste caso. Outros dois policiais do departamento devem ser indiciados nesta semana.

Pouco depois, os policiais teriam exigido que o bando de Abadía lhes entregasse uma picape Toyota. Para transferir o carro para a pessoa que os delegados queriam, os quatro policiais do Denarc supostamente envolvidos nesse achaque teriam contado com a ajuda de dois investigadores do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Os seis foram formalmente acusados pelos corregedores. Foi neste caso que o delegado Pórrio foi indiciado - em outro caso, o delegado Pórrio e um investigador obtiveram habeas corpus no Tribunal de Justiça contra o indiciamento. Além dos acusados no caso Abadía, a corregedoria indiciou cinco policiais do Denarc por causa do achaque em 2008 contra o traficante colombiano Manuel Yepes Penágos, conhecido como El Negro.

Fonte: Estado S. Paulo

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 68

Nacional

01/09/2009

Distrito Federal

Advogado que defendeu Collor é encontrado morto junto com a mulher e a empregada »

O advogado do ex-presidente Fernando Collor José Guilherme Villela, 73 anos, foi encontrado morto na noite desta segunda-feira (31/8), em seu apartamento no Bloco C da 113 Sul. Também foram encontrados os corpos de Maria Carvalho Villela, esposa do advogado, e da governanta Francisca Nascimento da Silva, que trabalhava há 32 anos para o casal. Policiais informaram que os corpos estavam cobertos de sangue e com marcas de facadas.

José Guilherme e Maria foram golpeados na barriga e Francisca, nas costas. Os corpos do advogado e da empregada estavam perto da cozinha e o de Maria localizava-se junto ao closet do quarto de casal - único cômodo que apresentava sinais de ter sido remexido. A polícia encontrou, na cozinha, uma faca de 15cm que pode ter sido usada no crime. Policiais acreditam que o suspeito tenha fugido pela saída de serviço, já que a porta estava suja de sangue.

Uma irmã da governanta informou que conversou com Francisca por telefone por volta das 16h de sexta-feira. A polícia acredita que o crime tenha ocorrido entre 17h e 19h do mesmo dia, já que no apartamento foi encontrada a mesa pronta para um lanche.

Como os três não eram vistos desde sexta, uma neta do casal se dirigiu ao apartamento e chamou um chaveiro para abrir a porta. Ao se deparar com os corpos, acionou a polícia. Não havia marcas de arrombamento no local e os vizinhos disseram que não ouviram barulhos provenientes do apartamento de Villela. O porteiro do edifício afirmou que o condomínio possui câmeras de segurança no térreo e na garagem.

A delegada da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), Martha Vargas, afirmou que alguns pertences de baixo valor sumiram do closet, o único local do apartamento que não estava intacto. Ela acredita que os corpos deveriam estar no local desde sexta-feira e que os bens podem ter sido levados para confundir os investigadores.

Nascido em Manhuaçu (MG), Villela tinha 73 anos e era formado em Direito pela Universidade de Minas Gerais. Foi, também, ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre 1980 e 1986. Ele era dono de um conceituado escritório de advocacia em Brasília e atuava em tribunais superiores. José Guilherme e Maria deixam dois filhos.

O advogado defendeu Collor durante o processo de impeachment do ex-presidente e foi incumbido de fazer a leitura da carta de renúncia de Collor durante a sessão do Senado que julgou o pedido de perda de mandato, em 29 de dezembro de 1992. Outro cliente famoso de Villela é o ex-governador Paulo Maluf.

"Maldição" Collor

A morte de Villela é mais uma das tragédias que marcaram as pessoas que estiveram próximas ao ex-presidente Fernando Collor no período de seu impeachment. Entre os casos de família, está o do irmão de Collor, Pedro, que morreu em dezembro de 1994, com câncer no cérebro. A mãe do ex-presidente entrou em coma em setembro de 1992, logo após o escândalo envolvendo o filho, e morreu em fevereiro de 1995, com paralisia em vários órgãos.

No círculo de amizades próxima a Collor, a mulher de Paulo César Farias, Elma, morreu em julho de 1994 em Brasília, vítima de edema pulmonar agudo e insuficiência cardíaca. O caso deixou dúvidas no ar, já que Elma gozava de perfeita saúde e seu corpo foi cremado no dia seguinte à sua morte.

Fonte: Correio Braziliense

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 67

Nacional

29/08/2009

Absolvido no STF, Palocci sonha alto »

O ex-ministro escapa de ação no STF pela quebra de sigilo do caseiro e vira alternativa do PT para disputar o governo paulista ou até mesmo substituir Dilma na corrida presidencial

Por: Otávio Cabral



Paulo Fridman /Corbis/Latinstock

VIOLAÇÃO DE CONDUTA
Será que o fantasma do caseiro Francenildo vai deixar de assombrá-lo?

 

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Acervo Digital: a trajetória de Palocci no poder

Há duas semanas, o presidente Lula convidou o deputado federal Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, para uma conversa a dois no Palácio da Alvorada. No encontro, Lula falou sobre a tendência do Supremo Tribunal Federal (STF) de arquivar a denúncia contra Palocci por envolvimento na quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa – o que de fato acabou acontecendo na semana passada. Falou também que, sem o fantasma do caseiro a assombrá-lo, era hora de o ex-ministro pensar no futuro – e o seu futuro, como tudo no universo petista, passa primeiro pelos planos do próprio presidente Lula. Palocci foi escalado pelo presidente para ocupar o papel de candidato-reserva do Planalto em 2010. Isso não quer dizer que Dilma Rousseff, a candidata oficial, será preterida. Mas o presidente quer estar preparado para uma eventualidade. A estratégia articulada é lançar oficialmente Palocci como candidato ao governo de São Paulo. Isso daria ao ex-ministro visibilidade e ainda aglutinaria uma parte do PT.

 

O fato de ter escapado ileso do processo no STF, porém, não transforma Palocci num dínamo eleitoral. Ministro da Fazenda por três anos, com uma gestão marcada pela responsabilidade fiscal e por bons resultados na economia, ele ganhou o respeito do empresariado e dos banqueiros, sem dúvida um aspecto essencial numa eleição. Com uma fala fácil e macia, ex-coordenador do programa de governo de Lula em 2002 e dono de dois mandatos de deputado federal, o ex-ministro também conhece as refregas eleitorais como poucos. Seu nome une o PT paulista, contrariado com a ameaça de Lula de impor a candidatura de Ciro Gomes ao governo do estado, a ponto de a ex-prefeita Marta Suplicy, candidata natural ao cargo, topar abrir mão da disputa caso Palocci entre no jogo. Mas resta ao ex-ministro, paradoxalmente, livrar-se definitivamente do episódio do caseiro.

 

A preocupação do PT com o tema é tão grande que o partido dará início a uma série de pesquisas para aferir a força eleitoral do ex-ministro e medir o tamanho do prejuízo causado em sua imagem com o episódio do caseiro Francenildo. Mesmo com a decisão da Justiça em seu favor (por um placar apertado, de 5 a 4), o caso pode provocar sérios estragos numa eleição pelo fato de ser facilmente entendido pelo público. Há outras pedras no caminho de Palocci. Pesquisas realizadas pelo partido mostram, por exemplo, que ele quase não aparece em escolhas espontâneas de candidatos. "Apesar de tudo, nenhuma força política poderia desperdiçar um ministro da Fazenda tão competente, que cumpriu a parte mais dura da política econômica de Lula", afirma o governador de Sergipe, o petista Marcelo Déda. "Palocci virou nosso curinga e estará na disputa eleitoral de 2010. Só não sabemos onde."

 

A definição sobre quem será o candidato a presidente tem data marcada: março do ano que vem. Lula já não esconde a um número crescente de interlocutores a preocupação com os rumos da candidatura de Dilma Rousseff. A tática de eleição plebiscitária entre um candidato lulista e outro do PSDB, cenário idealizado pelo presidente, caiu por terra com a entrada na disputa de Marina Silva (PV) e, provavelmente, Ciro Gomes (PSB). Lula acha mais fácil eleger Dilma em uma campanha com o debate restrito à continuidade de seu governo ou a volta à era dos tucanos. Em uma disputa com vários candidatos, Dilma terá de apresentar mais do que o apoio de Lula, o que pode ser um problema. Para viabilizar a candidatura, o presidente acha que ela deve atingir 30% das intenções de voto antes do lançamento oficial, previsto para o início do ano. Por fim, apesar dos resultados animadores, a ministra segue em tratamento contra um câncer linfático. "Se até março ela continuar patinando nas pesquisas, com dificuldades políticas e problemas de saúde, Lula poderá substituí-la por Palocci. O tratamento médico servirá de justificativa para essa mudança", afirma um dirigente petista muito simpático à candidatura do ex-ministro.

 

Jamil Bittar/Reuters

OPÇÃO FEDERAL
Dilma, atual candidata de Lula a presidente,
a partir de agora terá de conviver com
as ambições do ex-ministro

 

 

Até a escolha definitiva do nome do PT, o Planalto e o partido analisarão os resultados de sondagens qualitativas que serão feitas mensalmente para avaliar a viabilidade eleitoral de Dilma. Na inicial, que já está em andamento, eleitores de todas as idades, escolaridades e níveis de renda assistem em grupo a vídeos nos quais a ministra aparece discursando ou concedendo entrevistas. Os primeiros resultados mostram que grande parte dos eleitores aponta Dilma como "antipática" e "arrogante". Por outro lado, ela é elogiada pela capacidade técnica e competência. Para preservá-la de seus rompantes, o governo está aos poucos transferindo suas atribuições na Casa Civil para uma equipe técnica comandada por Erenice Guerra, sua secretária executiva, e montando uma equipe de campanha para protegê-la de provocações e ataques. A estratégia do governo é priorizar sua participação em inaugurações e lançamentos de projetos ao lado do presidente Lula.

 

Palocci não estava presente no julgamento que o reabilitou politicamente e que pode tê-lo catapultado para o centro da disputa eleitoral do ano que vem. O ex-ministro preferiu acompanhar pela televisão a sessão de mais de sete horas que resultou no arquivamento de seu processo. O mesmo não se deu com o caseiro Francenildo Costa. Vestindo terno, camisa, gravata e sapato emprestado pelo seu advogado, ele presenciou a sessão sentado na primeira fileira do plenário do tribunal. O caseiro não se levantou da cadeira nem durante o intervalo. Foi embora sem dar declarações. Antes de sair, comentou com o advogado ter ficado decepcionado com a sentença e criticou a ausência daquele que considera ser o mentor da quebra do seu sigilo bancário. Francenildo disse que queria ter visto o ex-ministro de perto. Para esse eleitor, pelo menos, o passado de Palocci é incancelável.

 

Paulo Pinto/AE

OPÇÃO ESTADUAL
Por Palocci, Marta Suplicy, candidata natural ao governo de SP, abre mão da disputa

 

Fonte: Revista Veja - Editora Abril

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 66

Nacional

28/08/2009

São Paulo

Secretário afirma que Polícia Civil é ''inepta e letárgica'' »

A Polícia Civil de São Paulo encontra-se em situação de "absoluta inépcia e letargia". Esses foram os termos usados ontem pelo secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, para definir a situação desde que assumiu o cargo na gestão José Serra (PSDB).


Durante um debate sobre segurança pública promovido pela Fecomercio (Federação de Comércio), Ferreira Pinto fez um balanço de sua gestão, iniciada há cinco meses.

A uma plateia formada na maioria por PMs e cadetes, o secretário disse que, para tirar a Polícia Civil desse estágio, iniciou-se uma reestruturação. Ele não fez menção a nenhum de seus antecessores.

Depois de elogiar o trabalho da PM, onde trabalhou 16 anos e saiu como capitão, o secretário afirmou que pode dedicar seu tempo para "resolver os problemas cruciais" da Polícia Civil. "Resolver todos [os problemas] seria muita pretensão, mas não posso comodamente ficar no meu gabinete tendo ciência de todos esses fatos, uma situação de absoluta inépcia e letargia da Polícia Civil."

As mudanças na estrutura da polícia paulista passam por diversos pontos, como a troca de diretores e o acúmulo de funções por delegados. Ferreira Pinto substituiu diversos comandos, como o do Deic (que investiga o crime organizado), o do DHPP (homicídios) e o da corregedoria. Esta, desde ontem, passou a ser subordinada diretamente ao seu gabinete.
O secretário disse pretender resgatar o caráter investigativo da Polícia Civil. Para isso, fará mais duas mudanças: somente a PM fará escoltas de presos, e todos os termos circunstanciados de ocorrência (que substituem o boletim de ocorrência em casos menos graves) terão de ser feitos por policiais civis.

A Folha apurou que as mudanças feitas pelo secretário têm como objetivo trazer à Polícia Civil uma nova identidade, mais parecida com a da Polícia Federal. Por exemplo, em vez de dizer que o Deic fez uma operação para prender criminosos, a ação passará a ser caracterizada como da Civil.

Sobre a PM, Ferreira Pinto disse que a Rota (Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar), apontada nos anos 90 como uma unidade composta por policiais violentos, deverá reforçar o policiamento na Grande SP. "Não significa nenhuma apologia ao arbítrio, ao desmando, à execução sumária, que, tristemente, nos lembramos 15 anos atrás. Mas não podemos ter timidez em valorizar a Rota", disse.

Policiais divididos

Sindicatos de policiais civis se dividiram sobre as declarações. Investigadores concordam com o secretário; já delegados acham que ele exagerou.

"Realmente a Polícia Civil, no governo José Serra, está desaparelhada e desestimulada", disse o presidente do sindicato dos investigadores, João Batista Rebouças. Para ele, não é só a questão salarial, mas também a falta de estrutura que interfere no serviço dos 35 mil policiais.

"Hoje o policial faz tudo, menos investigar. Se ele não for valorizado, começa a trabalhar em outra função e a usar a polícia como bico", disse Rebouças.

Para o presidente do sindicato dos delegados, José Martins Leal, as palavras do secretário são "fortes". "Precisamos de uma injeção de ânimo, mas não se faz isso com essas palavras."

Fonte: Folha de S. Paulo

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 65

Nacional

29/08/2009

Municipalização

Fora das viaturas, dentro da comunidade »

O novo modelo de segurança pública coordenado pelo Ministério da Justiça tem como uma das diretrizes básicas a municipalização das atividades policiais através da criação e fortalecimento das guardas.

– É preciso ver até onde vai a função da polícia uniformizada. A tendência hoje não é mais concentrar em um só corpo policial, mas pluralizar as funções – diz o ministro da Justiça, Tarso Genro. A prioridade do governo federal é induzir a integração das policiais civis e militares para o combate às quadrilhas organizadas e, numa outra ponta, estimular as atividades preventivas com a formação de guardas municipais e policiamento comunitário.

– Uma viatura policial passa e só provoca uma sensação de segurança. A comunidade não conhece o policial que trabalha no bairro onde mora – acrescenta o secretário Nacional de Segurança, Ricardo Balestreri, o maior incentivador do ressurgimento das duplas Cosme e Damião, que nos primórdios das organizações policiais – época em que o crime tinha uma aura romântica – faziam a ronda a pé. Mesmo fardados, segundo lembra o secretário, esses policiais caminhavam nos mesmos espaços da comunidade e dialogavam com a população. – Vamos sair da viatura e circular.

Restrito atualmente a 108 municípios com população acima de 200 mil eleitores, o Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), carro-chefe do Ministério da Justiça, será ampliado e contará com mais recursos. Com R$ 2,1 bilhões previstos para este ano, o programa já conta com o dobro de recursos de 2008. O governo vai fiscalizar a aplicação do dinheiro e retirará do programa as prefeituras ou estados que desviarem os recursos para outras finalidades ou deixarem de cumprir os princípios e diretrizes dos programas. Assim como o Pronasci, o novo modelo de segurança em gestação também deverá ser submetido ao Congresso e legitimado através de legislação.

Balestreri acha que o fracasso do atual modelo justifica o surgimento de uma polícia mais próxima da população, uma alternativa para “mudar esse desastre estatístico”. Ele diz que apesar da violência policial em algumas regiões, os índices de criminalidade se mantém estáveis. Isso significa, segundo o secretário, que apenas a opção pelo enfrentamento baseado em invasões a “pedaladas na porta” e tiroteio não está funcionando.

Guerra

As mortes por crimes violentos no Brasil são números mais fortes do que os registrados em países em guerra civil: 45 mil em média e indícios de altíssima violência policial sem redução da criminalidade. As mortes de civis – ou bandidos, como afirma a polícia – em confronto no ano passado representaram 8,34% dos homicídios dolosos ou 3.523 casos lavrados em “autos de resistência”.

O número de homicídios dolosos chegou a 42.239, sem incluir às demais modalidades incorporadas à violência urbana que, somadas, alcançam os cerca de 45 mil mortes da macabra contabilidade. Os índices mais altos de mortes em confronto pertencem ao Rio de Janeiro. Foram 1.137 supostos criminosos mortos no ano passado em confrontos que fizeram 26 vítimas entre os policiais.

As estatísticas criminais encomendadas pelo próprio governo federal mostram que o quadro é mais grave ainda quando descreve delitos mais assustadores, como o índice de latrocínios – os casos em que o bandido rouba e mata. Foram 1.637 ocorrências registradas em 2008, o equivalente a 3,87% dos homicídios dolosos. Entre as regiões com os índices mais altos do país está o Distrito Federal, com 60 casos no ano passado e uma taxa de 2,3 ocorrências por 100 mil habitantes. No Rio e em São Paulo foram, respectivamente, 1,2 e 0,7. O Distrito Federal perde apenas para Amapá e Pará (2,8 casos por 100 mil habitantes), mas é o grande paradoxo por concentrar o maior número de forças policiais, pagar os melhores salários aos agentes de segurança e sediar o poder da República, ilhado na Esplanada dos Ministérios e no Plano Piloto pela expansão da violência nas cidades satélites.

– O Brasil precisa parar de discutir a segurança pública pelo emocional, apenas quando mais uma tragédia ocorre – diz Balestreri, chamando a atenção para outra distorção provocada pelo “desastre das estatísticas”: o desenvolvimento econômico do país. Uma taxa de 45 mil homicídios por ano, segundo o secretário, conspira contra a perspectiva econômica gerada pelo potencial energético de descobertas como o pré sal. – A violência se combate com racionalidade.

Segundo ele, o governo federal vai destinar seus recursos a estados e municípios que priorizarem a prevenção em vez do confronto. O alvo são os excessos no combate ao crime. Segundo o secretário, a violência policial impera onde faltam conhecimento, aparelhamento e decisão firme dos gestores.

– A violência (policial) sistêmica só sobrevive com a leniência das autoridades - conclui.

Fonte: Jornal do Brasil

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 64

Nacional

29/08/2009

Conseg

Programa de direitos humanos inclui policiais »

O secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Brisolla Balestreri, disse ontem (28), pouco antes de discursar na 1ª Conferência Nacional de Segurança (Conseg), que a nova versão do Programa Nacional de Defesa dos Direitos Humanos será lançada no próximo dia 30. Momentos antes, o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, havia antecipado que ele passaria a se chamar Programa Nacional de Defesa dos Direitos Humanos e Policiais.

- Qualquer bom empreendimento depende de capital humano e nós queremos que os policiais atuem de forma a promover os direitos humanos, dentro e fora da policia - disse Balestreri à Agência Brasil. - Essa nova versão do programa busca contemplar justamente isso - acrescentou.

Em sua palestra, Vannuchi questionou “a visão míope” de parte da sociedade de que direitos humanos seria coisa apenas para bandidos.

-Levará anos para que consigamos superar os erros históricos cometidos em nosso país, que resultaram na morte de mais de 5 milhões de índios e na tortura de outros milhões de índios e escravos. Por isso, temos agora o desafio de mostrar àqueles que não acreditam que, com as polícias e os sistemas prisional e de justiça voltados aos direitos humanos, é possível ter eficiência no combate ao crime.

De acordo com ele, quando o crime é combatido com crime, nasce uma identidade comum entre policiais e criminosos.

- E dessa forma continua-se levando celulares e tortura aos presídios - completou Vannuchi.

O ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos criticou também a redução da maioridade penal.

- Isso não mudará a estratégia dos bandidos de recrutar indivíduos cada vez mais jovens para o crime. As pessoas precisam entender que o inimigo não é esse jovem recrutado. Ele é apenas um espelho do criminoso maior. Esse jovem nada mais é que um inimigo falso - argumentou.

Durante seu discurso, o secretário nacional de Segurança Pública apresentou algumas correlações entre desenvolvimento e a questão da segurança.

- Parece que nosso papel é apenas o de ordenar a sociedade, detendo pobres e protegendo ricos. Isso é falso. Há uma correlação muito forte entre segurança e desenvolvimento. Uma nação só enriquece quando há liberdade para empreendedorismo. Eu já morei, por opção, em uma favela e posso dizer: quem está lá não tem liberdade para montar negócios próprios por causa dos bandidos - disse, referindo-se a favelas dominadas por criminosos.

- Precisamos que a segurança seja forte e eficiente de forma a dar condições para que as pessoas possam desenvolver seus empreendimentos econômicos - completou Balestreri.

A 1ª Conseg está sendo realizada no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

Fonte: Jornal do Brasil

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 63

Justiça

29/08/2009

Discussão

Caso Palocci: polêmica no STF continua »

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), lamentou o resultado do julgamento da Corte que livrou o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, da acusação de ter quebrado e divulgado o sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Ontem, um dia depois da decisão, Marco Aurélio afirmou que o lado mais fraco da disputa sempre sai prejudicado. Ele foi um dos quatro ministros que defenderam a abertura de processo para investigar Palocci. Mas a tese oposta venceu, com cinco votos.

— A corda sempre estoura do lado mais fraco — disse o ministro. — O embate Estado-cidadão, quando há desvio de conduta por parte da autoridade pública, é um embate desequilibrado. O que estabelece o equilíbrio é o respeito à legislação.

Agora vamos esperar, paciência. Depois que o tribunal bate o martelo, a decisão tem que ser cumprida.

Marco Aurélio reafirmou sua convicção de que havia indícios suficientes para justificar abertura de processo sobre Palocci. E ressaltou que, para a abertura de ação penal, não é necessário reunir provas da autoria do crime, apenas indícios.

— Nós tivemos de um lado pessoas qualificadas: um presidente da Caixa, um ministro da Fazenda, um assessor de imprensa. Do outro lado, um simples caseiro. Quebraram o sigilo de forma individualizada. O único órgão que pode quebrar o sigilo assim é o Judiciário. Não estávamos a julgar a culpa, a responsabilidade de quem quer que seja. Eu continuo convencido de que havia indícios.

Perguntado sobre as consequências políticas do julgamento, com a liberação de Palocci para se candidatar, Marco Aurélio alertou o povo a ter cuidado com os candidatos que escolhe: — Precisamos fazer uma revolução pelo voto no Brasil. A sociedade não é vítima dos políticos que temos, a sociedade é a autora. Que cada eleitor perceba a importância do voto.

No Rio, o presidente do STF, Gilmar Mendes, que era relator do caso, explicou ontem seu voto, que livrou Palocci da acusação. Gilmar também respondeu à declaração de Marco Aurélio de que a corda sempre estoura do lado mais fraco.

— Não se trata de uma discussão sociológica, do poderoso em relação ao mais pobre. Se vocês lerem a denúncia, o procurador-geral da República disse assim: “O ministro da Fazenda determinou que se fizesse isso (a queda de sigilo bancário do caseiro ao então presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Matoso)”. Então, a discussão era se houve realmente esse pedido, se ele determinou. E, nesse caso, ele (Palocci) seria partícipe da ação do Jorge Matoso (que enviou os dados bancários do caseiro a Palocci).

O Tribunal entendeu que isso não estava presente. Não ficou claro.

Gilmar, contudo, fez críticas ao ex-ministro da Fazenda: — No meu voto existe uma censura clara à conduta do próprio ex-ministro de receber essa informação (os dados bancários do caseiro). Isso foi dito de forma muito clara. Agora, isso era crime? Não, isso não era crime, à luz da lei, à luz dos conceitos desenvolvidos, e foi isso que prevaleceu.

A votação de anteontem foi apertada, por 5 votos a 4 no julgamento de Palocci. Mattoso não teve a mesma sorte, sobretudo porque, à época, admitiu ter pedido a funcionários da Caixa os extratos bancários do caseiro e, em seguida, os repassado a Palocci.

Por isso, explicou Gilmar, foi aberta ação penal contra Mattoso. Marcelo Netto, que era assessor de imprensa de Palocci, e negou ter passado os dados bancários do caseiro à imprensa, também foi liberado da acusação.

Ayres Britto apoia Marco Aurélio

Voto vencido, o ministro Carlos Ayres Britto afirmou ontem que concorda com o teor da metáfora utilizada pelo ministro Marco Aurélio — de que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco — para comentar a decisão do plenário. Segundo Ayres Britto, seu voto já expressava essa máxima.

— Antes de o ministro Marco Aurélio dizer isso eu já disse, com o meu voto. O ministro retomou esse discurso com a metáfora. No voto, eu disse o seguinte: que o caso era emblemático e merecia dos ministros toda a atenção.

Primeira simbologia: evidenciar que o sigilo é um direito fundamental.

E segunda: um homem comum do povo, um cidadão simples, de profissão pouco reconhecida, não graduado, não titulado, teve a coragem, o desassombro, de denunciar as autoridades, inclusive em um fórum público. O ministro falar que a corda estourou do lado mais fraco é nesse sentido: um homem simples, que faz parte dos extratos sociais mais sacrificados, não foi recompensado no gesto eminentemente cívico de denunciar o que lhe pareceu um deslize de caráter penal.

O advogado Carlos Velloso, ex-ministro do STF, elogiou a decisão da Corte. Velloso, que se aposentou em 2006, disse que votaria como Gilmar se ainda estivesse no tribunal. Para ele, não existe prova forte o suficiente para justificar a abertura do processo.

Fonte: O Globo

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 62

Nacional

28/08/2009

Conseg

Lula pede fim do ''jogo de empurra'' na segurança pública »

Foto: José Cruz/ABr
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa na abertura da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou, ontem, na abertura da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), o fim do "jogo de empurra" entre governos, estados, prefeitos e sociedade sobre o problema da segurança no país.

 

A segurança pública não deve ser tratada como "um cachorro com vários donos que morre de fome", afirmou o presidente.

 

- Nós, brasileiros, do presidente da República ao mais humilde dos brasileiros, passando pelos dirigentes deste país, todos nós precisamos assumir a responsabilidade de que a segurança pública é um problema de 190 milhões de brasileiros, dentre os quais, nós, que temos cargos públicos, temos que ter maior responsabilidade, porque nós gerimos os recursos e tomamos as decisões - afirmou Lula.

 

Ao destacar que a maioria dos criminosos é jovem, o presidente atacou os modelos econômicos adotados no passado, que, segundo ele, levaram parte da população à pobreza:

 

- Quando vejo um jovem sendo preso, fico pensando que quem deveria ser julgado são aqueles que, durante décadas, não permitiram que esse jovem tivesse oportunidade de estudar, de trabalhar - disse.

 

Assim que encerrou o discurso, Lula deixou a cerimônia para embarcar para Bariloche, na Argentina, onde participará do encontro da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). Lula disse que irá à reunião da Unasul para "discutir a tranquilidade da nossa querida América Latina".

 

A instalação de bases militares norte-americanas na Colômbia é o principal foco de discordância entre os países e se soma ao armamentismo na região e a acordos firmados com potências extrarregionais.

 

Fonte: Jornal do Brasil

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 61

Nacional

28/08/2009

Estudo

Os dilemas da atividade policial »

Por: Claudio Beato

O Secretário da Segurança de São Paulo tocou em ponto nevrálgico da estrutura das polícias brasileiras: sua ineficiência no controle da criminalidade. Não obstante os importantes resultados no controle de crimes alcançados em alguns Estados, tais como os homicídios em São Paulo ou os crimes violentos contra o patrimônio em Minas, os números ainda são tímidos se considerarmos a magnitude dos problemas no Brasil.


Seria ingenuidade relegar apenas à polícia esta tarefa. Contudo, temos um problema gerencial que merece discussão. Não por acaso, de 50% a 80% de policiais (civis, militares e guardas-civis) indicam a necessidade de mudança do modelo de polícia, segundo pesquisa divulgada pela Senasp. Daí que o tema da reforma das polícias surja recorrentemente na pauta de gestores e de especialistas.

 

O maior problema, sem dúvida, é a duplicidade organizacional das polícias, que as leva a serem, nas palavras de Marcos Rolim e Luiz Eduardo Soares, "polícias pela metade", frequentemente assumindo prerrogativas da outra e em eterno conflito latente.

 

Outra pesquisa, coordenada pelo carioca Michel Misse em vários Estados, apontou tema igualmente crucial: o inquérito policial. Só de 15% a 20% dos inquéritos de homicídios são solucionados nesses Estados. Nos casos de crimes contra o patrimônio, é provável que o resultado seja inferior a dois dígitos. E um dos motivos mais relevantes tem a ver com a forma como é desenvolvido o inquérito, no qual o formalismo passa a ser mais importante que a investigação propriamente dita.

 

Mas este é um verdadeiro dogma no interior das polícias civis. Trata-se de uma peça do século 19 que pretende enfrentar problemas do século 21. Foi criada em 1871 e ainda é usada para enfrentar a complexidade dos problemas contemporâneos, de terrorismo cibernético a redes criminosas internacionais. É um traço genético resiliente que marca nossa estrutura de polícia, mas que poderia ser concebida de forma distinta.

 

Em muito países, o que temos são investigações conduzidas, por exemplo, por Ministério Público ou juízes, que se encarregam dos procedimentos jurídicos formais e de salvaguarda dos direitos dos investigados, liberando os bons policiais para sua atividade fim. Além disso, temos a duplicidade de procedimentos, que leva vários juristas a se questionarem da racionalidade deste processo.

 

Mas seria injusto atribuir apenas ao inquérito todas as mazelas. Daí a necessidade de uma ampla reforma, inclusive no plano legislativo, que atinja de forma profunda nosso processo penal. O labirinto no qual reside a impunidade brasileira encontra expressão nas dezenas, talvez centenas, de subterfúgios ali existentes. Mas não se pode negligenciar a necessidade de microrreformas gerenciais que busquem conferir mais centralidade às bases territoriais, bem como o desenvolvimento de uma base mais técnica para as investigações.

 

CLAUDIO BEATO é coordenador do Centro de Estudos em Criminalidade e Segurança Pública, da UFMG

 

Fonte: Folha de S. Paulo

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 60

Tribuna Livre

28/08/2009


Questão de justiça

Carreira Única e Gestão por Competência. »

Por: Luciano Porciuncula Garrido*



“O que nos causa problemas não é o que nós não sabemos, mas o que sabemos que não é como está” – W. Rogers
 

A carreira única nas corporações policiais, mais do que uma questão de justiça, atende às exigências de uma gestão verdadeiramente moderna. Os gerentes das organizações bem-sucedidas, que pautam suas metas pelo critério da eficiência e da produtividade, já atinaram para a importância de administrar seus quadros por meio das diretrizes traçadas em uma “gestão por competência”. Levando-se em conta esses pressupostos, convém dizer que os critérios de competência jamais poderão ser adotados satisfatoriamente se uma organização optar ao mesmo tempo pelo engessamento na estrutura de suas carreiras, de tal forma a que se impeça a mobilidade dos seus quadros funcionais. Sem possibilidades de ascensão nas carreiras, não há como criar espaços para a tão almejada “meritocracia”.

 

Outro dado a ser considerado recai sobre o modo como as corporações policiais têm recrutado, selecionado e contratado seu pessoal. Não tendo sido criados até momento critérios científicos para embasar os processos seletivos para carreiras policiais, as regras estabelecidas pelas bancas examinadoras de concurso vêm se pautando por parâmetros de caráter arbitrário (ou seja, sem caráter algum). Para que critérios válidos sejam estabelecidos nos processos seletivos, faz-se necessário um amplo estudo acerca das tarefas ocupacionais executadas por todos os cargos da carreira policial (a chamada análise de cargos). Somente a partir daí, será viável traçar um perfil profissiográfico fidedigno, objetivo, deixando de lado os palpites amadores sobre o que venha a ser verdadeiramente o trabalho policial e quais os atributos esperados para se engendrar um bom policial – seja nos cargos de execução, de coordenação ou supervisão. [1]

 

Vale constatar que a metodologia apontada, em que pese não seja utilizada pelas corporações policiais, são de amplo domínio nas áreas de gestão de pessoal e comportamento organizacional, seja qual for o ramo de atividade considerado[2]. Uma metodologia científica bem aplicada nos processos seletivos é o único meio de definir quais serão as qualificações necessárias aos cargos, de maneira a que os candidatos eventualmente escolhidos venham a executar suas futuras funções com relativo sucesso. Diferente disso, qualquer critério seletivo que imponha restrições em seu edital – seja o critério de escolaridade ou diplomação específica – deverá ser fundamentado sob os cânones da ciência, isto é, mediante um estudo nos moldes referidos, qual seja: análise de cargos, perfil profissiográfico validado a partir da descrição dos cargos, e instrumento também válido para mensuração do referido perfil. Se tais medidas não forem adotadas com o rigor técnico, muito provavelmente se fará graves injustiças nos processos seletivos, porquanto irão atentar contra as regras e princípios fundamentais que regem as leis de licitação (no caso específico, o concurso público)

 

Mas a falta de informação técnica a esse respeito não se reflete apenas na precariedade dos processos seletivos efetivados até o momento. Ao estabelecer critérios funcionais infundados ou mesmo aleatórios, as políticas de recursos humanos, em geral, e a estruturação das carreiras, em particular, passam a carecer não só de respaldo técnico-científico assim como, não diria legalidade, mas legitimidade. Quando, por exemplo, se cria nas corporações policiais cargos de nível superior e se estabelece que um deles é “mais superior” que o restante, será preciso fundamentar tal assertiva. Esse coeficiente de atributos profissionais que submete hierarquicamente alguns dos cargos de nível superior a outros tantos se dá por meio de qual critério? Há algum estudo científico que ampare um arranjo desse tipo? Em uma corporação policial, um bacharel em Direito que exerça suas atividades em cargo também de nível superior – porém situado numa escala hierárquica inferior – se diferenciaria em qual aspecto de outro bacharel em Direito investido em cargo que lhe seja hierarquicamente superior? Nesse caso, tudo se resumiria apenas ao fator concurso público?

 

A grande dificuldade, porém, reside precisamente nesse “fator” concurso público. É possível que as corporações policiais passem doravante a estabelecer critérios válidos para seus processos seletivos, desde que, como foi demonstrado, adotem uma metodologia científica para o mapeamento das atividades e tarefas pertinentes aos seus cargos. Ainda assim, as bancas examinadoras, e as próprias corporações policiais, se verão numa grande enrascada ao ter que forjar mecanismos e instrumentos também válidos e eficazes para avaliar e mensurar nos candidatos os atributos funcionais que venham a ser contemplados por um dado perfil profissiográfico.

 

A atividade policial requer uma série de “expertises”, sobretudo nos seus aspectos atitudinais e psicológicos, que são complexas e de difícil ponderação. Não é por outra razão que tem causado uma série de controvérsias e litígios nas várias etapas dos processos seletivos. Ademais, para incrementar ainda mais a dificuldade, os cargos situados na escala superior da hierarquia exigem toda uma experiência profissional de gerenciamento que muito dificilmente seria auferida em concurso público nos moldes em que são feitos, inclusive para corporações policiais. Como forma de compensar isso, é possível até que se criem as “provas de título” para carreiras policiais, contemplando a variável “experiência profissional” nos certames, mas essa apreciação será sempre genérica, a partir do requisito impessoal do “tempo de efetivo serviço”. Nesse caso, um policial que tenha vinte anos de péssimos serviços prestados a instituição a qual pertence terá o mesmo tratamento que um excelente policial com os mesmo vinte anos de serviço. Nas etapas do concurso público, como se vê, não é possível à banca examinadora avaliar conteúdos quando se trata da variável “experiência profissional”. Tanto é verdade que esse tipo de avaliação nunca foi feito em concurso público. As bancas examinadoras teriam que utilizar as avaliações de desempenho realizadas pelas próprias instituições públicas ao longo da carreira do servidor. Mas avaliações de desempenho existem no serviço público? Sabemos que não existem, e se existem estão longe de serem objetivas...

 

Como contraponto, podemos dizer que na esmagadora maioria das organizações modernas, os cargos de mando, ou seja, de supervisão, coordenação e controle, são ocupados pelos próprios integrantes da organização que, com uma experiência e vivência profissional decantada ao longo da carreira, neles se encontram por mérito e esforço pessoal. Muito dificilmente se encontrará organizações que contratem pessoas de fora para ocupar seus cargos de mando, salvo na hipótese de que não haja na própria organização pessoas habilitadas para tal função. O acesso aos cargos de chefia, portanto, se dá preferencialmente por todos aqueles que compõem a instituição, até porque esse critério é um dos mais poderosos instrumentos de motivação no trabalho. Nesse particular, sobre informação técnica.

 

Por fim, nada mais justo que as instituições policiais implementem uma carreira única que tenha, para o ingresso na instituição, uma única “porta de entrada”. Ao contrário do que comumente se alega contra a ascensão funcional, esse modelo de estruturação da carreira não irá cercear quaisquer direitos dos que porventura queiram ingressar na carreira policial. Se de fato desejarem um dia tornar-se policiais, ingressarão democraticamente “por baixo”, e com humildade irão progredindo na carreira, pari passu, com seus esforços e merecimentos.

 

(*) Luciano Porciuncula Garrido é Psicólogo, Agente de Polícia Civil e Especialista em Segurança Pública e Direitos Humanos; ex-policial militar; exerceu cargo de psicólogo forense no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios e cargo de psicólogo clínico no Hospital Universitário de Brasília.

 


[1] Ver Mal-Estar na Segurança Pública (Luciano Porciuncula Garrido & George Felipe de Lima Dantas)

 

[2] Comportamento Organizacional, Stephen Robbins, 1998; Gestão de Pessoas Idalberto Chiavenato, 1999; Análise Ocupacional por Tarefas/Job Task Analysis -- Jornal/Journal: Boletim Policial do FBI - Volume: 58 Edição:11/FBI Law Enforcement Bulletin - Volume:58 Issue:11 Datado de/Dated:(Novembro de 1989) (November 1989) Páginas/Pages:9-13 Autor(es)/Author(s): T J Jurkanin

Fonte: Agência Fenapef

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ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 59

Sindical

29/08/2009


Prevenção? Nem pensar

Médico pode, atestado não »

Depois de inventar o relógio ponto com objetivo de transformar o trabalho policial em atividade burocrática das 8h da manhã às 18h, o DPF acaba de inventar outra pérola. O coordenador de Recursos Humanos, delegado Jorgeval Silva Costa, decretou na quarta-feira, 26, que o tempo gasto na consulta médica do servidor terá que ser compensado. Segundo o delegado, o atestado médico, neste caso, não tem validade porque a consulta deve ser interpretada como ausência justificada, e não como licença médica. Inacreditável.
 


O doutor Jorgeval, na mesnagem a qual a Fenapef teve acesso,  destaca que de acordo com as disposições do inciso II do art. 44, e no art. 202 da Lei 8.112 em sintonia com a Portaria nº 1.675/2006 do ministério do Planejamento não se considera como licença médica o comparecimento à consulta médica. Ou seja, se o policial resolver consultar o médico “devidamente autorizado pela respectiva chefia” para prevenir alguma doença terá de compensar para não levar falta.


Atestado só se for destinado ao tratamento de moléstia que incapacite o servidor para o dia de trabalho. 


Num tempo onde o governo incentiva a prevenção de doenças de seus servidores, a medida do doutor Jorgeval é no mínimo questionável, porque se o servidor não estiver disposto a compensar horário simplesmente não irá mais ao médico.


Quando estiver doente e desfalcar o quadro pode levar o atestado.


Sem dúvida uma medida genial.

Fonte: Agência Fenapef

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 58
Conteudo
ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 57

Nacional

26/08/2009

Segurança

Reforma das polícias na agenda da Conseg »

Por: Luiz Eduardo Soares e Marcos Rolim

Será realizada nesta semana a Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), depois de um ano de debates.

A iniciativa do Ministério da Justiça, a despeito de seus limites -naturais em uma experiência pioneira-, é um marco histórico, ao importar para o campo da segurança uma dinâmica participativa bem-sucedida nas áreas da saúde, assistência e educação, graças à qual os serviços oferecidos nesses setores passaram a ser definidos como direitos universais.

Falta estender essa compreensão para a segurança, apesar de a letra constitucional já afirmar essa perspectiva. Sem a dimensão universal, as posições se chocam, mesmo quando são complementares.

Ou seja, o conflito político se perpetua, ainda que haja bases razoáveis para um consenso mínimo, apto a sustentar uma política de Estado, supragovernamental, não partidária, com amplo apoio da sociedade.

Movimentos de direitos humanos, com razão, denunciam a brutalidade policial e chamam a atenção para os crimes do Estado e o processo perverso de criminalização da pobreza.

Por outro lado, justificadamente, autoridades e amplos segmentos sociais denunciam a violência difusa que produz a cada ano dezenas de milhares de mortos, entre os quais se contam também muitos policiais.

Para que todas essas vozes se escutem e para que seja possível avançar na construção de políticas de segurança efetivas, será preciso romper com as perspectivas parciais e/ou ideológicas, incorporando a segurança como bem e direito universal: ou seja, como um direito de todo e qualquer cidadão, de qualquer classe social, more ele em uma favela ou em um condomínio, seja branco ou negro, esteja preso ou solto.

Entretanto, de nada adianta ter bons princípios e boas diretrizes se as instituições não estiverem estruturadas de modo compatível com a realização deles. Segurança não se reduz à polícia.

Envolve diagnósticos precisos, prevenção, políticas intersetoriais, monitoramento e avaliação de resultados, entre outros desafios notavelmente menosprezados no Brasil.

O reconhecimento dessa complexidade, contudo, não pode continuar servindo de pretexto para postergar a transformação de nosso modelo policial. Por isso, outro grande desafio da Conseg será a busca de um novo modelo de polícia para o Brasil.

O modelo que temos -sem paralelo no mundo- é um Frankenstein, que começa pela existência nos Estados não de duas polícias, mas de duas metades de polícia (cada uma delas com metade do ciclo de policiamento -ou ostensividade, ou investigação).

Por isso, nossas "polícias pela metade" buscam se equilibrar, uma assumindo prerrogativas da outra. Vivem intensa rivalidade, boicotam-se mutuamente e se depreciam.

Além disso, internamente também há profundas divisões. Nas polícias militares, oficiais e não oficiais constituem mundos à parte, assim como ocorre, nas polícias civis, com delegados e não delegados -e isso até no plano salarial.

Baixos salários levam ao segundo emprego na segurança privada, o que gera conflito de interesses, esgota os policiais fisicamente e impede a racionalização dos turnos de trabalho -nenhum governo ousa inviabilizar os bicos, porque são eles que viabilizam orçamentos insuficientes, evitando a explosão da demanda salarial.

Eis o "gato orçamentário", à sombra do qual prospera a corrupção e se agenciam perversões mais graves, como as milícias, no Rio de Janeiro. É preciso que nossas polícias tenham um ciclo completo. Contudo, uma simples unificação geraria um problema maior ainda: correríamos o risco de perder as virtudes de cada instituição e de somar seus defeitos.
Há alternativas, entretanto. Uma delas vem sendo defendida com coragem pelo secretário nacional, Ricardo Balestreri: as duas polícias estaduais passariam a ter competências diferentes, segundo tipos penais.

As polícias militares poderiam tratar dos crimes patrimoniais, agindo na prevenção e na investigação, reservando-se às polícias civis os demais delitos, como os crimes contra a vida e o tráfico de armas e drogas.

Em cada polícia deveríamos ter -como em todas as polícias do mundo civilizado- apenas uma porta de entrada para assegurar aos profissionais uma carreira digna. Sobretudo, ter-se-ia de oferecer bons salários para recrutar os mais qualificados e abolir os bicos.

Tudo isso teria de vir associado às mudanças previstas no projeto Sistema Único de Segurança Pública, que visa reordenar desde a formação até o controle externo.

Eis aí uma agenda para a Conseg: segurança como direito universal e um novo modelo policial.

 

LUIZ EDUARDO SOARES , professor da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e da Universidade Estácio de Sá, é assessor da Prefeitura de Nova Iguaçu (RJ). Foi secretário nacional de Segurança Pública (2003).

MARCOS ROLIM , professor da Cátedra de Direitos Humanos do Centro Universitário Metodista (IPA), é consultor em segurança pública. Foi presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

Fonte: Folha de S. Paulo

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 56

Nacional

27/08/2009

Polícias brigam antes de conferência »

Antes mesmo de qualquer palestra ou discussão da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), iniciativa inédita que começa hoje em Brasília para tentar consolidar mudanças na política nacional para o setor, as maiores polêmicas já estão sendo debatidas nos bastidores - e com direito a troca de farpas entre os diversos setores envolvidos, numa prévia do que deve acontecer até domingo na Esplanada dos Ministérios. A primeira controvérsia veio na forma de um documento em PowerPoint que vazou nesta semana do Ministério da Justiça, escancarando de antemão em 18 páginas as propostas que seriam defendidas pelo governo federal.

O documento aponta que o MJ seria contra a desmilitarização, a municipalização ou a unificação das polícias, defenderia a vinculação de verba orçamentária para a segurança. Ele dizia que o ministério não apoiaria a inclusão da sociedade civil em conselhos de gestão de segurança, incentivaria o uso de armamento menos letal e vetaria a criação de um Ministério da Segurança Pública e a redução da maioridade penal.

Depois de um ano de debates e de 1.359 reuniões em 514 municípios, o vazamento pegou de surpresa boa parte dos gestores, agentes policiais, militantes de direitos humanos e pesquisadores que vão discutir os temas no Conseg - para alguns, como a Associação de Delegados de São Paulo, o documento foi um balde de água fria, já que, segundo eles, o MJ estava "forçando uma decisão que deveria ser democrática".

O lobby da Polícia Civil reagiu. O presidente da associação paulista, Sérgio Roque, pediu a ajuda do colega e secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Junior, para que uma comissão de delegados fosse recebida no ministério. O encontro ocorreu anteontem com o secretário executivo da pasta, Luiz Paulo Barreto. "Ele nos garantiu que o ministério não vai apoiar essas medidas", afirmou o delegado Roque.

O problema dessa pauta é que ela seria, segundo os policiais civis, feita sob encomenda para as Polícias Militares. O documento foi criado depois de uma reunião do secretário nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Ricardo Balestreri, com diversos secretários estaduais de Segurança.

Ao Estado, a assessora especial do ministro da Justiça e coordenadora da 1º Conseg, Regina Mikki, explicou que o documento não é oficial e que as posições do MJ não devem influenciar os debates. "A reunião com os secretários e o documento em PowerPoint serviram para aprofundarmos as questões mais polêmicas da conferência e saber sobre os consensos e discordâncias das autoridades de segurança. Não era para ter vazado. A posição dos governos pode ser voto vencido, já que só representa 30% do Conseg. Ainda há a opinião da sociedade civil (40%) e dos trabalhadores (30%)."

Desde as conferências estaduais - que definiram as propostas para a 1ª Conseg -, o lobby conjunto da Polícia Civil e das Guardas Civis aprovou as propostas de municipalizar a polícia ostensiva e de unificação e desmilitarização. O lobby prepara caravanas para Brasília.

A ação surpreendeu as PMs, que defendiam que as polícias fizessem desde o patrulhamento das ruas até o registro e investigação de crimes - o chamado ciclo completo. "Somos favoráveis à unificação com o fim do inquérito", disse o ex-comandante da PM de São Paulo Carlos Alberto de Camargo.

REUNIÕES

Com 2,7 mil participantes esperados para o encontro, que vão a Brasília debater desde propostas genéricas como "promover a igualdade social" e "investir na educação" até ideias polêmicas, como desconstitucionalizar as polícias, extinguir a idade penal e controlar a imprensa, a reunião ainda é vista com ceticismo por participantes entrevistados. O receio é que haja conversas demais e poucos resultados efetivos.

Desde o começo do ano, foram colhidas em reuniões por todo o País exatas 364 propostas, que serão debatidas nos três dias para que na plenária sejam definidas as 40 diretrizes e os 10 princípios prioritários que devem orientar a Política Nacional de Segurança Pública. Já há consensos de proposições que poderão sair das reuniões do Conseg. Uma delas é a vinculação orçamentária: ONGs e sindicatos vão propor utilizar no mínimo 12% da receita estadual em ações e serviços de segurança pública e destinar 5% do orçamento municipal em segurança pública urbana. No documento vazado nesta semana, o MJ diz que "considera bom que a proposta neste sentido seja aprovada".

Outra ideia que deve ganhar força é a regulamentação das funções dos guardas-civis metropolitanos e o aumento da fiscalização em cima das empresas de segurança privada. As ideias polêmicas, como a desmilitarização das polícias, mesmo se forem aprovadas pela maioria no final da conferência, não serão implementadas nos Estados antes de novas discussões e apoio político nas Assembleias. "Continuaremos em busca de consenso", diz Mikki.

O governo assume que os debates mais acalorados ficarão a cargo do ciclo completo da polícia - pela proposta, em vez de as Polícias Civil e Militar dividirem o policiamento ostensivo e a investigação dos crimes, passariam apenas a seguir competências diferentes, segundo a gravidade dos tipos penais. O secretário Ricardo Balestreri defende que a PM deveria cuidar dos crimes patrimoniais e a Civil ficaria com os crimes contra a vida e o tráfico de drogas. Depois do vazamento do documento interno do MJ, no entanto, Balestreri foi cobrado pela sua posição no ministério - o que só vai esquentar os debates na 1ª Conseg.

Fonte: Estado de S. Paulo

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 55

Nacional

10/07/2009


Devassa acha até cocaína em carro no pátio do Denarc »

Cocaína, material para batizar a droga e 60 mil embalagens em forma de cápsulas para sua venda foram apreendidos dentro do estacionamento usado pelos policiais do Denarc para guardar carros apreendidos. A nova direção do órgão fez uma blitz no lugar, que foi cercado pelos homens da Divisão de Inteligência. Acompanhados por peritos do Instituto de Criminalística, os policiais revistaram 183 veículos e encontraram 250 gramas de pasta de cocaína, 750 gramas de substância para batizar a droga e as cápsulas usadas para a venda da cocaína no varejo.

Quase tudo o que é necessário para a manutenção de um ponto de tráfico havia ali - só faltou a balança de precisão. O encontro de droga escondida entre os carros não causou surpresa ao delegado Eduardo Hallage, que assumiu o Denarc em abril com a missão de recuperar o departamento, sacudido por escândalos de corrupção. Ele tinha em mãos uma denúncia de que não havia controle no estacionamento e suspeitava de que coisas estranhas pudessem acontecer no lugar.

Hallage mandou embora do Denarc 70 policiais sem receber ninguém em troca e trocou outros 80, substituídos por policiais novos. Virou alvo de policiais corruptos, que tentaram forjar uma acusação contra ele. Em maio, o diretor informou à Corregedoria que recebeu um denúncia de que investigadores ligados a traficantes montariam uma farsa: fariam um traficante falar em um telefone, cuja linha estivesse grampeada, que ia pagar R$ 1 milhão ao diretor do Denarc. O plano, no entanto, falhou.

Tentando recuperar a credibilidade do Denarc, Hallage decidiu investir na inteligência. Seus homens fizeram 60 prisões em flagrante em junho. Na terça-feira, o Núcleo de Apoio e Proteção à Escola (Nape) descobriu um laboratório de cocaína na Vila Brasilândia, na zona norte, e apreendeu 16 quilos de cocaína e 15 de maconha.

CORREGEDORIA

Outra aposta para combater a corrupção policial é subordinar a Corregedoria da Polícia Civil à Secretaria da Segurança. Os corregedores só seriam removidos por ordem do secretário. Hoje, o órgão é subordinado ao delegado-geral, que pode tirar de lá quem bem entender. A medida garantiria maior independência. Embora enfrente a resistência de alguns delegados, ela tem o apoio do Sindicato dos Investigadores e do governador José Serra (PSDB), que deseja mais eficiência no combate à corrupção. "É preciso dar maior independência e condição de trabalho aos corregedores, que nem sempre é o de punir", diz o secretário da Segurança, Antônio Ferreira Pinto.

Fonte: Estado S. Paulo

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 54

Tribuna Livre

20/08/2009

Atrevimento

'Ctrl C, Ctrl V' no inquérito policial » Por: Josias Fernandes Alves

Seria cômica não fosse preocupante a notícia sobre a instauração de processo administrativo disciplinar para apurar a responsabilidade funcional de um agente de Polícia Federal, lotado na Delegacia de Joinville/SC, que se “atreveu” a fazer críticas ao inquérito policial, em entrevista a programa de TV, no final do ano passado.

Dentre os “delitos de opinião” que devem ter ferido os brios de alguma zelosa autoridade da PF, foram citadas as seguintes afirmações, que configuraram as supostas transgressões cometidas pelo agente: “o inquérito policial é matriz de corrupção” e “quem faz toda a investigação é o agente e que o delegado, muitas vezes, não participa da investigação e faz apenas um ‘control C, control V’”.

Nem precisa ter formação jurídica para saber que o inquérito policial, símbolo da impunidade e da falência do modelo de investigação criminal no Brasil, além de ineficiente, burocrático e jurássico, facilita o tráfico de influência e a corrupção, práticas que contaminam a nossas instituições policiais, inclusive a PF.

Para citar apenas um fato recente, menos de um mês após a instauração do procedimento disciplinar contra o agente em Joinville, um delegado federal de Belo Horizonte foi preso pela própria PF, em junho, sob suspeita de corrupção e concussão, dentre outros crimes.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, apresentada no início de agosto, o delegado estaria exigindo vantagens indevidas de empresários para interromper investigações. Noutros casos, as investigações nem existiam: o delegado teria ameaçado as vítimas de instaurar inquéritos se elas não lhe dessem dinheiro.

Não dá para generalizar, nem botar na conta do inquérito ou restringir apenas aos delegados a responsabilidade pelos crimes de extorsão, corrupção, concussão e outros desvios de conduta que ainda maculam a atividade policial. Assim como também não é possível ignorar que as prerrogativas (por vezes pautadas por motivações e interesses pessoais) para instaurar ou não o inquérito, indiciar ou não uma pessoa investigada e juntar ou descartar provas acabam se tornando um prato cheio para delegados inescrupulosos.

Descartar a hipótese de que o inquérito policial seja um instrumento de corrupção é tão absurdo e autoritário quanto punir quem coloca o dedo nessa ferida. Faz lembrar o clássico conto infantil sobre a roupa nova do rei, que foi enganado e pomposamente desfilou nu pelas ruas, se achando em trajes finíssimos, sem que alguém tivesse a coragem de alertá-lo. Foi uma criança que ousou verbalizar o óbvio, para espanto dos súditos e bajuladores de sua majestade.

 Nem vem ao caso discutir as opções semânticas de apontar o inquérito como causa matriz, derivada ou determinante da corrupção, para usar termos afetos à matemática e à álgebra. Seria mais democrático e salutar que os delegados entrassem neste debate, do qual parecem querer fugir como o diabo foge da cruz. Certamente, a TV e outros meios de comunicação, assim como outros fóruns classistas, acadêmicos e da sociedade civil teriam espaço para todos os interessados.

A falta de disposição ou interesse dos delegados por essa discussão ficou evidente durante o seminário temático “A investigação brasileira através do inquérito policial”, realizado em Brasília, para subsidiar 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, em que foram apresentados os resultados preliminares de um estudo inédito sobre a investigação criminal no País, encomendado pela Federação Nacional dos Policiais Federais e realizado por pesquisadores de cinco universidades brasileiras.

Quanto ao uso dos comandos “control C, control V” (ou “copiar e colar”, esse recurso mais popular da informática) na elaboração do inquérito policial, deve-se fazer justiça ao delegado. O resultado de qualquer investigação policial, em regra, é fruto do trabalho de equipe. Ao contrário do que transparece na maioria das reportagens sobre as grandes (e também das menos midiáticas) operações policiais, quando geralmente um delegado – seduzido pelos holofotes – assume a paternidade e personaliza todos os feitos: ele investigou, prendeu, fez e aconteceu.

Durante a instrução do inquérito policial, de fato, muitas vezes, o delegado não tem condições de fazer diligências, conhecer o local do crime, identificar suspeitos e testemunhas ou de recolher provas de autoria e materialidade. Nem sempre elabora e, com freqüência, só assina pedidos de diligências e representações à Justiça, elaborados pela equipe de policiais. Na maioria das vezes, isso não ocorre por incompetência ou indolência, mas por sobrecarga de trabalho ou mera distração.

Não raro, por vaidade, inexperiência ou prepotência, o presidente do inquérito faz pedidos desconexos, inexeqüíveis ou absurdos. Parece anedota, mas um delegado da PF chegou a exigir que o núcleo de operações fizesse diligências “in loco”, para identificar o autor de uma ligação de 15 segundos, feita seis meses antes do fato investigado, mesmo sabendo que o telefonema fora feito de um telefone público, instalado numa praça. 

No levantamento de informações, na coleta e análise de dados, monitoramento e acompanhamento de investigados e nas prisões em flagrante, geralmente, a participação do delegado é mínima. No atual modelo de investigação criminal, quase sempre, o delegado nem tem condições de fazer diferente, quase sempre atolado em pilhas de papéis e ocupado com as intermináveis pautas de oitivas, muitas delas dispensáveis e repetidas na fase processual. Sem demérito às suas obrigações.

Mais que natural, portanto, que os inquéritos policiais sejam montados com cópias de documentos, laudos, relatórios de inteligência, informações colhidas, juntadas ou produzidas por peritos, papiloscopistas, agentes, escrivães e também por profissionais de outros órgãos públicos e privados.

O que se discute, em nome da eficiência e celeridade, é que o formato de investigação centralizado na figura do delegado acaba emperrando as investigações, às vezes por anos a fio. Não raro, há situações que um simples relatório de investigação já seria suficiente para apresentação da denúncia pelo Ministério Público e início da ação penal.

Nada mais razoável e racional que, em vez de tentar descobrir o “sexo dos anjos” no inquérito policial, o delegado copie e cole o que constar de bem feito e mais relevante, em termos de provas e indícios de autoria e materialidade, que de resto é o que interessa à instrução criminal.

O comentário sobre o uso do “control C, control V” não deveria soar como ofensa ou menosprezo ao trabalho dos delegados. Nem como provocação ou mote para disputa de poder entre integrantes de um mesmo time. Deveria ser tomada só como uma constatação ou um convite à reflexão sobre a necessidade de tornar mais eficiente a polícia judiciária.

À parte as desavenças e picuinhas de ordem pessoal, a instauração de procedimento disciplinar por este motivo, além de remeter aos tempos da censura do período autoritário, só reforça a tese de que muita gente ainda se acha senhor e dono da investigação. O que é muito mais escandaloso e comprometedor para a função policial que as críticas feitas ao inquérito.

Josias Fernandes Alves é Agente de Polícia Federal, formado em Jornalismo e Direito,

Diretor do Sinpef/MG e da Fenapef.

Fonte: Agência Fenapef

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 53

Nacional

03/07/2009
Funcionários dão dicas de estudo para passar no concurso da Polícia Federal » Candidatos que conseguiram entrar na Polícia Federal garantem que com dedicação, organização e tranquilidade é possível vencer a concorrência, que não é pequena – o concurso para a PF costuma ser um dos mais disputados do país devido aos altos salários.

O edital para agente e escrivão na PF deve sair em agosto, segundo a assessoria de imprensa do órgão. Todas as 600 vagas são para a região da Amazônia Legal, que compreende nove estados.
Como geralmente a prova costuma ser aplicada cerca de dois meses depois da divulgação do edital, o exame deve ser provavelmente realizado entre outubro e novembro.

 

Portanto, os candidatos têm até quatro meses para se preparar. O salário é de R$ 7.514,33, e os cargos exigem nível superior em qualquer área.

 

Grupo de estudos

João Luiz Lasmar Amaral, de 46 anos, é escrivão da Polícia Federal desde janeiro de 2006, no Rio de Janeiro. Ele conta que montou um grupo de estudos com 11 pessoas porque não gostava de estudar sozinho. Dos 12 integrantes, 10 passaram no último concurso da Polícia Federal, de 2004.


Amaral diz ter estudado durante oito meses. Ele conta que o grupo alternava teoria e exercícios e também fazia provas anteriores, mas não só de concursos da PF.

 

Depois, os integrantes do grupo comparavam as respostas entre si e em seguida com as do gabarito. As questões que não acertavam eram discutidas.
Amaral diz que, durante a semana, estudava disciplinas básicas sempre exigidas nos concursos da PF: direito penal, administrativo e constitucional, processo penal, português, raciocínio lógico, informática e atualidades.

 

As disciplinas específicas (economia, contabilidade e administração pública), ele afirma que estudava apenas fazendo simulados de um cursinho preparatório, aos domingos.


O escrivão da PF, formado em educação física, conta que estudava das 8h às 22h – um período era para aula no cursinho e o outro para estudar com o grupo.

 

Amaral diz que montava um cronograma de estudo semanal – o grupo estudava duas matérias por dia, mas nunca as mesmas das aulas do cursinho.


O escrivão se preparou também para a prova física durante o período de estudos. Ele diz que fazia atividades físicas meia hora por dia.

 

“Não pode deixar para se preparar depois da prova escrita. O treino também melhora a concentração e a disposição para o estudo”, recomenda.

 

Tranquilidade

Luiz Roberto Madeira, 46 anos, passou no concurso da PF em 2004 e foi convocado para o curso de formação em 2007. Ele morava no Rio de Janeiro. Após o curso de formação, escolheu mudar para Foz do Iguaçu (PR).

Formado em ciências contábeis, ele conta que estudou três anos, oito horas por dia, além do curso preparatório, para entrar no setor público.

Madeira conta que, no período, não concentrou os estudos em uma única área – ele tentava vários concursos. O objetivo era o concurso da Receita Federal, para o qual acabou não passando.

"Acho que um fator que me prejudicou bastante foi a cobrança que tinha comigo mesmo. Nos outros concursos, eu ficava arrasado e nesse [da Polícia Federal] fiz tranquilo, sem compromissos, e passei", conta.

Antecedência

Para Luis Gustavo Bezerra de Menezes, professor de direito administrativo da Academia do Concurso e presidente da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos, é preciso estudar com antecedência porque “milhares estão se preparando desde a última prova, em 2004”.

Para o professor, é essencial estudar antes do edital as disciplinas básicas. Já as específicas de contabilidade, economia e administração pública, que caíram no concurso anterior, não é certo que serão cobradas novamente.

A Polícia Federal já informou que os assuntos das provas do novo concurso não serão necessariamente os mesmos do exame anterior e que as provas para agente e escrivão serão distintas, ao contrário de 2004, quando foram as mesmas para ambos os cargos.

Apesar disso, Menezes considera que as provas de concursos anteriores são a principal fonte de estudo. O Cespe/UNB, que organizou o último concurso, por exemplo, explora posicionamentos jurídicos recentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça.

O professor alerta que não adianta estudar 12 horas por dia se não houver organização no método de estudo.

 

Prova física

De acordo com Menezes, a preparação física para a área policial é de extrema importância porque reprova.

 

“Começar a preparação física após o término da prova escrita não é uma boa ideia, até porque exercícios físicos ajudam no desempenho dos estudos. Se a preparação, incluindo a física, não for gradativa, o candidato pode não ser bem-sucedido”, alerta.

Fonte: G1

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 52

PF em Ação

Reforço

Todas as 600 vagas em concurso da PF serão para Amazônia Legal »

A Polícia Federal informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que as 600 vagas que serão preenchidas por meio de concurso público e que foram autorizadas pelo Ministério do Planejamento no dia 25 de junho serão para os estados que integram a Amazônia Legal: Amazonas, Acre, Amapá, Roraima, Rondônia, Maranhão, Pará, Mato Grosso e Tocantins.

A Polícia Federal espera lançar o edital até agosto para 400 vagas de escrivão e 200 de agente, cujo salário inicial é de R$ 7.514,33. Já o salário final é de R$ 11.879,08. Os cargos exigem nível superior em qualquer área. Os candidatos deverão ter ainda carteira de habilitação B.


De acordo com a assessoria, a banca que será responsável pelo concurso já começou a ser escolhida. O conteúdo das provas será diferente para cada cargo, ao contrário do que ocorreu no concurso anterior, em 2004, que era igual para ambos.  

De acordo com a assessoria de imprensa da PF, o órgão ainda aguarda autorização do governo para lançar concurso para outras 2 mil vagas - 500 vagas para delegado, 300 para perito criminal, 750 para agente, 400 para escrivão e 50 para papiloscopista.

 


Essas 600 vagas autorizadas se referem a cargos vagos, já previstos no orçamento, mas que não estão ocupados.

 


Apesar de exigirem o mesmo nível de escolaridade e terem os mesmos salários, os cargos de escrivão e agente têm atribuições distintas. O agente é responsável pela investigação, geralmente fazendo parte de operações na rua. Já o escrivão cuida da parte documental das investigações, lavra os termos e auxilia o delegado na parte cartorária das operações.

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 51

Sindical

Vitória

CCJ aprova projeto que reconhece papiloscopista como perito oficial »

O trabalho da Federação Nacional dos Policiais Federais em conjunto com a Associação Brasileira dos Papiloscopistas Policiais Federais resultou na aprovação do Projeto de Lei do Senado 244/2009 de autoria da senadora Ideli Salvati (PT-SC) que reconhece as atividades dos papilocopistas e equivalentes, que prestem serviço em órgãos públicos como atividades típicas da perícia oficial. A proposta aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da casa foi relatada pelo senador Jayme Campos (DEM-MT) e segue agora para a Câmara dos Deputados.


A partir da aprovação do PLS os papiloscopistas e demais servidores públicos com denominações equivalentes poderão passar a integrar a carreira de peritos oficiais. Os profissionais já exercem atividades nas áreas civil e criminal, de perícias papiloscópicas e necropapiloscópicas, em processos de identificação a partir de suas impressões digitais ou de reconstituições faciais, tanto de indivíduos vivos ou mortos.

HISTÓRICO - O projeto (PLS 244/09), da senadora Ideli Salvatti, foi apresentado à CCJ para viabilizar a aprovação de um projeto de lei da Câmara (PLC 204/08), que se destina a regulamentar as perícias oficiais. Essa proposta, já aprovada na CCJ e que está na pauta do Plenário, qualifica como peritos oficiais apenas os peritos criminais, os peritos médicos-legistas e os peritos odontologistas com formação superior específica detalhada em regulamento, de acordo com as necessidades do órgão que promova a admissão.

Na ocasião da votação do PLC 204, Ideli, relatora substituta, não acatou emenda do primeiro relator do texto, senador Jayme Campos (DEM-MT), para a inclusão dos papiloscopistas na lista de servidores reconhecidos como peritos oficiais. Apesar de considerar a medida justa, ela observou que a alteração iria fazer com que o texto voltasse à Câmara, atrasando sua aprovação depois de onze anos de tramitação. No entanto, ela se comprometeu a apresentar um projeto independente para que os papiloscopistas fossem reconhecidos como peritos oficiais.

A senadora Ideli Salvati, na justificação do projeto, salienta que as atividades dos papiloscopistas são indispensáveis para a segurança pública e a sociedade. “Tais funções precisam de urgente reconhecimento como atividade de perícia oficial quando exercidas por servidores públicos designados para elaborar formalmente representação facial humana ou lados papiloscópicos e necropapiloscópicos (em pessoas mortas) que se destinem a instruir processos cíveis e criminais”.

Na ausência de regulação das atividades como funções oficiais de perícia, alertou a senadora, pode haver margem para questionamentos judiciais de laudos que venham a instruir os processos. Como disse, isso envolveria até mesmo o risco de anulação de prisões e, ainda, o pagamento de indenizações, pela União, a pessoas condenadas com bases nas provas produzidas por meio das atividades dos papiloscopistas.

O diretor Parlamentar da Fenapef, Edison Tessele ressalta que a aprovação da proposta representa um avanço para os papiloscopistas. Tessele destaca também a importância do trabalho da senadora para que o texto fosse aprovado. "A senadora se comprometeu com os policiais e conseguiu em tempo recorde aprovar o PLS". Conforme Tesse, a Federação irá acompanhar a tramitação do texto na Câmara para naquela Casa ele tenha a mesma celeridade que teve no Senado.

Fonte: Agência Fenapef com Agência Senado

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 50

Nacional

02/07/2009

Seminário

As entranhas do inquérito policial no Brasil »
“A biografia sobre o inquérito policial no Brasil é tão pobre quanto o próprio inquérito”. A declaração é do presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, Marcos Wink, durante a abertura do Seminário "Reflexão sobre a investigação policial brasileira através do inquérito policial", fruto de uma pesquisa proposta pela Federação Nacional dos Policiais Federais - Fenapef, e coordenada pelo Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “As informações que temos a respeito do assunto são fruto das nossas experiências e, para aprofundar esse debate, é preciso que tenhamos dados estatísticos que formulem uma base de caráter científico. Por isso procuramos o trabalho de pesquisadores que nos levem realmente a dados científicos sobre o tema”, afirmou Wink.

Wink afirmou ainda que a Federação ainda não conhece os resultados definitivos da pesquisa, que será concluída no segundo semestre deste ano. “O que sabemos que é muitas das nossas impressões e críticas sobre o atual sistema de investigação, baseadas no nosso cotidiano, já começam a aparecer nesse trabalho de caráter acadêmico. E quero registrar aqui que, se a pesquisa mostrar alguma alternativa que indique o contrário, poderemos até reavaliar a nossa análise; mas acredito que dificilmente isso vai acontecer. A instauração de inquérito nas investigações policiais brasileiras é desnecessária para a eficiência e a qualidade do trabalho processual, além de ser um dos entraves para a rápida conclusão de processos”, disse.

Transmitido ao vivo pela página da Fenapef na internet, o Seminário reuniu os pesquisadores responsáveis pelo trabalho. Até o final da manhã, cerca de 3 mil internautas já acompanhavam a transmissão e participavam do chat.

A abertura do evento contou ainda com a apresentação do texto-base da I Conferência Nacional de Segurança Pública, que será realizada em Brasília, de 27 a 30 de agosto. “É uma satisfação muito grande contar com uma discussão como essa no debate sobre segurança que pretendemos com a realização da Conseg”, disse Luciane Patrício, que representou a coordenadora geral da Conseg, Regina De Luca Miki. O resultado do Seminário será sistematizado em uma publicação - Caderno Temático Reflexões sobre a Investigação Policial Brasileira - e servirá de subsídio para a realização da etapa nacional da 1ª  Conseg. (Veja aqui o texto-base)

Ainda pela manhã o Seminário contou com a conferência de abertura "O Inquérito Policial no Brasil: uma pesquisa empírica", ministrada pelo professor Michel Misse, do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana. Misse é o responsável pelo trabalho de pesquisa sobre o Inquérito no Brasil, cujo resultado final será divulgado ainda este ano com a publicação de um livro. Durante cerca de duas horas ele apresentou a metodologia utilizada na pesquisa, citou resultados preliminares que apontam os problemas do processo de investigação no Brasil e falou das dificuldades em conseguir dados para a pesquisa. “Um dos nossos principais desafios é ter acesso aos dados. É muito difícil e chego a acreditar que alguns deles realmente não existam”, disse. Segundo ele, são muitos os desafios do pesquisador brasileiro quando pretende analisar dados dessa natureza, pois as informações produzidas ainda são dispersas. Além da dificuldade de acesso, outro problema é a inexistência de um sistema de indicadores da justiça criminal, com um modelo de dados comum, que integre as polícias, o ministério público, o judiciário e o sistema penitenciário.

Misse explicou que o trabalho reuniu realidades de diferentes estados brasileiros, com diferentes taxas de elucidação, mas em todas é perceptível a diferença entre o alto número de inquéritos instaurados e o baixo índice de oferecimento de denúncias. Durante a programação do evento, pesquisadores do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Distrito Federal e Rio de Janeiro vão apresentar os dados da pesquisa nas cinco capitais. “Não apresentamos aqui nem a manutenção nem o fim do inquérito. Estamos apenas trazendo informações e esperamos que esse debate saia da esfera dos conflitos e leve essa discussão para um patamar que consiga promover a justiça que a sociedade brasileira realmente espera”, afirmou Misse.

Em todos os estados foram feitas entrevistas e acompanhado o trajeto – do registro do boletim de ocorrência até a decisão definitiva no judiciário - para avaliar o desempenho de investigadores, delegados de polícia, promotores e, na etapa final, a sentença do juízo singular e sua confirmação por instâncias superiores. “Fomos pesquisar como é o cotidiano desses operadores de polícia e verificar como as coisas acontecem”, explica o pesquisador.  

Logo depois da Conferência, o debate. E a manhã foi pequena para a discussão. Dezenas de perguntas de quem estava no evento e dos internautas que acompanharam internet promoveram a discussão sobre a rotina da investigação brasileira. Entre as questões mais debatidas, a falta de acesso às informações e a precariedade do sistema de investigação policial no Brasil.   

Com base nas informações preliminares do pesquisador, os participantes puderam constatar que, de acordo com a pesquisa, a obrigatoriedade da utilização do inquérito policial gera burocracia, contradições entre opiniões policiais e jurídicas, interferências políticas, baixa taxa de esclarecimentos criminais e um “pingue-pongue” de documentos entre a polícia e o Ministério Público. Para Misse, uma das questões mais significativas é o desinteresse do Ministério Público em relação ao inquérito. “Isso engessa todo o processo burocrático de investigação. O principal bloqueio está na passagem do inquérito da polícia ao Ministério Público”, disse.

Entre participantes e pesquisadores, o debate pautou de que forma a redução das taxas de esclarecimentos criminais - segundo a pesquisa uma consequência da instauração do inquérito - gera a impunidade e o sentimento de insegurança na sociedade.

O Seminário continua nesta quinta0feira, 2, quando serão apresentadas as experiências da Espanha, França e Argentina, que estão alterando gradativamente seus sistemas de investigação.

Fonte: Agência Fenapef

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 49

Nacional

01/07/2009

Ministério Público

Lobby para reajustar salários »

Assim que tomar posse no cargo de procurador-geral da República, Roberto Gurgel vai receber da categoria uma lista de reivindicações. Uma das principais é a campanha por reajuste salarial. Tramita no Congresso Nacional um projeto de lei para aumentar os vencimentos dos integrantes do Ministério Público da União (MPU), que passará a ser chefiado por Gurgel. A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) é a principal defensora da aprovação da matéria, atualmente na Câmara dos Deputados. Presidente da entidade, Antonio Carlos Bigonha reclama da falta de aumento — situação que, ressalta, se repete no Judiciário. E não vai perder tempo.



“A magistratura e o Ministério Público têm em tramitação no Congresso projetos de recomposição dos subsídios, que ainda não foram à votação por falta de consenso entre os líderes”, diz Bigonha. “Contamos com o apoio do Roberto Gurgel para sensibilizar o parlamento”, completa. As propostas que preveem reajustes no MP e no Judiciário estão no Congresso desde 2006.



O empenho não é consenso no meio. Há quem diga que esse não seria o momento ideal para falar em reajuste salarial. “Não é uma discussão oportuna, há coisas mais importantes para resolver”, reclama um integrante da cúpula do Ministério Público Federal (MPF), um dos ramos do MPU.



Faz parte do rol de pedidos que serão postos na mesa do novo procurador-geral uma velha proposta — a de dar ao MP poder de investigação(1) . O assunto está em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF). A bandeira já havia sido erguida pelo antecessor de Gurgel, Antonio Fernando de Souza, que acaba de se despedir do cargo. “Queremos que ele conclua esse trabalho”, declara Bigonha. A categoria também quer continuar brigando contra o projeto de lei do deputado Paulo Maluf (PP-SP), que pune autores de ações civis públicas, populares e de improbidade administrativa quando o juiz entender que houve má fé, perseguição política ou intenção de perseguir alguém. O texto, pronto para ser votado na Câmara, ficou conhecido como Lei da Mordaça. E despertou a ira de setores do MP.



Grampos
Após a confirmação da escolha de seu nome para o cargo, na segunda-feira, Gurgel ainda terá que passar pelo crivo do Senado. A sabatina ainda não foi marcada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva seguiu a tradição, criada por ele mesmo, e escolheu o primeiro nome da lista tríplice da ANPR. Assim que soube da derrota, o subprocurador-geral da República Wagner Gonçalves, que ficou em segundo lugar, encaminhou aos integrantes do MPF uma mensagem parabenizando o rival na disputa. Ele chegou a ser cotado para o posto (leia memória).



Enquanto isso, a procuradora-geral interina, Deborah Duprat, já entrou em campo. Ontem, no segundo dia à frente da chefia do MP, ela protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação contra a resolução do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que regulamenta os pedidos e o uso de grampos telefônicos. A medida foi aprovada em abril. Para Deborah Duprat, o CNMP, órgão responsável pelo controle externo do Ministério Público, foi além de suas atribuições.



PRERROGATIVA DE APURAR
A discussão sobre o poder de investigação do Ministério Público está no Supremo. O tema é debatido em recurso do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, suspeito de ser o mandante do assassinato do ex-prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, em 2002. Ele pediu habeas corpus alegando que a investigação foi feita pelo MP e não pela polícia. Defensores da tese afirmam que a Constituição não diz expressamente que o órgão tem a prerrogativa. Do outro lado, os argumentos são que, se o MP pode coordenar a atuação policial, também pode investigar.



O número

R$ 2,1 bilhões
é o orçamento do MPF previsto para 2009



Memória
Seguindo a tradição


Demorou, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva bateu o martelo na última segunda-feira e finalmente escolheu Roberto Gurgel para assumir o cargo de procurador-geral da República pelos próximos dois anos. Gurgel, vice-procurador-geral na gestão de Antonio Fernando de Souza, foi o mais votado na lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). Com isso, Lula seguiu uma tradição iniciada por ele mesmo: a de prestigiar o primeiro da lista. Foi assim com Cláudio Fonteles, que ocupou o posto entre 2003 e 2005, e com Antonio Fernando, na primeira vez em que assumiu a chefia do Ministério Público da União (MPU) e do Ministério Público Federal (MPF), em 2005, e dois anos depois, quando foi reconduzido ao cargo.



A demora na definição do novo procurador-geral levou a especulações de que Lula poderia nomear o segundo colocado, o subprocurador-geral Wagner Gonçalves. Nomes ligados ao Palácio do Planalto, como o ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, teriam saído em sua defesa. Mas, no fim das contas, Lula acabou optando por Gurgel. “Foi uma questão conjuntural”, disse o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, na última segunda-feira, indagado sobre os 30 dias transcorridos desde a entrega da lista da ANPR e a indicação. De acordo com Toffoli, o problema foi de agenda.

 

Fonte: Correio Braziliense


ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 48

Nacional

01/07/2009

Crise

Senado retalha Ministério Público »

Foto: Alan Madrilis / CNMP
O procurador Nicolau Dino e o promotor Diaulas Costa Ribeiro

Em meio à crise política, senadores aproveitaram a sessão de ontem para dar o troco no Ministério Público por supostos excessos cometidos em investigações contra políticos. Os senadores rejeitaram a recondução de dois integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para mais dois anos de mandato. O procurador Nicolau Dino e o promotor Diaulas Costa Ribeiro foram aprovados em sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mês passado, mas derrubados ontem pelo plenário.

"Presidente, pare esta sessão!", reagiu o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que já integrou o Ministério Público. "O que há contra o senhor Diaulas? O que há contra o senhor Nicolau Dino? O Ministério Público vai pagar o pato pela crise do Senado?"

Líderes partidários, a começar por Aloizio Mercadante (PT-SP), tentaram anular as votações. Argumentaram que nenhum senador havia se pronunciado publicamente contra os candidatos. A indicação de Diaulas foi então submetida à nova votação e mais uma vez os senadores o rejeitaram.

"Quero lamentar, porque, sem ter muito conhecimento do Diaulas, tenho informações de pessoas que merecem muito, como o governador José Roberto Arruda, que me prestaram o melhor depoimento sobre o comportamento desse cidadão, que, infelizmente e à nossa revelia, foi rejeitado", disse o líder do DEM, José Agripino (RN).

Houve requerimento para que a indicação de Dino também fosse submetida a uma nova análise, mas, diante da previsão de nova derrubada, o assunto ficou para outra sessão.

O resultado da sessão levou o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), a propor uma reunião de líderes para hoje. "Vivemos um momento delicado e eu sugiro uma reunião com os líderes partidários amanhã, antes de qualquer votação."

PROCURADOR-GERAL


Por causa do cenário de crise no Senado, Roberto Gurgel, indicado na segunda-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo de procurador-geral da República, pediu a Demóstenes, presidente da CCJ, que fosse sabatinado na próxima semana. Teme ser atingido pela crise política.

O Ministério Público hoje está sob o comando interino da subprocuradora Deborah Duprat. Quando mais rápida a sabatina e a votação em plenário, melhor seria para Gurgel. Por prudência, preferiu esperar.

Diaulas já havia se deparado com a ameaça de ser rejeitado na CCJ. Na votação, teve o apoio de 10 integrantes contra 6 votos contrários e 2 abstenções. O número sugeriu que os senadores passaram a ver com desconfiança a vontade do conselho em coibir os eventuais excessos do Ministério Público.

Em correspondência a outros procuradores, na véspera, Diaulas afirmava que o Ministério Público poderia sofrer retaliação. "Há abusos no Ministério Público. Abusos que muitas vezes se confundem com a independência funcional e por isso não têm sido punidos. Tenho a independência funcional como um manto sagrado da carreira. Mas, sob ele, não há espaço para os abusos que temos, muitas vezes, cometido", escreveu ele, em e-mail. "Sei que o Ministério Público está repleto de homens e mulheres corajosos. Mas os corajosos, muitas vezes, são também imprudentes."

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios terá de indicar um novo pretendente para a vaga. O candidato terá de ser sabatinado pela CCJ e depois aprovado pelo plenário. Dino tem mais uma chance pela frente de ser reconduzido. Se a recusa for confirmada, o Ministério Público Federal também terá de escolher outro nome.

Os membros do conselho só voltam a se reunir em agosto.

Fonte: Estado de S. Paulo

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 47

Nacional

01/07/2009

Identidade

Brasil poderá ter documento único de identidade »

Depois de longas discussões internas sobre privacidade e segurança, está praticamente pronto na Casa Civil projeto que prevê a criação da nova carteira de identidade baseada num número de âmbito nacional, e não mais estadual, como acontece hoje. Pela proposta, a atual carteira será substituída por um cartão magnético com chip em que poderão constar outros documentos como habilitação de motorista, título de eleitor, CPF, dados do INSS e, se o titular quiser, dados bancários. Com apenas um cartão, o titular do documento pode passar por uma blitz policial, votar e até fazer saques em contas bancárias.




- Até cartão de torcedor pode ser incluído no chip. O projeto está na Casa Civil quase pronto para ser enviado ao Congresso - disse um delegado da cúpula da Polícia Federal.



A implementação do projeto está orçada em US$800 milhões. Os recursos são necessários principalmente para a instalação da rede de informações e a compra das máquinas de leitura dos cartões. As máquinas deverão ser distribuídas pelos órgãos de segurança em todo o país. Pela proposta do governo, caberá à PF fornecer aos institutos de identificação estaduais os números das futuras identidades. Com base nesses números, as polícias estaduais continuarão com o poder de emitir os futuros cartões.



Hoje, é possível tirar 27 carteiras de identidade



Com a vinculação do número das identidades a um banco de dados nacional, controlado pela PF, o governo entende que acabará com a farra das carteiras de identificação. Hoje, sem fiscalização centralizada, qualquer pessoa pode tirar até 27 carteiras de identidade, uma em cada unidade da federação.



Segundo a polícia, isso é possível porque não há interligação entre os institutos de identificação. Com as brechas, muitos criminosos, principalmente estelionatários, costumam usar várias identidades diferentes.



A proposta de criação de uma identidade única - um documento com diversas informações sobre uma mesma pessoa - surgiu com um projeto do senador Pedro Simon (PMDB-RS). O projeto foi aprovado e transformado em lei em 1997, mas não saiu do papel. A alegação era a de que faltavam os meios técnicos para a criação do documento único. Agora, o governo, com a Polícia Federal, tem a proposta técnica. Só falta a lei para regulamentar a estrutura. A elaboração da proposta na Casa Civil foi precedida de ampla discussão dentro do governo.



- Alguns setores achavam que o cartão poderia interferir na privacidade dos cidadãos. Mas mostramos que não. A polícia continuará tendo acesso apenas as informações que já tem hoje - disse um delegado.



Numa outra frente de modernização interna, o diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa, e o diretor do Instituto Nacional de Identificação, Marcos Elias Cláudio de Araújo, lançaram ontem o "Horus", um novo programa de elaboração de retratos falados. Pelo programa, a polícia terá condições de fazer esses retratos de criminosos com precisão e rapidez, em tela de computador.



O software desenvolvido por peritos da PF tem como base um banco de dados com seis mil peças. São traços de rostos, olhos, narizes e bocas centrados nos tipos humanos comuns no país. O programa permite projetar o envelhecimento por até 15 anos de uma pessoa, a partir de uma foto.

 

Fonte: O Globo

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 46

Nacional

13/06/2009

Calote oficial »

Governos manobram para mudar a Constituição e não pagar precatórios aos contribuintes

PASSADO Dívidas podem levar até 100 anos para serem pagas

A viúva Duzolina Martins orgulha- se de nunca ter deixado de pagar nem uma conta sequer. Em agosto ela vai fazer 80 anos e há pelo menos 16 espera que o governo do Estado de São Paulo faça o mesmo e quite a dívida em precatório alimentar que tem com ela. Precatórios são créditos decorrentes de sentenças judiciais. São classificados em alimentares, quando relacionados a salários e pensões, e não alimentares, quando de outra natureza, como desapropriações, por exemplo. "Veio o [Franco] Montoro, veio o [Mário] Covas e nada de eu receber. Quando veio o [José] Serra eu pensei que ia resolver, porque nele eu confio, mas até agora nada", lamenta listando os governadores de São Paulo. Dona-de-casa, Duzolina entrou com uma ação em 1993 para receber a pensão do marido morto em 1985 e ganhou. "Confiei que ia receber o dinheiro e pensei que fosse logo." Com pensão de R$ 1 mil mensais, diz que a quantia lhe faz falta. "Meu apartamento está caindo aos pedaços, tem que pagar condomínio e comprar remédios, chega no fim do mês eu não tenho."

R$ 100 bilhões é a dívida total
Da União, dos Estados e dos municípios em precatórios alimentares e não alimentares

Dona Duzolina não viu nem leu nos jornais, mas o governador José Serra disse, no começo do mês, que casos como o dela não existem. Irritado com o rebaixamento do Estado e do município de São Paulo pela agência de classificação de risco Austin Ratings por conta da dívida de precatórios, Serra afirmou que nesse mercado tem muita especulação. "O pessoal acha que envolve a viúva que deixou de receber, isso é folclore", afirmou ele, querendo dizer que esses títulos foram vendidos e hoje estão na mão de grandes empresas. Advogado de três entidades de servidores públicos, Nelson Lacerda rebate: "São tantas viuvinhas que quando chega o inverno a gente fica pensando em quantas vão morrer sem nunca receber o dinheiro." Ele calcula existirem, só em São Paulo, cerca de 130 mil pensionistas nesta situação. "Dizer que não existem é crueldade e cinismo." Ele explica que a maioria dos precatórios que estão na mão de investidores é de não alimentares. Lacerda ainda questiona o fato de haver uma grande diferença no montante pago para cada tipo.

"Confiei que ia receber o dinheiro e pensei que fosse logo"
Duzolina Martins, dona-de-casa

"O não alimentar que está na mão dos fundos de investimento, construtoras e empreiteiras é pago em dia, porque existem interesses ocultos. No da viúva é que dão o calote", afirma o advogado. "Viúva não dá dinheiro nem paga comissão", acusa. Em 2007, o governo de São Paulo pagou R$ 1,3 bilhão em precatórios não alimentares e apenas R$ 108 milhões em alimentares.

Como dizem não ter dinheiro para quitar os débitos, governadores, como Serra, e prefeitos do Brasil inteiro estão empenhados na aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) Número 12, que muda o sistema de pagamento de precatórios. Ao todo, a União, os Estados e os municípios devem R$ 100 bilhões aos brasileiros. O maior devedor é o Estado de São Paulo, com uma dívida de R$ 16,4 bilhões. A emenda foi aprovada pelo Senado em abril, e agora segue para votação na Câmara dos Deputados, com o número 351. Entre outros aspectos, a PEC cria um "leilão" de pagamento de precatórios. Recebem primeiro os credores que aceitarem um deságio maior. Essa discussão tem colocado integrantes do Executivo e do meio jurídico em pé de guerra. Na opinião do ministro Marco Aurélio Mello, do STF, a decisão judicial sobre os precatórios passa a ser "lírica". "Tenho votos desde a década de 90 apontando que isso é uma vergonha para o Estado. É adotar a máxima "devo, não nego, pagarei quando puder", valendo-se de um poder de império", critica Mello. "Agora colocam-se os credores, há muito tempo sem fôlego financeiro, na bacia das almas. O que quebra o princípio constitucional da antiguidade." O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, também é crítico feroz da emenda.

Em maio, a OAB reuniu dois mil advogados e estudantes numa passeata em Brasília, contra o que batizou de "PEC do Calote". "É a maior agressão ao Estado Democrático de Direito nos últimos anos, nem a ditadura ousou tanto, pois estabelece o calote da dívida judicial", diz Britto. "Em plena era da responsabilidade fiscal, vamos criar irresponsabilidade estatal." Entre os principais absurdos da emenda, diz Britto, está justamente o leilão, que forçará a redução dos débitos em função da fome do cidadão, e não da decisão judicial. Ao acabar com a ordem cronológica dos pagamentos, União, Estados e Municípios vão facilitar a corrupção, afirma Britto. Para ele, outro problema é que as decisões judiciais só serão cumpridas dentro dos novos limites de 2% do orçamento dos Estados e 0,6% do orçamento dos municípios, estabelecidos pela PEC. Além da OAB, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também querem alterar a emenda na Câmara. O objetivo é derrubar a proposta de leilão público.

Os empresários querem também que o precatório seja transformado em carta de crédito. Este título seria utilizado na compra de imóveis e equipamentos ou aplicado num fundo de investimento em infraestrutura. A carta de crédito teria o mesmo valor do precatório.

As ideias apresentadas pelos empresários e pela OAB já surtem efeito. Na terça-feira 9, o relator da emenda na Comissão de Comissão e Justiça da Câmara (CCJ), deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que estava nos Estados Unidos, disse à ISTOÉ que vai alterar a emenda aprovada no Senado. "Quero restabelecer a ordem cronológica e rever a correção do débito. O ponto principal é estabelecer um regime especial para pagar os atrasados. Não pode é mudar a forma de pagar", diz Cunha. "Não posso chegar ao cara que é o primeiro da fila e dizer que será o último, isso é uma violência, é um calote." O deputado explica que, na CCJ, ele tem de restringir as mudanças ao aspecto constitucional. Mas Cunha acredita que a emenda vai sofrer ainda muitas alterações de conteú do, assim que for enviada para a Comissão Especial da Câmara.

A emenda ganhou forma em 2005, quando o então presidente do Supremo Tribunal Federal e atual ministro da Defesa, Nelson Jobim, promoveu debates sobre o problema dos precatórios. Em 2006, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) recebeu as propostas e apresentou uma PEC.

"O Jobim não era senador, por isso ele pegou o Renan e o convenceu", diz o presidente da Comissão de Precatórios da OAB paulista, Flávio Brando. Ele diz que Estados e municípios subestimam os valores de dívidas com precatórios e não fazem reservas e provisões para pagamento de condenações. Para a OAB, é preocupante que a emenda não solucione o problema do atraso no pagamento. Se for seguido o ritmo atual, alguns credores só receberiam seu dinheiro em mais de 100 anos, se vivos estivessem. Segundo a OAB, mais de 60 mil credores já morreram no Brasil sem receber seus precatórios.

 

Fonte: Isto É

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 45

Nacional

12/06/2009

Viva a Súmula 11

Réu sem algemas tenta agredir juiz em julgamento »

Um julgamento que seria feito na terça-feira (9/6), na 1ª Vara Criminal de Campos dos Goytacazes (RJ), quase acabou em agressão. O réu Fábio Roberto Martiniano, que estava sendo julgado por homicídio, tentou atacar o juiz Leonardo Grandmasson Ferreira Chaves com o microfone. Foram necessários cinco policiais para contê-lo. Martiniano estava sem algemas com base na Súmula 11, do Supremo Tribunal Federal. A súmula não proíbe o uso de algemas. Apenas prevê que elas somente serão usadas quando o acusado oferecer risco.

O juiz conta que o réu já chegou alterado ao Fórum e que os policiais responsáveis por sua custódia avisaram que seria melhor que ele fosse mantido algemado para evitar incidentes no julgamento. Diante da informação, o juiz conversou com a Defensoria Pública e disse que, se o réu causasse problemas, iria mantê-lo algemado, lavrando-se a informação em ata.  

As defensoras públicas alegaram que Martiniano estava mais calmo e que só estava nervoso pelo julgamento no Tribunal do Júri. "Em razão disso, procurei o réu e disse que iria deixá-lo solto, ressaltando que eventual problema que causasse poderia ensejar o uso das algemas e que isso só iria prejudicar a ele próprio, ocasião em que o réu me assegurou que permaneceria quieto em Plenário e que não causaria problemas", conta o juiz Leonardo Grandmasson. 

No início do julgamento, o réu já causou um embaraço, recusando-se a assinar o termo de depoimento dos policiais por não concordar com a versão deles. As oficiais de Justiça explicaram que a assinatura traduzia apenas a presença dele e que não significava aquiescência com o conteúdo. Martiniano começou a responder rispidamente ao juiz, que o advertiu diversas vezes, dizendo que se continuasse com aquela postura não poderia continuar. Ele disse que então não responderia a nenhuma outra pergunta. 

O juiz estava transcrevendo para a ata os fatos de que Martiniano já tinha narrado quando percebeu que ele estava ficando alterado. O juiz ordenou que os policiais o algemassem. "Desta forma, no momento em que dei a ordem para que o réu fosse algemado, ele se levantou com o microfone na mão e partiu em minha direção como um louco, desferindo um golpe contra a minha pessoa, vindo a atingir a mesa por mim ocupada, quebrando o copo d'água e derrubando tudo, momento em que foi contido com muita dificuldade por nada menos do que cinco policiais", narrou o juiz.  

Leonardo Grandmasson deu voz de prisão em flagrante ao réu por tentativa de lesão corporal e por dissolver o Conselho de Sentença, encerrando o julgamento. Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-RJ.

Fonte: Conjur

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 44

Nacional

09/06/2009


A PF que ningém vê

Pacaraima, o descaso mora aqui »



Localizado a 215 quilômetros de Boa Vista no norte do Estado de Roraima, o município de Pacaraima possui pouco mais de 7 mil habitantes. Com uma infraestrutura precária e localizada na fronteira do Brasil com a Venezuela a cidade é porta de entrada para o contrabando de combustível, drogas e armas. Para combater esse tipo de crime, o DPF transformou o posto da PF em Delegacia e designou para lá 21 policiais federais. Mas o que a primeira vista seria uma iniciativa louvável de perto se mostra desastrosa.


Em 7 de julho de 2008 a Agência Brasil divulgava que a Polícia Federal se preparava para reforçar a sua capacidade operacional na Amazônia, com o objetivo de combater a passagem de armas e drogas na fronteira brasileira. Segundo a Agência, o diretor-geral da PF, o delegado Luiz Fernando Corrêa afirmou que todas as turmas formadas na Academia de Polícia prioritariamente seriam destinadas para a Amazônia e fronteira.

E nisso o diretor tem razão. Pelo menos em Pacaraima são 21 policiais novos jogados a própria sorte, sem infraestrutura, sem colete a prova de bala, sem armamento pesado de qualidade, com uma única viatura para trabalhar na fronteira e com uma enorme falta de perspectiva.

Esses policiais, muitos oriundos do sul e sudeste, não têm como morar no município. As casas que seriam destinadas a eles são em número insuficiente. Das quadro residências uma é usada pelos servidores administrativos, a  outra fica exclusivamente para o delegado que deverá assumir o posto e outras duas ficariam para o restante da equipe.

A solução encontrada pelos federais é viajar os 430 quilômetros de ida e volta entre Pacaraima e Boa Vista. Pelo menos na Capital do Estado as condições são melhores para os policiais e suas famílias.

PLANEJAMENTO – Se tem uma coisa que não existe na BV8 (marco Brasil-Venezuela) é planejamento. As operações, ações e o trabalho diário só acontecem em razão da força de vontade dos policiais que lá estão lotados. Fora isso não há nada.


Pode parecer inacreditável, mas em Pacaraima não há um único policial mais experiente que poderia contribuir com os mais novos. Mais. Os novos federais foram deixados na Fronteira sem que NINGUÉM os orientasse a respeito do trabalho a ser realizado e a forma como isso deveria acontecer. Nenhuma palavra foi dita.

Além de sofrer com a inexistência de planejamento, os policiais padecem com a falta de estrutura que, em alguns casos, chega às raias do absurdo. Um exemplo é o “depósito” onde são guardados os produtos das apreensões feitas pela PF. O principal crime praticado na região é o contrabando de gasolina. Os galões apreendidos são colocados em um local fechado rodeados por uma quantidade enorme de palha ao lado da sala onde ficam os policiais e o público. Uma verdadeira bomba.

Uma visita rápida do Ministério Público do Trabalho certamente acabaria em interdição da delegacia.

Mas o risco diário não para por aí. Como têm que atuar na fiscalização e repressão ao contrabando, os federais na maior parte do tempo estão na rodovia abordando veículos e pessoas. Só que não existem coletes para realizar o trabalho. Os coletes da Superintendência da PF em Boa Vista não podem ser cedidos e o DPF, até o momento, não sinalizou se irá comprar o material.

Na hora de entrar na “delegacia” o problema continua. O mobiliário é constituído por 3 sofás, não há mesas. A internet, por sua vez, só funciona de madrugada.

A situação dos policiais lotados na fronteira do Brasil com a Venezuela é crítica. Vinte e um federais com seis meses de Casa, sem assistência, sem reconhecimento e lotados em uma delegacia que na prática não existe. A Federação Nacional dos Policiais Federais esteve no município e encontrou servidores dispostos a trabalhar na fronteira, mas que infelizmente estão abandonados.

Nem mesmo as boas intenções do diretor-geral são capazes de sair do discurso e se transformarem em realidade em Pacaraima ou nas delegacias e postos mais distantes revelando uma total falta de respeito os servidores do DPF. Servidores dispostos a trabalhar na Fronteira, mas que infelizmente estão abandonados.

O diretor de Relações do Trabalho da Fenapef, Francisco Carlos Sabino, esteve na Delegacia e critica atuação do diretor-geral que frisa que a Amazônia é prioridade, mas esquece os policiais. “Segundo o artigo V parágrafo II da Constituição ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. Parece que a lei não vale para o DPF. O que importa são as normas internas”.

Sabino ressalta o diretor-geral e seu gabinete itinerante precisam dialogar com os policiais que estão na ponta, executando as operações. “Conversas com aqueles que só esticam o tapete vermelho, dão tapinhas nas costas e servem cafezinho é pura perda de tempo”.

 

 Pacaraima  delegacia
 Fonteira Venezuela...  ...Brasil
 Palha e gasolina  Mistura explosiva
 Operação Mobiliário

Fonte: Agência Fenapef

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 43

Nacional

30/05/2009

ISTOÉ

ISTOÉ obtém dossiê que reforça suspeita de privatização da PF »

ISTOÉ obtém dossiê da Itália que reforça suspeita de privatização da PF levantada pelo juiz Ali Mazloum contra o delegado Protógenes

Por: Leonardo Attuch e Mário Simas Filho





DE CAÇADADOR A CAÇA Protógenes responderá por fraude processual e vazamento

 

Depois de meses de investigações sobre a atuação do delegado Protógenes Queiroz no comando da Operação Satiagraha, na noite da segunda-feira 25, o juiz Ali Mazloum, da 7a Vara Criminal de São Paulo, resolveu colocar o delegado no mesmo banco dos réus que será ocupado pelo banqueiro Daniel Dantas, alvo principal da Satiagraha. Protógenes será julgado por fraude processual e por vazar à imprensa dados sigilosos da operação. Ficou confirmado, por exemplo, que a filmagem do almoço no qual emissários de Dantas teriam oferecido suborno de US$ 1 milhão à equipe do delegado não foi feita por técnicos da Polícia Federal, mas por profissionais da Rede Globo.

 

"É inadimissível que grupos econômicos possam permear atividades do Estado"

Ali Mazloum, juiz federal

A Satiagraha é certamente a mais polêmica operação da Polícia Federal dos últimos sete anos. Já é público que, em seus trabalhos, Protógenes usou irregularmente mais de 90 agentes da Abin, monitorou ilegalmente políticos, advogados, jornalistas e autoridades dos tribunais superiores e promoveu inúmeras interceptações telefônicas sem autorização judicial. Agora, a sentença redigida em 29 páginas pelo juiz Mazloum indica que outros crimes podem ter ocorrido durante a operação. No parágrafo número 53, o juiz afirma que, na fase de preparação da Satiagraha, Protógenes fez mais de 50 ligações para duas empresas: a PHA Comunicação e Serviços, do jornalista Paulo Henrique Amorim, e a Nexxy Capital, do empresário Luís Roberto Demarco. "Esse inusitado fato deverá ser exaustivamente investigado, com rigor e celeridade, para apurar eventual relação de ligações com a investigação policial em questão, vez que inadmissível e impensável que grupos econômicos, de um lado ou de outro, possam permear atividades do Estado", escreveu Mazloum. Em outras palavras, o juiz pede a abertura de um novo inquérito para apurar se a Operação Satiagraha foi conduzida de maneira a atender a interesses privados. Uma espécie de privatização da Polícia Federal.

 

Na sentença, Mazloum traz à cena principal da Satiagraha um personagem que vem se movimentando intensamente nos bastidores das ações da Polícia Federal. Tratase de Luís Roberto Demarco, exfuncionário de Dantas, envolvido em várias guerras comerciais com o banqueiro nos últimos dez anos. Este mesmo personagem é também um dos protagonistas de uma investigação conduzida pela Procuradoria de Milão, na Itália. Na última semana, ISTOÉ obteve cópia dos documentos que integram o processo que tramita na Itália. Os papéis comprovam que Demarco já vinha articulando ações da Polícia Federal brasileira desde 2004 - o que reforça as suspeitas do juiz Mazloum.

 

NOVO INQUÉRITO Mazloum pediu investigação para apurar as ligações entre Protógenes e empresários, como Luís Demarco (à esq.)

Em dezembro daquele ano, por exemplo, Demarco encaminhou um e-mail ao delegado Élzio Vicente da Silva, que era responsável pela Operação Chacal, precursora da Satiagraha, sugerindo que Dantas fosse indiciado por crimes como formação de quadrilha e até tentativa de sequestro, a partir de notas publicadas no site de um jornalista conhecido como Ucho Haddad. Três meses depois, Demarco pediu ao jornalista, em outro e-mail, que passasse a divulgar um placar informando o número de dias em que Dantas estava fora do País. Isso, segundo o que registra o e-mail, faria com que a PF brasileira antecipasse um pedido de prisão preventiva do banqueiro. Seis dias depois, em 28 de março de 2005, o delegado Élzio, de fato, pediu a prisão preventiva de Dantas.

 

Outra evidência que reforça o papel de Demarco como articulador das ações da Polícia Federal brasileira contra Dantas está no depoimento prestado, sob os benefícios da delação premiada, por Marco Bernardini. Ele disse aos procuradores italianos que Demarco era o responsável pela aproximação da Telecom Italia, adversária de Dantas na guerra da telefonia, com a Polícia Federal e autoridades do governo brasileiro. Demarco, no entanto, sempre se colocou como um personagem que agia movido por idealismo - a tal ponto que foi aceito pelo Ministério Público Federal como "assistente de acusação" nos processos contra Dantas. Os documentos de Milão revelam, porém, que Demarco era remunerado pela Telecom Italia para articular as ações da Polícia Federal brasileira contra seu expatrão. Para isso, ele fechou um contrato de US$ 500 mil.

 

"Não falei com o delegado . Podem ter feito alguma confusão"

 

Luís Demarco, ex-Opportunity

 

 

 

Os e-mails apreendidos pela Procuradoria de Milão revelam que nem tudo o

 

que foi combinado foi pago. Os documentos mostram que em 2005 Demarco passou a cobrar insistentemente uma dívida de US$ 250 mil. Neste processo de cobrança, outros fatos vêm à luz. Demarco diz estar sendo tratado como "clandestino" e de forma pior do que "corruptos" como Mauro Marcelo, ex-diretor-geral da Abin - ou seja, o documento insinua que, a exemplo do que ocorreu na Satiagraha, a Abin teria participado da Operação Chacal. E num grampo telefônico, que também faz parte do processo de Milão, dois executivos da TIM, Paolo Dalpino e Angelo Jannone mostram-se arrependidos com o fato de terem contratado Demarco. Dalpino o chama de "patife" e Jannone afirma que Demarco era a pessoa que fazia grampos ilegais para a Telecom Italia.



 


 

 

DANTAS E NAHAS 0s dois foram presos na Satiagraha e respondem a vários inquéritos da PF

 

Por que a Telecom Italia teria atrasado os pagamentos de uma pessoa tão polêmica quanto Demarco? Neste ponto, entra na história um outro personagem também do elenco da Satiagraha: o investidor libanês Naji Nahas. Foi ele quem costurou um acordo com Dantas para encerrar as disputas com a Telecom Italia, que formaram o pano de fundo da Operação Chacal.

 

A documentação levantada pela Procuradoria de Milão mostra que, para pacificar a disputa entre Dantas e os italianos, Nahas chegou a assinar dez contratos de consultoria com a Telecom Italia. O maior deles chegava a 25 milhões de euros. "Era um contrato de risco, e não cheguei a receber tudo", disse Nahas à ISTOÉ. O investidor, no entanto, ganhou Demarco como inimigo. Num dos e-mails, dirigido ao chefe da segurança da Telecom Italia, Demarco fala da necessidade de "neutralizar" Nahas. Anos depois, coincidência ou não, Nahas também foi preso ao lado de Dantas, na Operação Satiagraha, pelo delegado Protógenes Queiroz.

 

O mesmo que, segundo o juiz Maz loum, teria feito várias ligações para Demarco.

 

A guerra comercial entre o Opportunity e a Telecom Italia foi danosa para os dois lados. Ad versárias no início e depois aliadas, as duas empresas perderam o controle da Brasil Telecom, que acabou sendo vendida para a Oi. Em decorrência dessa disputa, Dantas perdeu credibilidade no meio empresarial e foi condenado a dez anos de prisão. Ainda que a sentença de Mazloum lance suspeitas sobre os métodos da Satiagraha, Dantas terá de responder a outras acusações levantadas pelo delegado Ricardo Saadi, que sucedeu Protógenes Queiroz nas investigações, relacionadas a crimes fiscais e evasão de divisas.

 

OLHO NA CÂMARA Delegado quer ser deputado por São Paulo

O FUTURO DE PROTÓGENES


Afastado de suas funções na Polícia Federal e réu sob a acusação de fraude processual e vazamento de informações colhidas de forma irregular pela Operação Satiagraha, o delegado Protógenes Queiroz já tem preparado o roteiro para tentar buscar um mandato parlamentar. Depois de percorrer diversos Estados, acompanhado por representantes do PSOL, tentando construir a imagem do chefe de uma cruzada contra a corrupção, o delegado decidiu trocar o domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para São Paulo. "Várias pesquisas mostram que posso obter mais de um milhão de votos em São Paulo", afirmou Protógenes à ISTOÉ na quinta-feira 28.

 

"Há um movimento cívico em torno de meu nome", completou. As pesquisas também indicam que, se o partido do delegado for o PSOL, suas chances são menores. Por isso, aqueles que o acompanharam nos últimos meses podem ser deixados na estrada. O delegado está muito próximo de se filiar ao PSB paulista, que o receberá de braços abertos. "Ele tem o apoio da maçonaria e não faltará dinheiro para a campanha", disse um dirigente nacional do PSB.

 

Conquistar um mandato parlamentar assegurará a Protógenes o foro privilegiado de ter seu caso julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

 

O problema é que isso não será necessariamente algo positivo. Há dez meses ISTOÉ revelou com exclusividade que agentes da Abin e da PF, sob o comando de Protógenes, teriam monitorado o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes. Informação semelhante foi confirmada ao ministro pela desembargadora Suzana Amaral. Na mesma reportagem, a revista divulgou que fora registrado pelos agentes um jantar em Brasília, reunindo uma loira, advogados do banqueiro Daniel Dantas e assessores de Gilmar Mendes, no mesmo dia em que o STF recebeu pedido de habeas-corpus preventivo impetrado pelo banqueiro.

 

Mais tarde, quando a própria PF apreendeu nos computadores de Protógenes as imagens do suposto jantar, ficou claro que não havia nenhum assessor do STF no encontro. No restaurante estavam apenas advogados de Dantas e uma loira. O ministro Gilmar Mendes credita a contrainformação a uma tentativa da polícia de intimidar o trabalho do Judiciário.

 

 

Fonte: Revista IstoÉ - Editora Três com título da Agência Fenapef

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 42

Nacional

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Nova PF pode ter diretor com mandato de 2 anos »

O projeto de Lei Orgânica da Polícia Federal, que já está pronto e passa pelos exames finais do Ministério do Planejamento, cria uma PF disciplinada, hierarquizada, despolitizada, profissional, desprovida de mitos e sem as ações espalhafatosas que a caracterizaram nos últimos anos. Da lei nasceria uma organização proibida de praticar abusos, que serão punidos com demissão ou perda da aposentadoria.

O diretor-geral terá mandado de dois anos, renováveis por mais dois, e será escolhido pelo presidente da República, numa lista tríplice. Hoje é do ministro da Justiça a tarefa de nomear o diretor, e ele não tem mandato - podendo, portanto, ser afastado a qualquer momento pelo ministro. Com a nova PF, o afastamento antes do fim do mandato só pode ocorrer por ordem do presidente da República.

Será uma polícia com Ouvidoria, Conselho Superior de Polícia e de Ética, além de um corregedor com autonomia e independência. Suas atribuições serão desempenhadas somente por ele, salvo mediante solicitação ou celebração de convênio com outras instituições - isso evitaria, por exemplo, o uso indevido de funcionários da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), como ocorreu durante a Operação Satiagraha, em que mais de oito dezenas de agentes atuaram a mando do delegado Protógenes Queiroz. Em caso de necessidade, o diretor-geral terá a faculdade de solicitar apoio de outros organismos.

O Conselho de Ética terá composição colegiada e será presidido pelo diretor-geral. Abrirá processos disciplinares administrativos que resultem na propositura de penas mais severas.

200 ARTIGOS

O texto da lei, enxugado ao longo dos últimos dois anos, tem 200 artigos. É mantido sob sigilo, mas o Estado conseguiu uma cópia. Ele amplia as obrigações e os poderes da PF, tornando-a independente e imune a desejos políticos dominantes.

Depois de passar pelo crivo do Ministério do Planejamento, a minuta seguirá para a Casa Civil, onde juridicamente será analisada. Em seguida, será enviada para o Congresso.

Se a Lei Orgânica for aprovada com texto igual ao do anteprojeto, passará a ser da PF, exclusivamente, a segurança do presidente da República, do vice e de ministros, dos presidentes do Senado e da Câmara e do Supremo Tribunal Federal e dos chefes de Estado em visita ao País - hoje, a segurança do presidente e do vice é feita pelas Forças Armadas. E, se for solicitado pelo ministro das Relações Exteriores, caberá à PF fazer a segurança dos chefes das missões diplomáticas brasileiras e dos integrantes das organizações desportivas brasileiras em eventos no exterior. Também caberá à PF fiscalizar e supervisionar a segurança dos estabelecimentos bancários.

Fonte: Estado de S. Paulo

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 41

Nacional

22/05/2009

Obediência à Constituição

Entidades pedem controle sobre operações privativas das polícias judiciárias »

A Federação Nacional dos Policiais Federais e a Associação dos Delegados de Polícia Federal pediram ao ministério da Justiça que oriente formalmente a Polícia Rodoviária Federal para que abstenha de realizar operações privativas das polícias judiciárias. O documento protocolado no órgão lembra a que a CPI das escutas clandestinas já votou relatório neste sentido e pede que a PRF não participe da execução de operações técnicas de escuta telefônica e de operações policiais com a realização de medidas cautelares, busca e apreensões e quebra de sigilos, ainda que requisitados pelo Ministério Público.

No seu relatório, a CPI das Escutas Clandestinas diz que constatou a realização de escutas telefônicas por organismos estranhos às polícias judiciárias, entre eles a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Militar. “No entendimento desta Comissão Parlamentar de Inquérito, a execução das interceptações não caberia à Polícia Rodoviária Federal, tendo em vista sua competência constitucionalmente definida, ser restrita ao patrulhamento de rodovias”.

Há pouco mais de dois anos o desembargador federal Tourinho Neto, no julgamento do mandato de Segurança 2006.01.00.027250-1/DF, destacou que os atos investigatórios destinados à apuração de crimes não são exclusivos da polícia judiciária. “Mas em se tratando de União, as medidas cautelares, a busca e a apreensão, quebra de sigilos, autorizadas pelo judiciário deverão ser cumpridas pela Polícia Federal, por constituírem atividade de polícia judiciária”, diz o desembargador.

Fenapef e ADPF ressaltam que apesar do entendimento do judiciário, há uma crescente realização de medidas cautelares de prisão, busca e apreensão e quebra de sigilos pela PRF até mesmo no âmbito de crimes estaduais. “A PRF está atuando em áreas sem qualquer relação com o patrulhamento ostensivo das rodovias federais, conforme disposto no artigo 144, § 2º, da Constituição Federal”.

Para as entidades, as consequências da postura de determinadas autoridades públicas, especialmente alguns membros dos ministérios públicos estaduais, que requisitam, ao arrepio da Lei, que a PRF pratique atividades típicas de polícia judiciária são graves. “Policiais rodoviários federais , cujo efetivo já é reduzido, estão sendo desviados de sua importante função de proteger as rodovias federais”.

Conforme o documento, a apuração de crimes pelas policias Federal e Civil, em todo território nacional, está sendo prejudicada pela realização de operações independentes pela PRF na mesma área de atuação e envolvendo as mesmas organizações criminosas.

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA – A própria Consultoria Jurídica do ministério da Justiça editou a nota técnica 09/08 onde reafirma que a interceptação telefônica deve ser conduzida por polícia judiciária. Segundo ordenamento jurídico brasileiro, diz a nota, à polícia cabem duas funções: a administrativa e a judiciária. “No que concerne à Polícia Rodoviária Federal, pode-se afirmar que ela exerce, como regra geral, a função de polícia administrativa”.

O vice-presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, João Valderi de Souza destaca que a PRF cumpre um importante papel nas rodovias federais. “A função da Polícia Rodoviária Federal está perfeitamente definida na Constituição, assim como das polícias judiciárias. Assim, se cada corporação se ater na sua função teremos uma segurança pública feita com mais qualidade”.

Fonte: Agência Fenapef

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 40

Nacional

25/05/2009

Senasp

Governo age para conter guerra entre polícias »

O governo federal colocará o dedo numa casa de abelha para tentar reorganizar o sistema de segurança pública do país, hoje marcado pelo bate-cabeça entre as polícias da União e dos estados, evidenciado durante os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito das Escutas Telefônicas (CPI dos Grampos). A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) elaborou um projeto de lei para redefinir os papéis das polícias no Brasil, com direitos e deveres, a fim de torná-las mais eficazes.

O texto, entretanto, é mantido em sigilo, não só pela polêmica que promete gerar, mas também porque deve ser discutido durante a 4ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), marcada para agosto. A proposta é debater com todas as forças de segurança as reformas necessárias e, depois disso, dar o formato final ao projeto. O secretário da Senasp, Ricardo Balestreri, não fala sobre as propostas do governo, por considerar prematuro, mas um grupo de parlamentares já está interessado em conhecê-las. Entre eles, está o senador Delcídio Amaral (PT-MS), um defensor da iniciativa.

“Eu acredito que essa iniciativa vai gerar muita polêmica, mas é preciso criar uma nova modelagem para a atuação dos policiais no país”, diz o petista. “É preciso botar o dedo na ferida e estabelecer as fronteiras de atuação das forças de segurança pública, com regras claras”, acrescenta. Em março, o senador foi vítima de uma ação precipitada da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que depois de prender um homem por uso de documento falso, numa BR no Mato Grosso do Sul, decidiu interrogá-lo e divulgar o depoimento gravado para emissoras de televisão. A gravação sugeria a existência de um plano para atingir a imagem do senador, mas não se sustentou com as investigações, que demonstraram que o preso tinha problemas mentais.

Rusgas
A parte mais visível da desorganização do sistema de segurança pública está na rixa entre a Polícia Federal, a polícia judiciária da União, e Polícia Rodoviária Federal, polícia administrativa responsável pelo patrulhamento ostensivo das rodovias. O avanço da PRF sobre atividades da PF — como investigações, escutas telefônicas e participações em operações policiais — tem causado irritação nos federais e já motivou até mesmo um pedido formal de providências por parte do presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal, Sandro Avelar. Sem resposta para o ofício enviado em novembro ao ministro Tarso Genro, Avelar, ao lado de outras entidades de classe, foi pessoalmente ao Ministério da Justiça e falou com o consultor jurídico da pasta, Rafael Favetti, cobrando uma manifestação sobre o caso.

Na semana passada, foi a Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais que recorreu ao ministério, por meio da Senasp. O presidente da entidade, Gilson da Silva, se encontrou com o secretário Balestreri para pedir, entre outras coisas, o acesso dos homens da PRF a cursos nos exterior e também uma maior valorização da corporação. Assim como a Polícia Federal, desde setembro do ano passado a PRF exige diploma de curso superior, o que foi estabelecido pela Lei 11.784. Somente nas últimas semanas, os patrulheiros foram protagonistas de duas grandes operações policiais, todas no Mato Grosso do Sul: a Cupim, para reprimir a extração de madeira nobre no estado, que exigiu escuta telefônica; e a Las Vegas, para repressão da exploração de caça-níqueis, o que fez subir ainda mais a irritação da PF.

O nível de estresse pode ser medido também durante reunião com representantes do Itamaraty no Ministério da Justiça, na quinta-feira, quando se sentaram à mesa federais e integrantes da PRF para preparação da reunião de ministros do Interior e Justiça do Mercosul, que acontece em Assunção, no Paraguai. O representante da PRF pediu que a Polícia Federal cedesse parte de sua exposição sobre o combate ao terrorismo para que a corporação também fizesse sua explanação. A reação dos federais foi lembrar ao patrulheiro que ele representava uma polícia administrativa e, portanto, combate ao terror extrapola, em muito, sua área de atuação.

O incidente criou profundo mal-estar e precisou da intervenção do Itamaraty, que lembrou que aquela reunião não era o fórum adequado para discussão de competência das corporações. Desde 2000, a PRF montou seu serviço de inteligência e, em parcerias com o Ministério Público dos estados e da União, vem realizando investigações e escutas, prática condenada em relatório da CPI dos Grampos. Segundo o relatório, a atuação foge das atribuições da PRF e deve ser banida.

Fonte: Correio Braziliense

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 39

Tribuna Livre

06/05/2009

Armas

Uma escovadela aqui e um tiro ali! »

Por: Humberto Wendling


As armas de fogo são objetos fascinantes. No mundo inteiro, os fabricantes de armas mantêm laboratórios de pesquisa nos quais engenheiros habilidosos aplicam conhecimentos de química, física, matemática, biologia, metalurgia, dentre outras áreas da ciência humana para desenvolver e fabricar seus produtos.

O resultado disso tudo, geralmente, é tão bom que não existe no mundo um exército ou organização policial que não use armas de fogo na defesa do seu território e na proteção da sociedade. Imagine você que até criminosos e terroristas fazem uso delas também!

Por isso, os fabricantes de armas sabem que quando seus clientes apertarem o gatilho, pessoas serão feridas ou mortas. E como não produzem armas para criminosos, essas empresas esperam que você sobreviva ao confronto de vida ou morte que venha a encontrar ao longo da carreira. Assim, essas fábricas projetam, produzem, testam, embalam e entregam a sua arma com certificado de garantia, manual e carregadores avulsos numa maleta acolchoada. E surpresa, as melhores marcas também entregam uma escovinha para limpeza do cano.

Mas, e daí? Bem, e daí que você recebe a arma, municia, põe na cintura e esquece! Quer dizer, sua arma fica no coldre por semanas a fio. “E daí?” E daí que com o passar dos dias sua arma vai sendo contaminada pela poeira e pelas fibras da sua roupa.

Dessa maneira, e com o tempo, essa sujeira pode impedir o funcionamento do armamento, porque ao entrarem na arma, os fiapos de roupa se acumulam na câmara do cano, e o ferrolho não consegue inserir correta ou completamente o cartucho nessa câmara, o que impede o disparo. Este tipo de incidente é chamado de “alimentação incompleta”, e apesar dessa pane ter um nome, infelizmente não tem solução imediata – a não ser que você limpe a arma.

Pode até ser que você consiga realizar alguns disparos, mas eu garanto que cedo ou tarde sua arma irá falhar, quer você acredite ou não. Então, reze para que não seja enquanto você tenta realizar o primeiro tiro.


Para ilustrar o problema, conto o caso de um Policial que realizou 274 tiros em 6 horas de treinamento. Ao longo do treino, esse Policial foi surpreendido sete vezes pelo mesmo tipo de pane, ou seja, alimentação incompleta. Intrigado com a ocorrência que acometeu um dos melhores atiradores da delegacia, pedi que ele desmontasse a pistola. Ao verificar o cano, percebi um grande acúmulo de sujeira e fibras têxteis. Incrivelmente, esse Policial havia treinado com a mesma arma 15 dias antes e sem qualquer problema. Portanto, este foi o tempo necessário para um instrumento sofisticado de autodefesa – desenvolvido para salvar a vida do Policial – se transformar numa peça inconfiável. Mas isso não foi por falha da arma, foi por culpa do Policial!

Então, vale a pena relembrar que a Lei de Murphy é uma constante no trabalho policial. E com tantas variáveis que podem dar errado numa troca de tiros, você não pode criar mais uma oportunidade para o fracasso, se permitindo sair de casa sem ter feito algo tão simples e rápido como limpar sua arma. Você não precisa se sentir obrigado a limpar seu armamento todos os dias a ponto dessa tarefa se tornar um fardo, mas você deve se responsabilizar pela manutenção da arma que usa pelo menos quinzenalmente, dependendo do clima da cidade, da forma como porta sua arma e do uso que tenha feito dela.

Limpar sua arma tem outra vantagem: permite que você se mantenha atualizado com as peças e o funcionamento do único instrumento de trabalho que torna sua profissão distinta de todas as outras. E é sempre bom saber como essas coisas funcionam!

Se sua arma falhar devido à sujeira durante um treinamento, vá lá! Basta limpá-la e voltar ao treino. Mas, se isso ocorrer no início ou no meio de um confronto real, você pode dizer adeus!

Humberto Wendling é Agente de Polícia Federal e Instrutor de Armamento e Tiro lotado na Delegacia de Polícia Federal em Uberlândia/MG.
Fonte: Agência Fenapef

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 38

Geral

12/05/2009

História de vida

A longa caminhada de Fernanda »

A jovem Fernanda, protagonista dessa história, é filha do agente de Polícia Federal Xavier Neto, o Xaxá. Depois de ficar tetraplégica num acidente de carro, ela recuperou parte dos movimentos e sonha voltar a andar.

Por: Marcelo Abreu Foto:

Foto: Cadu Gomes

Faltavam poucos dias para o aniversário de 17 anos. Era outubro de 2003. Aproximava-se o fim do último ano do
Cadu Gomes/CB/D.A.
   
ensino médio. E o vestibular também chegava. A cabeça da menina estava a mil. O namoro com um rapaz de 19 anos ia de vento em popa. Tudo era normal. Em casa, com os pais e os dois irmãos mais velhos, a caçula se sentia protegida. Nada lhe faltava. Nem elogios. Estava acostumada a ganhar. A ser tietada, aplaudida, cortejada. Os meninos da escola eram apaixonados por ela. Em dois concursos de beleza foi eleita, consecutivamente, a aluna mais bonita. Chamaram-na de miss. Os olhos verdes, de tão verdes, viraram o seu cartão-postal. Tudo, definitivamente tudo, era felicidade. A vida sorria todos os dias para a menina bonita. E não havia por que não sorrir.


Sábado, 25 de outubro. Aniversário do irmão da menina mais bonita da escola. Eles resolveram comemorar na chácara da família, na região da Fercal, no Lago Oeste. Havia mais de 50 pessoas. Todos muito jovens. Festa regada a cerveja, música e animação. Os pais liberaram a chácara, mas não estavam lá. Fernanda Fontenele, a protagonista desta história, foi com o namorado, um rapaz de 19 anos. Ele dirigia. Durante o dia inteiro, a festa rolou como toda festa de adolescentes. Cerveja em lata não faltou. Alegria.

. O namorado, o condutor do carro, bebeu. Fernanda, a menina bonita, também. Fim de festa, 19h. Volta pra casa. Estrada escura. O namorado da menina perdeu o controle da direção. O carro desgovernou-se. Bateu em outro que vinha em direção oposta. Rodopiou várias vezes na pista. A batida, de extrema violência, foi toda do lado da menina bonita, que quase foi degolada pelo cinto de segurança.
Arquivo pessoal
     
O namorado bateu a cabeça. Os passageiros do outro carro sofreram luxações. A menina, consciente, foi levada ao Hospital Regional de Sobradinho. Com informações desencontradas, os pais da menina correram pra lá. Fernanda foi submetida a um exame de raios X. Não sentiu mais braços e pernas. Um médico chamou os pais e lhes disse: “Aparentemente, não quebrou nada, mas recomendo tirá-la daqui com urgência e fazer exames mais detalhados”.

A menina, dependente dos pais no plano de saúde, foi levada ao Hospital Santa Luzia. E lá, numa ressonância magnética, a revelação do porquê de Fernanda não mexer mais nada além do pescoço. Ela teve uma lesão medular, na altura da C6 e C7 cervical. Estava tetraplégica. Os pais, naquela mesma noite, souberam da gravidade do estado de saúde da filha. A mãe chorou escondida. O pai também. No dia seguinte, domingo, Fernanda foi operada pelo médico Márcio Vinhal. Havia o risco, se demorasse a fazer a cirurgia, de ela não conseguir mais respirar. A segunda cirurgia ocorreu três dias depois, na quarta. “Tenho uma verdadeira lataria na minha coluna. Tive que colocar quatro pinos para segurar as vértebras estraçalhadas”, brinca a moça, cinco anos depois.
Cadu Gomes/CB/D.A.
    


Imobilizada, em cima de uma cama, nove dias após o acidente, a menina completou 17 anos. Cantaram-lhe parabéns no hospital. Tentaram animá-la. Duas semanas depois, Fernanda conseguiu uma vaga no Hospital Sarah do Aparelho Locomotor, na Asa Sul. Lá, contaram-lhe o que era uma lesão medular. “Foi quando a ficha caiu. Até então, pensei que em poucos dias eu estaria andando novamente, que logo ficaria boa”, lembra.

Tratamento


Arquivo pessoal
    
No Sarah, começaram as sessões de fisioterapia. “Sentia muita dor. Para amenizar, tive que fazer infiltração com soro e xilocaína, diretamente na coluna. Foram cem aplicações.” Fernanda conheceu outras pessoas como ela. Soube de suas histórias. Passou a compreender o que era limitação. Aos 17 anos, em meio a lágrimas, intuiu que dependeria apenas dela decidir como conviver com isso. Seguiu rigorosamente o tratamento. “O Sarah foi fundamental pra eu compreender todo o processo da minha lesão medular”, constata a moça.

Do Sarah da Asa Sul, Fernanda foi transferida para a unidade do Lago Norte. A dependência da mãe, que se aposentou para cuidar da filha, era total. Banho, alimentação e necessidades muito íntimas. “Um dia, senti um peso na perna. Dois meses depois, meus braços deram sinais de que queriam se movimentar. Em três meses, comecei a sentar, numa cadeira especial, protegida por cinto de segurança.” E cinco meses se passaram. O apartamento da família, na Quadra 103 do Sudoeste, teve que ser readaptado. Paredes foram quebradas para que a cadeira de rodas circulasse livremente. Uma equipe do hospital vistoriou a casa, para ver se podia receber Fernanda.

Em 2004, o médico que a operou no Santa Luzia, impressionado com a evolução do quadro, lhe perguntou: “Vamos fazer uma faculdade?” Ele instigou a menina bonita para que voltasse à vida. E lhe disse, com sinceridade: “Não sabemos quanto tempo você vai ficar numa cadeira de rodas”. Fernanda entendeu. E retomou a vida. Prestou vestibular para jornalismo, no Iesb. Foi aprovada. Durante quatro anos, a mãe deixou e buscou a filha na faculdade. Na cadeira de rodas, a menina se formou. Virou jornalista.

Enquanto estudava, a família se desdobrou para pagar as caras aulas de equoterapia (fisioterapia montada em cavalo, para fortalecer o equilíbrio e tônus muscular). Para se ter uma ideia, 40 minutos de aula custavam, à época, R$ 200. Aos poucos, Fernanda ganhava autonomia. Hoje, mexe braços e tem perfeito controle do tronco. Tem sensibilidade no pé. Faltam-lhe apenas os movimentos das pernas. “Se consegui mexer os braços, por que não as pernas? A informação passa”, deduz a moça, hoje com 22 anos.
Cadu Gomes/CB/D.A.
    


Estados Unidos
Cinco anos se passaram desde aquele outubro de 2003. Fernanda descobriu que, em San Diego, nos Estados Unidos, há um tratamento, desenvolvido por um fisioterapeuta daquele país, que se baseia na repetição dos movimentos e no otimismo. Chamam-no Project Walk. “Os exercícios são feitos em aparelhos que ainda não chegaram ao Brasil, baseados no método de pilates”, ela explica.

Fernanda começou a pesquisar quanto seria o custo e chegou à seguinte cifra: US$ 55 mil (cerca de R$ 112 mil). É o valor de um tratamento para seis meses. Isso inclui a despesa com o centro de fisioterapia, alimentação e hospedagem. Dela e da mãe.

Luiza Guedes, 23 — amiga, uma das que permaneceram depois do acidente (muitas se afastaram, outros chegaram (principalmente no Sarah) e o namoro acabou) — decidiu contar a comovente história e luta de Fernanda, num vídeo de pouco mais de quatro minutos. Colocou-o no Youtube. Em cinco dias, já teve mais de 6 mil acessos. No filme, a moça que não anda pede ajuda para chegar aos Estados Unidos. “Nada me garante que vou voltar andando, correndo, mas eu preciso tentar”, disse ela ao Correio, na sala de sua casa, ao lado da incansável mãe Maria Aparecida Fontenele, 56.

Numa reflexão dessas que vêm com o sofrimento, e quase sempre acompanhada de uma reviravolta na vida, Fernanda admite: “Não seria a mesma se não tivesse passado por isso. Deus é justo. Ele não quis isso pra mim, mas tive que passar pra entender o sentido da vida”. Hoje, no Sarah, a moça que estaria condenada à tetraplegia dá força aos novos amigos. Incentiva-os. Num desabafo que silenciou a sala de sua casa, ela confessou, no fim da manhã de ontem: “Tive que ‘morrer’ pra entender que preciso ser melhor pra mim, pros outros e pra Deus”.

Maria Aparecida, a mãe, ouve a filha falar. Contém a emoção pela milésima vez, para não chorar diante dela: “Nunca me revoltei. Nos momentos mais difíceis, só agradecia porque ela tava viva. Ela é uma guerreira. Virou outra pessoa”. Otimista, a moça de lindos olhos verdes, 1,77m e 57kg, faz planos, para quando voltar da viagem: “Vou tirar minha carteira de motorista e estudar para um bom concurso. Sou formada, posso lutar”. Enquanto isso, Fernanda empurra sua cadeira de rodas. Arranca força de onde ninguém imagina. E sorri um sorriso tão encantador que tudo mais ali vira apenas detalhe.

 "Tive que ‘morrer’ para entender que preciso ser melhor para mim, para os outros e para Deus"

Solidariedade
Qualquer ajuda é bem-vinda
Banco do Brasil
Conta: 27649-9
Agência: 3380-4
Telefone: 9202-7155
Blog: fernandafontenele.blogspot.com

Fonte: Correio Braziliense

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 37

Nacional

06/05/2009

Mato Grosso do Sul

Odilon Oliveira. Esse é o cara de verdade! »

Por: Francisco Carlos Garisto com reportagens da Revista Época e o Estado de S.Paulo


Odilon de Oliveira, de 56 anos, estende o colchonete no piso frio da sala, puxa o edredom e prepara-se para dormir ali mesmo, no chão, sob a vigilância de sete agentes federais fortemente armados. Oliveira é juiz federal em Ponta Porã, cidade de Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai e, jurado de morte pelo crime organizado, está morando no fórum da cidade. Só sai quando extremamente necessário, sob forte escolta. Em um ano, o juiz condenou 114 traficantes a penas, somadas, de 919 anos e 6 meses de cadeia, e ainda confiscou seus bens. Como os que pôs atrás das grades, ele perdeu a liberdade. “A única diferença é que tenho a chave da minha prisão”, analisa Odilon.

Traficantes brasileiros que agem no Paraguai se dispõem a pagar US$ 300 mil para vê-lo morto. Desde junho do ano passado, quando o juiz assumiu a vara de Ponta Porã, cidade que faz fronteira com o Paraguai e porta de entrada da cocaína e da maconha distribuídas em grande parte do País, as organizações criminosas tiveram muitas baixas.Nos últimos 12 meses, sua vara foi a que mais condenou traficantes no País.

Oliveira confiscou ainda 12 fazendas, num total de 12.832 hectares, 3 mansões - uma, em Ponta Porã, avaliada em R$ 5,8 milhões - 3 apartamentos, 3 casas, dezenas de veículos e 3 aviões, tudo comprado com dinheiro das drogas. Por meio de telefonemas, cartas anônimas e avisos mandados por presos, Oliveira soube que estavam dispostos a comprar sua morte.

“Os agentes federais descobriram vários planos para me matar”, inicialmente com oferta de US$100 mil.”  Revela o juiz .No dia 26 de junho, o jornal paraguaio Lá Nación informou que a cotação do juiz no mercado do crime encomendado havia subido para US$ 300 mil. “Estou valorizado”, ironizou sem medo. Ele recebeu um carro com blindagem para tiros de fuzil AR-15 e passou a andar armado e escoltado por agentes federais.

Para preservar a família, mudou-se para o quartel do Exército e em seguida para um hotel. Há duas semanas, decidiu transformar o prédio do Fórum Federal em casa. “No hotel, a escolta chamava muito a atenção e dava despesa para a PF.” É o único caso de juiz que vive confinado no Brasil. A sala de despachos de Oliveira virou quarto de dormir. No armário de madeira, antes abarrotado de processos, estão colchonete, roupas de cama e objetos de uso pessoal. O banheiro privativo ganhou chuveiro. A família , mulher, filho e duas filhas, que ia mudar para Ponta Porã, teve de continuar em Campo Grande. O juiz só vai para casa a cada 15 dias, com seguranças.



Oliveira teve de abrir mão dos restaurantes e almoça um marmitex, comprado em locais estratégicos, porque o juiz já foi ameaçado de envenenamento. O jantar é feito ali mesmo. Entre um processo e outro, toma um suco ou come uma fruta. “Sozinho, sem os federais , não me arrisco a sair nem na calçada.”



Uma sala de audiências virou dormitório, com três beliches e televisão. Quando o juiz precisa cortar o cabelo, veste colete à prova de bala e sai com a escolta. “Estou aqui há um ano e nem conheço a cidade.” Comenta  Oliveira . Na última ida a um shopping, foi abordado por um traficante. Os agentes tiveram de intervir.

 

Azar do tráfico que o juiz tenha de ficar recluso.. Acostumado a deitar cedo e levantar de madrugada, ele preenche o tempo com trabalho. De seu “bunker”, auxiliado por funcionários que trabalham até alta horas da noite, vai disparando sentenças.

Como a que condenou o mega traficante Erineu Domingos Soligo, o Pingo, a 26 anos e 4 meses de reclusão, mais multa de R$ 285 mil e o confisco de R$ 2,4 milhões resultantes de lavagem de dinheiro, além da perda de duas fazendas, dois terrenos e todo o gado. Carlos Pavão Espíndola foi condenado a 10 anos de prisão e multa de R$ 28,6 mil. Os irmãos , condenados respectivamente a 21 anos de reclusão e multa de R$78,5 mil e 16 anos de reclusão, mais multa de R$56 mil, perderam três fazendas.

 

O mega traficante Carlos Alberto da Silva Duro pegou 11 anos, multa de R$82,3 mil e perdeu R$ 733 mil, três terrenos e uma caminhonete. Aldo José Marques Brandão pegou 27 anos, mais multa de R$ 272 mil, e teve confiscados R$ 875 mil e uma fazenda.



Doze réus foram extraditados do Paraguai a pedido do juiz, inclusive o “rei da soja” no país vizinho, Odacir Antonio Dametto, e Sandro Mendonça do Nascimento, braço direito do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.


“As autoridades paraguaias passaram a colaborar porque estão vendo os criminosos serem condenados.” Avalia Oliveira.

 

 O juiz não se intimida com as ameaças e não se rende a apelos da família, que quer vê-lo longe desse barril de pólvora.

 

Ele é titular de uma vara em Campo Grande e poderia ser transferido, mas acha “dever de ofício” enfrentar o narcotráfico. “Quem traz mais danos à sociedade é mega traficante. Não posso ignorar isso e prender só mulas (pequenos traficantes) em troca de dormir tranqüilo e andar sem segurança..” justifica o juiz recluso.

 

Acostumado com a luta desde criança.



Odilon Oliveira nasceu há 56 anos na pequena Exu, cidade do sertão pernambucano. Terceiro dos oito filhos dos lavradores Expedito e Domercília, teve uma infância miserável. Passou fome, mas resistiu. Alguns primos e um irmão não sobreviveram à pobreza. Para evitar novas mortes, a família fugiu da seca e embarcou na carroceria de um caminhão para tentar a sorte em Mato Grosso do Sul, Estado que promovia um programa de colonização.



 Odilon começou a trabalhar na roça aos 5 anos, plantando arroz, mandioca e criando galinhas – tudo para subsistência. Aos 9 anos, começou a estudar incentivado pela mãe. “Meus pais eram analfabetos, mas na família da minha mãe tinha gente que sabia escrever cartas. Por isso ela me forçava a estudar”, diz. Tomou gosto pelos livros e passou a vender ovos e legumes para poder comprar lápis e caderno. Virou o centro das atenções da família, que todas as noites se reunia em torno de um lampião a querosene para ouvir Odilon ler literatura de cordel.



Após terminar o ensino médio, passou no vestibular de Direito de uma universidade particular de Campo Grande. Para custear os estudos, trabalhou como professor primário em uma cidade próxima. Acordava às 4 da manhã e chegava em casa depois da meia-noite. Formado em Direito, passou em vários concursos públicos. Foi procurador da União, promotor de justiça, juiz estadual, até chegar, em 1986, ao cargo que ocupa hoje: juiz federal. Ele é o único da família que conseguiu um diploma de curso superior.



A infância sofrida e a adolescência difícil parecem menos cruéis que a atual realidade do juiz. “Apesar de eu não me arrepender de nada do que fiz, a vida que eu levo hoje é mais dura. Eu sou uma pessoa mais triste do que eu era antes”, admite o doutor Odilon.



A miséria maior é que o juiz vislumbra um futuro ainda mais obscuro. “Eu tenho medo do que vai ser daqui a 11 anos, quando eu me aposentar. Vou perder a proteção policial e ainda vai ter muita gente querendo se vingar de mim”, diz. Sua escolta será reduzida aos santinhos e à imagem de São Jorge, que descansa em cima de seu armário.
Funcionário público como o juiz Odilon de Oliveira é que deveria ser exaltado diariamente pela mídia e pela população brasileira e não policiais de um trabalho só, que usam a carreira para trampolins eleitoreiros e eleitorais.



Funcionário Público como Odilon é que deveria receber de presente merecidamente, pelo risco e trabalho prestado, um cargo em Emabaixada do Brasil no exterior para ganhar com segurança 20 mil dólares por mes, juntamente com a sua família , que estaria em segurança.



Funcionário público como Odilon é que deveria ser lembrado para assumir vagas nos Tribunais Superiores Federais e não alguns apaniguados do governo de plantão.



Brasileiro como Odilon de Oliveira é que deveria receber votos para deputado, senador ou até presidente da república e não traidores de suas instituições que trabalham mais para a mídia do que para o Brasil.



Os traficantes e bandidos condenados por Odilon de Oliveira podem até ameaçá-lo, mas devem ter nas suas mentes que , se algo acontecer com esse juiz federal os executores e os mandantes da maldade serão caçados em qualquer lugar do mundo por todos os Agentes da Polícia Federal.



Enfim, Odilon de Oliveira é o CARA de VERDADE !

*Francisco Carlos Garisto é Conselheiro e ex-Presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais-FENAPEF

Fonte: Agência Fenapef

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 36

Sindical

01/04/2009

Opinião

Carreira de apoio administrativo do DPF e a “Síndrome de Bahuan” »

Por: Daniel Ferreira

Na primeira tentativa de elaborar este texto, tentei ser mais técnico e utilizar leis para ilustrar o enredo, mas à medida que escrevia percebi que estava tomando o rumo de sempre. Informações sobre leis, decretos e choradeira. Então começou a novela das oito... E vi o DPF estampado nas lágrimas de “Maya”...

Embora sendo uma instituição republicana, e por consequência laica, o Departamento reflete uma cultura religiosa, de castas, muito em evidência em virtude da referida novela. Apesar de crescer tal qual uma cidade grande, ainda está aquém com relação as relações internas de poder, sem conseguir acompanhar o ritmo de seu crescimento. Vivemos como no mundo de “Maya e Bahuan”, juntos embora separados, dividindo as mesmas salas, mesas e muitas vezes, mesmas funções. Mas somos de “castas” diferentes. Ou não temos uma. E como tal, devemos conhecer nosso lugar. Podemos ser competentes, graduados e até doutores, mas sempre seremos “dalits”.

Estamos fora da Lei Orgânica, assim como fora das castas. Estamos aqui, mas não pertencemos e não somos reconhecidos neste sistema. Servimos aos “doutores” que o são por motivo de casta, enquanto alguns doutores por conquista e título são muitas vezes considerados “semi-analfabetos”, também pelo mesmo motivo de casta.

Não queremos a “carteira preta” e nem o título de policial. Não nos interessa usar distintivo ou portar uma 9mm. O que queremos é que não sejamos julgados incapazes por causa do cargo. Fazemos tanto ou melhor que muitos, independentemente dos cargos. Citando uma colega, nós muitas vezes “ensinamos outros a nos (co)mandar e, o que pode ser ainda mais sério, ensinamos aos que vieram nos substituir.”

E neste caso, pasmem, somos rendidos em nossas funções por “pradessi” (estrangeiro, em hindi), estranhos ao DPF. Somos assolados pela anomalia da terceirização dentro de um órgão policial, onde tanta “informação compartimentada” está disponível para estes olhos estranhos. Mas antes que o leitor diga que estou reproduzindo o preconceito e a discriminação sobre os terceirizados, já deixo claro que não! Nós, servidores do Plano Especial de Cargos (PEC), somos e seremos, sempre que possível, cordiais com estes nossos colegas circunstanciais, uma vez que não foram eles que vieram até nós, mas uma incapacidade administrativa nos levou até eles. Não é deles a culpa pela falta de condição do departamento em andar com os próprios pés. Tivemos que abrir a porta para a especulação cada vez mais assustadora da terceirização no serviço público, em nome do princípio da agilidade, mas contra o princípio da eficiência, uma vez que a terceirização é um desserviço e uma amostra da falta de eficiência da administração pública. E esperamos que estes colegas terceirizados, em sua maioria pessoas competentes, possam ter a oportunidade de tornarem-se colegas de forma definitiva, estando dentro do quadro permanente, mas através dos necessários concursos públicos que devem ocorrer, em nome da moralidade do serviço público.

E quero deixar claro também, antes que algum pouco avisado grite de novo... Ao contrário da terceirização, o PEC é necessário para a o cumprimento dos princípios básicos da administração pública, uma vez que a atual administração diz pretender tornar o DPF um órgão policial nos moldes do Federal Bureau of Investigations (FBI). Como espero que todos saibam, o FBI é composto em sua maioria de agentes burocráticos, deixando o serviço “de rua” para os agentes especiais. E lá, aqueles que dão o suporte técnico-administrativo são valorizados da forma devida, tanto pela administração quanto pelos colegas. Porque talvez lá sejam visto como pessoas adultas, com uma história e uma vivência pessoal, ao contrário do que acontece no DPF, onde muitas vezes somos tratados como incapazes.

Mas não! Não são todos policiais que agem assim. Existem aqueles que conhecem a vida daqueles que possuem suas qualidades, mas são rechaçados por não serem “doutores”, digo DPF's. Assim como a administração não está cheia de “bacharéis” sem condição de administrar. Aliás, sempre acreditei que, para administrar e gerir um órgão público, o melhor seria que fossem formados em Administração. Que os bacharéis fiquem com o planejamento policial e com a tão sonhada “carreira jurídica”, outra anomalia.

Mas aqui está o “dalit” falando dos “brâmanes”! Correndo o risco de ser apedrejado e queimado em praça pública por falar o que não devia. Coloco-me em meu lugar e volto ao que me fez começar...

Conversando com outros colegas administrativos, chegamos a conclusão que não será lei ou decreto que nos trará o reconhecimento devido, mas a imposição de nossa competência e capacidade, que ajudou fazer do DPF uma instituição considerada séria e acima de qualquer suspeita aos olhos da sociedade, apesar de seus problemas administrativos. As leis poderão um dia aumentar de forma justa o poder aquisitivo e melhorar a condição financeira, mas será a capacidade de cada um que irá fazer com que aquilo que deveria ser normal se torne o habitual, ou seja, sermos considerados parte da instituição que pretende ser tal qual o “FBI brasileiro”.

 

Daniel Ferreira Diretor SINPOFESC

Fonte: Agência Fenapef

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 35

Nacional

04/04/2009

Como lidar com pessoas insuportáveis »

Dicas de psicólogos para conviver com gente capaz de fazer qualquer um perder a cabeça

Por: Verônica Mambrini Ilustrações Fernando Brum

MIMADOS
Como identificar: são narcisistas, teatrais, dependentes e superficiais. Conseguem o que querem explorando sentimentos como pena e culpa
O que podem causar: sugam o tempo da vítima, provocam desgaste emocional e até prejuízos financeiros O que fazer: imponha limites e não se perturbe com as lamentações

 

Algumas pessoas parecem ter o dom de enlouquecer os outros. Em menor ou maior grau, são capazes de tornar a convivência difícil, até insuportável. Pode ser o chefe autoritário que controla cada passo do funcionário, o amigo que não perde uma chance de reclamar da vida ou o parente que aparece para uma visita e consegue destruir móveis e bibelôs. O fato é que tipos como esses são mais comuns do que se supõe. Mas a forma como as pessoas reagem a eles não. Há quem consiga se defender. Há quem recorra à terapia para superar os traumas do convívio. Com a bagagem dos casos colecionados em consultório, especialistas ensinam a lidar com esses “indivíduos-problema”.

 

O psicólogo americano Paul Hauck é um exemplo. Há quatro décadas ele estuda os comportamentos neuróticos. Em maio, lança o livro Como lidar com pessoas que te deixam louco. Nele, o terapeuta com mais de 15 obras publicadas decifrou cinco “personalidades” capazes de fazer alguém perder a razão – os controladores, os fracassados, os mimados, os bullies e os desleixados/maníacos por limpeza (leia quadros). “Quando você não constrange quem age de forma irritante e perturbadora, está tolerando esse comportamento”, disse Hauck à ISTOÉ. “Nós só somos tratados do jeito que permitimos.” Segundo o psicólogo, muitas vezes, quem o procura no consultório é a pessoa errada – ou seja, a vítima. “Vários que estão aqui vêm porque os que realmente deveriam estar não aceitam tratamento”, confirma a terapeuta de casais Ana Maria Fonseca Zampieri, de São Paulo.

 

 

Os grupos mais perigosos são os bullies e os controladores. “Eles podem recorrer à força física e não se importam com as consequências”, analisa Hauck. “Evite-os a todo custo, a não ser que você seja forte o suficiente para se defender.” A dor aumenta e as consequências psicológicas agravam se o agressor é alguém muito próximo. Foi o que aconteceu com a carioca Luiza Leme. Seu ex -marido a vigiava constantemente. Lia e-mails, mexia em objetos pessoais, violava sua privacidade. “Eu queria dar uma de boa samaritana”, reconhece. “Hoje, sei que limite é saudável”, diz Luiza, que só melhorou quando decidiu terminar o relacionamento.

 

 

O bully, valentão que intimida os colegas de escola, tem seu paralelo entre adultos. A designer paulistana Cris Rocha, 30 anos, passou maus bocados nas mãos de um. Ela assumiu algumas contas de um amigo em dificuldades financeiras, como a internet banda larga do rapaz, pois os dois tinham criado um site em conjunto. “Mas ele se tornou grosseiro e começou a fazer cobranças e acusações”, lembra Cris. Depois de dois anos de agressões verbais, a designer criou coragem para se afastar. “A forma de argumentar dele fazia eu me sentir muito mal”, lembra. “Só com ajuda de amigas percebi que o errado era ele.” É importante identificar se as acusações têm fundamento. “Não deixe que os bullies o convençam de que você está sempre errado ou que é um idiota”, aconselha Hauck.

 

 

Fracassados, mimados e maníacos por limpeza (ou bagunça, no extremo oposto) causam menos danos, mas nem por isso devem ser ignorados. “Pequenos traumas podem se tornar crônicos”, afirma a terapeuta Ana Maria. A professora de inglês Andréa Oliveira, 25 anos, cometeu outro erro comum: deu brechas demais a um mimado. “Eu me proponho a ajudar os amigos, mas eles abusam”, reconhece. Depois de reconciliar um casal de conhecidos, eles passaram a convocá- la a cada desentendimento, até que ela se recusou a intermediar. “Por causa disso, minha amiga ficou um mês sem falar comigo”, diz. Essa é a estratégia dos mimados: esperneiam, batem o pé, fazem bico. A recomendação da psicanalista Léa Michaan, da Universidade de São Paulo (USP), é deixar claro que ninguém tem obrigação de fazer favores. “Dizer o que pensa, mesmo que seja num tom de brincadeira, é fundamental”, afirma.

 



 

Quem convive com pessoas problemáticas também corre o risco de se deixar contagiar, especialmente pelos fracassados, que sabotam a própria felicidade. A estudante paulista Fernanda Espinosa, 25 anos, terminou um noivado depois de sofrer muito ao lado de um. “Com a convivência, percebi que ele era uma pessoa negativa”, conta. O ex-noivo passava os fins de semana dormindo ou vendo tevê, e arrastava a moça com ele. “Vivia cheia de olheiras, de tanto dormir. Estava muito mal”, afirma a estudante. Uma categoria à parte é a dos muito bagunceiros ou pessoas com mania de limpeza, que não são comportamentos ruins por si só, mas podem tornar a convivência irritante. O publicitário paulista Leandro Monteiro, 37 anos, teve de tolerar durante anos os hábitos da mãe. “Hoje em dia acho o máximo poder fazer gestos corriqueiros como atender o telefone ou abrir a geladeira sem ter de lavar as mãos antes!”, explica Leandro, que, casado há quatro anos, pode fazer a bagunça que tiver vontade.

 

Em muitos casos, é possível tentar a convivência com essa turma de personalidade difícil. “Pois sem conflito não há mudança”, afirma a consultora de carreira Maria da Luz Calegari. Há várias táticas para aprender a lidar com eles e, principalmente, para se fazer respeitar. Se ainda assim elas falharem, é melhor evitálos. Quando não for possível riscá-los da lista de contatos, como no caso de um chefe tirano, por exemplo, o segredo é abstrair. “É preciso não dar tanta importância aos ataques”, diz Léa Michaan. Afinal, ninguém está totalmente imune a deslizes. Nem a pessoas insuportáveis.

 

Fonte: Revista IstoÉ - Editora Três 

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 34

Nacional

04/04/2009

As lições de um golpe »

Os 45 anos da ditadura de 1964 mostram como a democracia sepultou o risco de golpes, mas ainda é preciso ficar alerta para as ameaças do Estado policialesco

Por: Octávio Costa

PASSADO MORTO Castelo Branco, o primeiro general no poder, e Costa e Silva, seu sucessor, nos tempos do arbítrio militar

Passaram-se exatos 45 anos. Entre a noite de 31 de março e a manhã de 1º de abril de 1964, os militares derrubaram um presidente legitimamente eleito e tomaram o poder. E mandaram no Brasil por 25 anos. Os civis só retomaram os cordões dos destinos nacionais após a volta da eleição direta para presidente em 1989. Saudosistas da linha dura ainda tentam comemorar o golpe encomendando missas e promovendo reuniões no Clube Militar. Mas é pura provocação. Gastam energia à toa: o maior legado dessa página sombria da P história é que a palavra golpe deixou de frequentar o vocabulário político do País. Hoje, a democracia é um valor cristalizado e inquestionável.

Não faltam motivos, sem dúvida, para celebrar a consolidação da democracia e o enterro do arbítrio. Mas nem tudo são flores. Alguns esqueletos da ditadura militar continuam a circular por aí. Um deles é a Lei de Imprensa, que impõe limitações ao trabalho dos meios de comunicação. Só agora o Supremo Tribunal Federal começou a enterrar este resquício dos anos de chumbo. Em vo tação iniciada nesta semana, os ministros do STF concordaram que a liberdade de imprensa não tem meio-termo.

Nesses tempos de liberdade, uma outra ameaça está no ar. Observa-se a volta sorrateira do Estado policialesco, que invade a privacidade das pessoas. As ações da Polícia Federal são bemvindas quando coíbem o mau uso do dinheiro público. Mas nada justifica o grampo indiscriminado e os pedidos de prisão preventiva por mero preconceito ou perseguição política. Durante a ditadura, atropelavam-se as garantias individuais. Agora, o Estado, pela ação de seus agentes, faz com que todos os cidadãos, mesmo os que nada devem, sintam-se frágeis diante dos abusos do aparato policial. Esse também é um cadáver insepulto.

E o dinheiro de Jânio?

A democracia brasileira começou a ruir no dia em que o presidente Jânio Quadros renunciou. Jânio atribuiu sua queda, em 25 de agosto de 1961, a "forças ocultas", sem jamais identificálas. Por muitos anos, afirmou-se que ele renunciou num acesso de loucura. O ex-presidente teria um comportamento paranoico. Agora, porém, essa versão caiu por terra. Maluco é quem rasga dinheiro, mas Jânio não só cuidava do seu patrimônio como aplicava parte dele no Exterior.

Ao interceptar e-mails na Operação Castelo de Areia, a PF descobriu que Jânio Quadros Neto rastreou as aplicações do ex-presidente e pediu ajuda ao doleiro Kurt Pickel: "Meu avô tinha conta no Citibank da Suíça. A conta foi fechada e o dinheiro foi transferido para uma nova conta." Pickel relatou a um advogado suíço: "São fundos provavelmente substanciais, excedendo 20 mil (segundo a PF, 20 milhões) do senhor Jânio da Silva Quadros." E mais: "O finado Jânio Quadros era um homem astuto, inteligente e, sem dúvida, escondeu bem os fundos que tinha no Exterior."

Jânio Neto nega tudo. Mas se conta no mercado financeiro que o ex-ministro Delfim Netto costumava dar a seguinte orientação a quem pretendia contribuir para as campanhas de Jânio: "Não dê dinheiro a ele. Contribua com material de campanha, faixas e santinhos." Delfim suspeitava que Jânio embolsava as contribuições financeiras. Pelo visto, estava certo.

SEM HERANÇA Jânio Quadros legou ao País a ditadura, mas seu neto (acima) ainda busca contas na Suíça

 

No polo oposto, cabe comemorar a prevalência do Estado de Direito e do império da lei. Sempre que alguém se sente prejudicado, mesmo em relação aos abusos do Estado, está aberto e facilitado o caminho para recorrer à Justiça. Contudo, ainda há distorções. Há assassinos à solta, aguardando que as ações sejam julgadas até a última instância. Em fevereiro, o STF mandou libertar presos condenados por crimes graves que ainda têm o direito de recorrer da sentença. Enquanto isso, autores de pequenos delitos mofam nas cadeias.

 

Vale comemorar também a plenitude dos direitos políticos. Mas, como contraponto, se poderia rezar uma missa pelo péssimo momento que vive a classe política. O pouco caso em relação ao destino da Nação é de estarrecer. Em vez de servir à República, o que importa é se servir da coisa pública. Com mais de dez mil funcionários e 180 diretores, o Senado esbanja o dinheiro do contribuinte sem nenhum pudor. Na Câmara, os desvios também são a norma. Os deputados enriquecem da noite para o dia e não abrem mão das benesses regimentais: quotas de passagens, auxílio- moradia, verba indenizatória, etc. Mesmo diante de denúncias, a cumplicidade fala mais alto. Cada um dos 513 deputados federais custa aos cofres públicos R$ 120 mil. E esse número vai aumentar, pois o Senado acaba de aprovar projeto que cria mais sete vagas, para representantes de brasileiros que vivem no Exterior.

 

"É ruim para a democracia o processo de autodesmoralização do Congresso", afirma David Fleischer, cientista político da Universidade de Brasília. Há quem vá mais longe e afirme que a classe política, com seus desatinos, põe a democracia em risco. O que não faz sentido. A democracia veio para ficar. E a ditadura militar ficou para trás, no século XX. O importante é não deixar nenhum cadáver insepulto. Quanto aos políticos, se não estão à altura da missão que lhes foi delegada, que não sejam reeleitos. Os idos de 1964 deixaram uma lição histórica: o melhor remédio para separar o joio do trigo é o voto. Quem faz justiça é o eleitor.

 

ANOS DE CHUMBO A polícia reprime manifestação de estudantes em Santa Catarina: cenas que se repetiram durante mais de duas décadas em todo o País

Fonte: Revista IstoÉ - Editora Três

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 33

Treinamento de policiais brasileiros despreza o lado psicológico e depressão aumenta em toda a corporação

Por: Francisco Alves Filho

O sargento da Polícia Militar Jorge Palinha, 48 anos, vai às lágrimas ao relembrar uma tarde, em 2001, em que agiu para evitar um assalto e virou alvo dos bandidos. Não morreu porque rolou várias vezes no chão sob a chuva de tiros. Quando ficou de pé não era - e jamais voltaria a ser - a mesma pessoa. Porém, ao invés de reconhecimento da parte de seus superiores sobre o dever cumprido, Palinha diz ter sido tratado com desdém por seu comandante, que levantou contra ele a suspeita de conivência com os assaltantes - acusação descartada pelo Ministério Público.

 

"Arrisquei minha vida e, em troca, vi minha honra ser jogada na lama", conta o sargento. O stress e a injustiça deixaram sequelas psicológicas: síndrome do pânico, depressão, angústia. "Passei a ser agressivo, minha mulher sofreu muito, quase atirei em meus próprios filhos", recorda, emocionado. Desgostoso com a corporação, conseguiu seu desligamento da PM do Rio de Janeiro no início de março. "O auxílio psíquico que tive ali foi zero", reclama. Recente pesquisa da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), em 18 Estados, mostra que a qualidade do atendimento psicológico aos policiais é péssima, deixando desamparados homens que diariamente se confrontam com situações de extrema tensão e, o pior, de arma na mão.

 

"O auxílio psíquico que tive foi zero. Passei a ser agressivo, minha mulher sofreu muito, quase atirei em meus próprios filhos"

Jorge Palinha, ex-policial militar

Dos 847 profissionais de saúde lotados nas polícias, apenas 7,46% são psicólogos. "A quantidade de profissionais na área de psicologia está muito abaixo do ideal", lamenta o secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri. A Senasp iniciou um Programa de Gerenciamento de Estresse em dez Estados. Os policiais confirmam a carência. Segundo o presidente da Associação de Cabos e Soldados da PM de São Paulo, Wilson Moraes, a corporação tem apenas três psicólogos para atender mais de 100 mil homens. A PM do Rio informa ter "49 oficiais psicólogos e 12 psicólogos civis", mas o presidente da Associação de Ativos e Inativos da PM, Miguel Cordeiro, afirma que não passam de dez em atividade. O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal, Wellington de Souza, faz coro: "Temos em Brasília apenas cinco psicólogos. Desde que entrei na polícia, há 20 anos, nunca mais passei por avaliação para saber se tenho condições de portar uma arma."

 

Pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz, no fim do ano passado, com 1.300 policiais militares revelou que metade deles dorme mal, sente-se tensa ou agitada. "Podemos identificar como facilitadores do sofrimento mental a falta de treinamento, a jornada excessiva, o pouco descanso e as precárias condições materiais e técnicas", afirma Maria Cecília Minayo, autora da pesquisa.

 

Fonte: Revista IstoÉ - Editora Três 

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 32

Nacional

02/04/2009

Conflito

Na tarde de quinta-feira 26, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pisou pela primeira vez no edifício-sede da Polícia Federal, o “Máscara Negra”, no Setor de Autarquias Sul de Brasília. Esteve lá, em missão oficial, para prestigiar o aniversário de 65 anos de criação da PF, mas foi colocado no meio de um novo conflito interno da corporação. 

Anfitrião da festa, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, queria aproveitar a ocasião para entregar a Lula o texto da proposta de Lei Orgânica da polícia, a ser enviada ao Congresso Nacional. O documento tem sido bombardeado pelos peritos, que veem risco à sua independência e autonomia e enxergam, nas mudanças, a reedição dos tempos da ditadura, quando os delegados tinham poder absoluto.

Por ordem do ministro da Justiça, Tarso Genro, o documento, contudo, não foi parar nas mãos do presidente, mas na mesa do ministro Paulo Bernardo, do Planejamento. De lá, seguirá para as mãos da ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. Enquanto isso, os lobbies de delegados e peritos da PF se preparam para novas batalhas a serem travadas, provavelmente no Congresso Nacional. Em jogo, há interesses dos dois lados. Os delegados não aceitam ser equiparados, inclusive do ponto de vista salarial, aos peritos (ambos ganham 13 mil reais no início de carreira, e 22 mil reais no fim). Estes não querem perder autonomia nem dinheiro, muito menos se subordinar a delegados – mas não abrem mão de permanecer vinculados ao Departamento de Polícia Federal. 

Pela interpretação dos peritos, se as regras estivessem em vigor, por exemplo, na época da Operação Satiagraha, os doze discos rígidos (HDs) encontrados pelo delegado Protógenes Queiroz atrás de uma parede falsa do apartamento do banqueiro Daniel Dantas poderiam ter ido ao lixo, e não aos Estados Unidos, se fosse essa a vontade da autoridade policial. Os HDs foram enviados aos EUA por causa da dificuldade de especialistas brasileiros em decifrar os códigos de proteção do sistema. 

“Querem criar superdelegados”, afirma Octávio Brandão, presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF). “É o perito quem decide o que vai ser coletado e analisado, a busca pela verdade real da investigação depende disso”, explica Brandão. Para ele, a interferência dos delegados, da maneira prevista no projeto de Lei Orgânica, vai gerar prejuízos às investigações. “Não vamos nos submeter a qualquer tipo de subordinação nesse sentido”, avisa o perito. 

A redação da proposta de Lei Orgânica da Polícia Federal, uma luta de mais de três décadas, foi iniciada no terceiro mês da gestão de Luiz Fernando Corrêa à frente da PF, em dezembro de 2007. Todas as entidades de classe representativas foram chamadas a participar de um grupo de trabalho. Logo em seguida, contudo, foi montada uma comissão especial, composta apenas de delegados, que tomou conta da discussão e alijou peritos, agentes e funcionários administrativos. O passo seguinte foi o de enviar o texto final ao ministro Genro, sem o conhecimento da associação dos peritos. Explica-se: na proposta, os delegados deram um jeito de subordinar o trabalho do perito à vontade da “autoridade policial”.

Essa subordinação incondicional aos delegados mexeu com a autoestima dos peritos, mas o medo maior é que, no futuro, mexa também no contracheque deles. A equiparação salarial entre peritos e delegados se sustenta, também, na igualdade de status. Alterada essa circunstância na Lei Orgânica, abre-se a possibilidade de os delegados passarem a ganhar mais. “O que nós estamos é colocando os pingos nos is, resume o delegado Marcos Leôncio Ribeiro, diretor da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF). “Quem dirige a Polícia Federal são os delegados”, sentencia.

Na proposta de Lei Orgânica, os cargos de diretor-geral e superintendente regional passam a ser exclusivos de delegados federais. Ao longo dos anos, a PF já foi dirigida por delegados civis, como o senador Romeu Tuma (PTB-SP), no governo José Sarney, e coronéis do Exército, como o ex-diretor Wilson Romão, no governo Itamar Franco.

Paira sobre essa batalha sindical a sombra do Ministério Público Federal, um aliado poderoso da PF nas investigações, mas que tem pretensões de investigar sozinho. O assunto deverá ser tratado e definido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ainda neste ano. No caso, as torcidas são diferentes. Muito da disposição dos delegados em elaborar uma Lei Orgânica voltada para o fortalecimento da categoria tem a ver com a parceria folgada entre os peritos e o MP. Atualmente, os procuradores podem requisitar perícias diretamente ao Instituto Nacional de Criminalística (INC), central de perícia vinculada à PF, sem dar nenhuma satisfação aos delegados. “Isso, uma hora, acaba se voltando contra nós”, reage o delegado Ribeiro. “O Ministério Público pode até investigar, mas com a Polícia”, avalia.

Toda a diretoria da associação de peritos, inclusive os 27 diretores regionais da APCF, esteve reunida em Brasília para elaborar um contra-ataque à ofensiva dos delegados. Eles não aceitam se desvincular da PF, mas não têm intenção de abrir mão da autonomia total na análise e produção de provas. “O que os delegados estão propondo é a clara ingerência no nosso trabalho, com vistas a fazer um direcionamento na conclusão das perícias”, afirma Adilson Carvalho Silva, da superintendência da PF na Bahia. “Isso é uma ação de governos totalitários que vai gerar prejuízos para a polícia e para a sociedade”, diz.

Segundo Adilson Silva, o risco de perder autonomia, inclusive nas relações com o Poder Judiciário, poderá gerar uma estrutura muito centralizada, com risco de manipulação na coleta e análise das provas. O primeiro passo para isso, diz Silva, foi dado antes mesmo da apresentação do anteprojeto de lei montado no Ministério da Justiça. Embora ainda não tenha saído do papel, há uma ordem do diretor-geral Luiz Fernando Corrêa de criação de câmaras técnicas para avaliar e reestruturar os vários setores da perícia federal. “Isso, na verdade, é um esforço de padronização e controle”, diz o perito baiano. “Não é possível aprisionar a metodologia científica em um só modelo”, afirma.

Nenhum dos dois lados sabe ainda o que vai acontecer. Uma vez enviada ao Congresso, a proposta oficial da PF vai se chocar com um projeto de lei sobre o mesmo tema, de autoria do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), aprovado na Câmara e enviado ao Senado Federal. Há, ainda, uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) em trâmite na Câmara. Outro projeto, de reestruturação da polícia, coloca em campos opostos, desta vez, agentes e delegados. Mal formulado, o texto prevê que agentes em fim de carreira ganhem mais do que delegados iniciantes. Alheio ao tamanho da briga por trás da festa dos 65 anos da PF, o presidente Lula ainda brincou com o assunto. “Vocês tomem conta desse projeto lá (no Ministério do Planejamento), senão ele acaba sumindo”, disse, diante de uma plateia visivelmente desconfortável.

Fonte: Carta Capital

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 31

Nacional

24/03/2009

Minuta
Proposta causa polêmica na PF »

A minuta do projeto de lei com a nova proposta de lei orgânica da Polícia Federal (PF) que está sendo concluída pelo Ministério da Justiça vem provocando polêmica entre as três principais categorias que compõem a instituição. Delegados, peritos e agentes disputam a autonomia funcional e a independência no trabalho para a elaboração do relatório final das investigações de crimes federais. A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (CPCF) denuncia que a última versão do projeto acaba com a independência da perícia científica prevista no Código de Processo Penal. “A proposta como está contraria todas as evoluções que estão sendo adotadas em todo o mundo para que as investigações sejam mais precisas. O que os delegados estão querendo é inadmissível”, protesta o presidente da associação, Octávio Brandão.

Os peritos se consideram auxiliares da Justiça e não apenas servidores da estrutura policial. Eles não querem a subordinação aos delegados. Temem interferência no trabalho. O receio da associação da categoria é que a lei orgânica termina concentrando poderes nas mãos dos delegados, deixando as demais categorias sujeitas a interferências não desejadas em uma investigação. Ontem, a APCF enviou ofício ao ministro da Justiça, Tarso Genro, protestando pela manutenção do texto do projeto de lei.

Há duas semanas, o texto vem sendo negociado entre representantes das categorias e assessores do Ministério da Justiça. A cada inclusão de previsão de autonomia expressa dos peritos, os delegados conseguiam retirar a proposta do texto com a sua força política e o apoio da direção-geral da PF. O novo texto dá maiores poderes aos delegados que conseguiram inserir no projeto a exclusividade na ocupação de cargos da direção-geral. Pela minuta, a partir de agora, nenhuma pessoa poderá assumir a direção-geral da instituição se não for delegado de carreira da ativa e em atividade na corporação. Segundo o chefe de gabinete do Ministério da Justiça, Ronaldo Teixeira da Silva, a autonomia técnico-científica dos peritos e a garantia de independência das demais categorias serão contempladas no texto final do anteprojeto.

Se for aprovado como está, o projeto de lei encerrará um ciclo interrompido no governo Fernando Henrique Cardoso, quando oficiais das Forças Armadas eram empossados na chefia da PF. Além disso, não permitirá que profissionais aposentados ou abaixo da classe especial —a última da categoria — galguem o posto. O delegado Paulo Lacerda, por exemplo, que ficou por quatro anos na instituição, não poderia ter ocupado o cargo, já que estava aposentado há mais de cinco anos quando foi designado.

Na prática, o projeto vai inserir na legislação o que já vinha sendo praticado. Nos últimos 12 anos, a PF sempre foi comandada por delegados da própria corporação. O último militar a dirigir a instituição foi o coronel da reserva Wilson Romão, durante o governo Itamar Franco. “Não tínhamos nenhuma normal legal. Quem quisesse romper o padrão, poderia fazê-lo”, explica o delegado Marcos Leôncio Souza Ribeiro, que participou da comissão encarregada da elaboração da nova lei. “O que fizemos foi transferir a realidade para a legislação”, acrescenta.

A lei orgânica da PF vai deixar de fora uma das principais reivindicações dos agentes, escrivães, peritos e papiloscopistas que queriam uma carreira única. Segundo o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Marcos Wink, isso não quer dizer que o caso será esquecido. “Vamos sempre trabalhar pela carreira única”, afirma o sindicalista.

Fonte: Correio Braziliense

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 30

17/03/2009

Cuidado

Sua rotina pode ser mortal! »

Por: Humberto Wendling


Imagine que você participou de um treinamento de autodefesa policial que incluiu estatísticas sobre policiais mortos, histórias terríveis sobre violência, e talvez um ou dois assassinatos gravados por circuitos de TV.



Você terminou o curso impressionado com o potencial de ser a próxima vítima do crime e da violência mesmo sendo um policial. Então, você fica alerta, consciente, observa as redondezas, sendo mais cauteloso sobre pessoas que considera potencialmente suspeitas. Mas, quantos dias você acha que isso vai durar?


Com o tempo, a ausência de consequências perigosas reais faz você relaxar. E apesar de você estar interessado na sua segurança e possuir o conhecimento do que deve ser feito, você não consegue agir adequadamente. Suas habilidades de sobrevivência, seu estado de alerta logo começam a desaparecer. Por quê?



Porque o cérebro está orientado para automatizar comportamentos repetitivos, pois é a maneira como os seres vivos trabalham. Muito do comportamento humano diário é automatizado, e isso acontece sem você perceber.



Psicólogos estimam que mais de 90% desse comportamento humano diário ocorre sem consciência ou pensamento deliberado. Atividades repetitivas tornam-se ações automáticas para liberar sua atenção para coisas que são novas, desconhecidas ou ameaçadoras. Se não fosse dessa maneira sua mente ficaria sobrecarregada e seria sobrepujada com a mais simples das tarefas.



Assim, pessoas expostas periodicamente a lugares altos reduzem seu medo de altura. Pessoas com dificuldade de falar em público sentem-se mais confiantes em frente desse público depois de exposições habituais. Do mesmo modo, pessoas que são rotineiramente expostas a situações potencialmente perigosas tornam-se menos cuidadosas em tais situações. Isso se chama habituação.



É bem verdade que o hábito ou a rotina facilita e põe ordem no seu trabalho e na sua vida, pois é sua experiência acumulada ao longo do tempo trabalhando para você de modo automático. Contudo, exposições habituais a determinadas ocorrências, mesmo que perigosas, entediam seu mecanismo de autodefesa. Então, a rotina trabalha contra você quando se é exposto muitas vezes a situações potencialmente arriscadas onde nada acontece, e depois de uns 10 anos, ela mata um número considerável de policiais.



De acordo com os relatórios anuais do FBI sobre policiais mortos e agredidos, o tempo médio de serviço dos policiais mortos nos Estados Unidos é de 10 anos, e a média de idade desses policiais é de 36 anos. Nem um “novinho”, nem um “antigão”, mas alguém no meio da carreira, se você considerar que um policial brasileiro precisa ter 20 anos de serviço estritamente policial para se aposentar.



“Nada é rotina!”, “Evite a rotina!” e “Os maiores inimigos do policial são: a rotina e o excesso de confiança!” são algumas das frases que nós, instrutores, repetimos desde que começamos a falar sobre sobrevivência policial. Mas, você já deve estar cansado de ouvir isso!



A realidade é que barreiras policiais, buscas e apreensões, prisões, entrega de intimações, entrevistas e interrogatórios, condução de presos e outras ocorrências onde nada acontece são, de fato, rotina. Você pode chamá-las do que quiser como “baixo risco”, “alto risco”, mas o nome não altera as mudanças inconscientes que ocorrem dentro da sua mente quando você realiza tarefas sem consequências centenas de vezes ao longo dos anos.



O fato é que palavras ou frases não protegem nem matam policiais. Mas, o que você precisa perceber é que atividades diárias realizadas repetidas vezes, ano após ano, tornam o risco inerente cada vez mais invisível, e quando isso acontece você tende a fazer uma de duas coisas: se torna complacente com os perigos dessas atividades ou aumenta sua exposição ao risco para satisfazer sua necessidade natural de emoção. As duas coisas caminham lado a lado e se complementam. Não é por acaso que a complacência e o comportamento de risco estão diretamente ligados a um grande número de policiais mortos não só por criminosos, mas também por acidentes.



Você também precisa entender que enquanto abordagens de modo geral tendem a ser a atividade mais comum, qualquer coisa pode se tornar rotina se feita muitas e muitas vezes sem que algo ocorra para estimular sua percepção de que qualquer operação é um evento desconhecido cheio de riscos e imprevistos.



Talvez você não acredite, mas o perigo, o risco e a incerteza são alguns componentes que tornam o trabalho policial atraente para muitos policiais ou pelo menos para os policiais natos. Por isso, eles têm não só certa tolerância ao perigo, mas uma verdadeira necessidade dele. Não é incomum esse tipo de policial se sentir desestimulado e “sem rumo” ao ser designado para atividades administrativas ou consideradas sem importância.



É fato que alguns policiais ajustam seu comportamento para manter a exposição ao risco no nível que precisam. Eu chamaria isso de regulador fatal.



Deste modo, se a rotina torna o risco existente na atividade policial invisível, você irá inevitavelmente assumir riscos adicionais. E isso acontece quando você não espera o reforço, avança um sinal vermelho sem diminuir a velocidade, entrega sozinho uma intimação, vai só ao encontro com um informante, algema o preso para frente ou não algema, dorme dentro da viatura, confia na denúncia anônima, etc. Mas a verdade é simples: quanto maior o risco assumido, maior a chance de você morrer.



Não estou dizendo que policiais querem ser mortos, mas eles procuram estar presentes em uma variedade de situações arriscadas ou não se sentem policiais. Afinal de contas, eles correm em direção ao perigo, e não ao lado da multidão em pânico.



O mesmo tende a ocorrer com a complacência. Nada melhora suas habilidades de sobrevivência quanto ter um criminoso tentando ferí-lo ou matá-lo. O problema com este tipo de “motivação” é que você se arrisca a ser ferido gravemente ou morto no mundo real. E essa não é uma espécie de motivação que faça qualquer sentido.

 

Portanto, é hora das organizações policiais introduzirem gradualmente treinamentos que previnam a complacência e o comportamento de risco independentemente do tempo de serviço dos policiais. Pois é tarefa de cada policial se preparar para estar no auge da capacidade de sobrevivência, não importando as vezes que você já atendeu o mesmo tipo de ocorrência, na mesma cidade, no mesmo bairro, no mesmo comércio, procurando pelo mesmo bandido de sempre, no mesmo beco, nestes últimos 10 anos.

 

 

Humberto Wendling é Agente de Polícia Federal e Instrutor de Armamento e Tiro

lotado na Delegacia de Polícia Federal em Uberlândia/MG.

 

humberto.wendling@ig.com.br

Fonte: Agência Fenapef

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 29

13/03/2009

Sindical

Informe sobre a Lei Orgânica da Polícia Federal »

Os policiais federais têm como objetivo organizar, de fato, o Departamento de Polícia Federal em carreira, visto que assim determina a Constituição Federal. Não obstante a questão legal, isso se faz necessário, pois haverá de qualificar as funções de comando, através da experiência em razão do exercício diário da atividade policial. Os delegados federais, por sua vez, obstinados pelo poder, sonhadores com a carreira jurídica, colocam-se radicalmente contra, sob a alegação de que a nossa ciência não é a policial, mas ciência jurídica.  Em que pese essa reação, a luta pela carreira será permanente.


Há muitos anos, a FENAPEF participa de discussões sobre a lei ôrgânica. Nesse período, vimos nossos esforços serem frustrados pelas ações reacionárias dos delegados. Com base nesse acúmulo de experiências, o Conselho de Representantes da Federação, que é composto pelos presidentes dos 27 sindicatos filiados, construiu uma pauta mínima para que pudéssemos avançar, e dar início à democratização da polícia, que consiste nos seguintes itens:


a-    -  Unificação dos cargos de escrivão, agente e papiloscopista;

b-    - Reconhecimento expresso da atividade desses cargos como de nível superior;

c-     - Redefinição de atribuições compatíveis com o nível de escolaridade exigida dos PPFs, EPFs e APFs.

d-    -  Equiparação do teto salarial dos referidos cargos com os subsídios de delegados e peritos posicionados na segunda classe da carreira.

 

Quanto à unificação dos cargos, a entidade de classe dos delegados se coloca contra.  O Diretor-Geral, por sua vez, propõe que se faça essa discussão mais à frente. Ele se compromete a criar vagas para servidores administrativos, com concurso específico, para trabalharem em cartórios, desonerando os escrivães da intensa atividade burocrática cartorial.

 

Os demais itens apresentados, segundo informações do chefe de gabinete do Ministério da Justiça, foram aprovados pelo ministro Tarso Genro. Essa decisão gerou sério desconforto entre os delegados, que estão pressionando a Direção-Geral, assessores do ministro e pedindo apoio a outras entidades de delegados da Polícia Civil, sob as mais esdrúxulas alegações, inclusive a de quebra de hierarquia.

 

Há de se consignar que na minuta inacabada de LO constam algumas soluções de problemas pelas quais há muito a FENAPEF vem lutando, tais como: reenquadramento dos policiais da terceira para a segunda classe; criação de auxílio-fronteira (de 5 a 20% do valor dos subsídios); aumento substancial no valor das diárias etc. Há também vinculação salarial, onde os APFs, EPFs e PPFs não poderão receber menos que 60% dos subsídios de delegados e peritos de classes análogas.

 

Segundo a Direção-Geral, há um compromisso de, concomitantemente à sanção da lei, se publicar uma portaria, criando funções de chefias de NO e de Núcleos de Inteligência, em todas as delegacias, funções essas que obrigatoriamente serão ocupadas por APFs. Nas delegacias das  superintendências serão criadas chefias de cartório, que serão ocupadas exclusivamente por EPFs.

 

Há uma promessa do chefe de gabinete do ministro que a minuta do anteprojeto seria entregue muito em breve. Assim que a FENAPEF a tiver em mãos encaminhará a todos os sindicatos, como tem feito regularmente com as informações sobre o assunto,  para que os mesmos façam assembléias, pois a decisão final será de toda a categoria.

 

                                                                                                     A Diretoria

Fonte: Agência Fenapef

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 28

VEJA

A tenebrosa máquina do Dr. Protógenes » 07/03/2009

Documentos provam que o delegado Protógenes Queiroz bisbilhotou ilegalmente a vida de autoridades. Pior, ele dizia agir em nome do presidente Lula, cujo filho Fábio Luís teria sido, nas palavras do policial,

Por: Expedito Filho

ESPIONAGEM OFICIAL?
Em depoimento à Polícia Federal, um dos espiões da Abin destacados para participar da Operação Satiagraha disse ter ouvido do delegado Protógenes Queiroz que o presidente Lula queria a investigação porque seu filho Fábio Luís da Silva (abaixo, à dir.) "teria sido cooptado por essa organização criminosa"


Fotos Pablo Valadares, Andre Dusek e Alex Silva/AE

 

A Operação Satiagraha, da Polícia Federal, conduzida pelo delegado Protógenes Queiroz, será lembrada como um sucesso por ter conseguido o feito inédito na história do combate à corrupção no Brasil de levar à condenação na Justiça Criminal um ex-banqueiro – no caso, Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity. Mas a operação também ficará marcada para sempre por ter servido de fachada para o funcionamento de uma máquina ilegal de espionagem que, em ousadia e abrangência, também não tem paralelo na história brasileira. Protógenes, que durante um ano e meio comandou a Operação Satiagraha, está sendo investigado por tais abusos pela própria Polícia Federal. O inquérito em andamento tem como uma de suas principais fontes de evidências o conteúdo do computador apreendido por policiais na casa de Protógenes. Na semana passada, VEJA teve acesso à integra desse material. O conteúdo é estarrecedor e prova que o delegado centralizava o trabalho de uma imensa rede de espionagem que bisbilhotou secretamente desde a vida amorosa da ministra Dilma Rousseff até a antessala do presidente Lula, no Palácio do Planalto – passando pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo governador José Serra, além de senadores e advogados.

 

Nos documentos encontrados na residência do delegado há relatórios que levantam suspeitas graves sobre as atividades de ministros do governo, fotos comprometedoras que foram usadas para intimidar autoridades e gravações ilegais de conversas de jornalistas – tudo produzido e guardado à margem da lei. O material clandestino – 63 fotografias, 932 arquivos de áudio, 26 arquivos de vídeo e 439 documentos em texto – foi apreendido em novembro do ano passado pela Polícia Federal e estava armazenado em um computador portátil e em um pen drive guardado no apartamento do delegado no Rio de Janeiro. Os policiais buscavam provas de ações ilegais da equipe de Protógenes, entre as quais o áudio da interceptação clandestina de uma conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres. A existência do grampo foi revelada a VEJA em agosto do ano passado por um agente da Abin que participou da Operação Satiagraha como encarregado da transcrição de centenas de outras conversas captadas ilegalmente. O resultado final da investigação deve ser anunciado até maio, mas, pelo que já se encontrou nos arquivos pessoais de Protógenes, não resta mais sombra de dúvida sobre a extensão de suas ações ilícitas, cuja ousadia sem limite chegou à antessala do presidente Lula e a seu filho Fábio Luís.

 

Joel Silva/Folha Imagem

ZECA DIABO
O ex-ministro José Dirceu foi um dos principais alvos dos arapongas do delegado Protógenes. Num dos relatórios, o petista é chamado de Zeca Diabo, numa referência ao personagem de um pistoleiro de novela. Os espiões relatam supostas negociatas envolvendo Dirceu

 

A investigação da corregedoria da Polícia Federal reconstituiu parte dos bastidores da Satiagraha. O delegado Protógenes Queiroz foi encarregado pelo ex-diretor da arapongagem federal, a Abin, delegado Paulo Lacerda, de montar uma equipe para se dedicar exclusivamente às investigações sobre o banqueiro Daniel Dantas. Em maio de 2006, VEJA publicou uma reportagem revelando que o banqueiro havia montado, com a ajuda de espiões internacionais, um dossiê para constranger autoridades do governo, entre elas o presidente Lula e o próprio Lacerda – que cedeu "informalmente" espiões da agência para ajudar o delegado. Protógenes recrutava os espiões com o argumento patriótico de que eles estavam sendo convocados para uma "missão presidencial". A suposta ordem do presidente e o nome de Fábio Luís da Silva surgiram nos depoimentos dos arapongas. Um deles, Lúcio Fábio Godoy, contou aos policiais que ouvira de Protógenes que Lula tinha interesse na investigação porque "seu próprio filho teria sido cooptado por essa organização criminosa". Não se sabe com que autoridade o delegado Protógenes usou o nome do presidente Lula. A suposta "cooptação" do filho do presidente pela organização criminosa se deve a um fato bastante conhecido. Em 2004, a Brasil Telecom, empresa de telefonia então controlada por Dantas, contratou a Gamecorp, produtora de games do filho do presidente. Pelo contrato, Dantas dava 100.000 reais por mês a Fábio Luís.

 

Os depoimentos contidos nos nove volumes do inquérito comprovam de modo irretorquível que os arapongas da Abin participaram massivamente da Satiagraha e, pior, manusearam as conversas telefônicas interceptadas pela PF – o que é expressamente ilegal. O espião Jerônimo Jorge da Silva Araújo, por exemplo, contou ao delegado Amaro Vieira, responsável pelo inquérito que apura o vazamento da Satiagraha, que sua função na equipe consistia em degravar áudios da investigação. Ele trabalhava clandestinamente no quarto de um hotel de São Paulo e tinha acesso ilegal ao sistema Guardião, que organiza as gravações feitas pela PF e registra todos os usuários. Há um detalhe especialmente perturbador no depoimento do araponga. Diz Jerônimo: "Na base do hotel, eu acessava outro tipo de sistema, do qual não me recordo o nome, mas posso afirmar que era um sistema diferente do Guardião e que os áudios que eram acessados pareciam estar gravados no próprio computador que era utilizado para degravação". A afirmação do espião é grave: o único sistema utilizado oficialmente pela PF para acessar grampos é o Guardião. Por que recorrer a "outro sistema"? E por que recorrer a alguém da Abin para fazer isso? São perguntas que esperam respostas claras e inequívocas das autoridades.

 

Dida Sampaio/AE

COVARDIA
Os arquivos de Protógenes têm documentos com referências cruas até à vida amorosa da ministra Dilma Rousseff

 

Os arquivos de Protógenes mostram um especial interesse pelas atividades do ex-ministro José Dirceu. O delegado e seus arapongas apelidaram o petista de "Zeca Diabo" – nome de um matador de aluguel da primeira novela em cores do Brasil, O Bem Amado. Um dos documentos, arquivado sob o nome "Informações Zeca", relata que o ex-ministro-chefe da Casa Civil "embarcou ontem, 17/04, para o Panamá. De lá, segue um roteiro internacional de negócios até 10 de maio". Em outros trechos, os espiões escrevem sobre possíveis negócios do ex-ministro e supostos encontros de Dirceu com deputados envolvidos no escândalo do mensalão. O petista já havia reclamado ao presidente Lula que estava sendo monitorado ilegalmente. Em vão. No ano passado, o escritório dele foi arrombado. Os invasores só levaram um computador e documentos. Até a petista Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil e pré-candidata à Presidência da República, foi alvo dos espiões. Em um documento, eles descrevem em termos grosseiros supostas relações amorosas da ministra, cujo parceiro eles identificam. Como e por que essas barbaridades interessaram ao delegado Protógenes a ponto de ele as guardar em seu computador é algo que o inquérito da PF sobre ele deverá esclarecer. A existência em si desses registros na casa de um servidor é um escândalo administrativo de grandes proporções. Quando se acrescem os métodos clandestinos utilizados para produzi-los, a máquina de espionagem do Dr. Protógenes começa a tomar ares mais tenebrosos.

 

Um desses documentos está arquivado sob a rubrica "Confidencial e Privilegiado", com data de 11 de janeiro de 2005. Ali, apresenta-se o resultado de uma detalhada investigação sobre a relação do atual ministro Roberto Mangabeira Unger com o Opportunity. Mangabeira nunca foi investigado formalmente no decorrer da Operação Satiagraha, e sua proximidade com Daniel Dantas é notória há anos. Quando Lula o convidou para assumir a recém-criada Secretaria de Assuntos Estratégicos, o professor foi obrigado a comprovar que não mantinha mais relações contratuais com a turma de Daniel Dantas. Mesmo assim, a nomeação de Mangabeira causou desconforto em setores do PT que sempre combateram os métodos criminosos do ex-banqueiro – situação perfeita para acionar a mente paranoica do delegado Protógenes. Como o relatório final da Operação Satiagraha demonstrou, o raciocínio bicolor do delegado não comporta meios-termos nem nuances. Se Mangabeira já esteve no bolso de Daniel Dantas, ele fatalmente entrou no governo para servir ao banqueiro. Simples assim. Embora não haja nenhuma evidência de que Mangabeira tenha feito qualquer tipo de gestão favorável ao banqueiro, Protógenes empenhou-se em investigar clandestinamente o professor.

 

Beto Barata/AE

OUSADIA
Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete da Presidência da República, foi monitorado pela equipe do delegado Protógenes: a bisbilhotagem bateu à porta do presidente Lula

 

Num documento intitulado "Caso Mangabeira", há cópia de contratos assinados entre o professor e o Opportunity, assim como planilhas de pagamentos feitos pelo banqueiro a Mangabeira, entre os anos de 2002 e 2005, enquanto o professor trabalhava para Dantas. Mas Protógenes foi além. Citando "evidências colhidas pela BT (Brasil Telecom)", ele – ou quem quer que tenha produzido o relatório – afirma que Mangabeira viajou a Nova York no dia 29 de janeiro de 2004 para se encontrar com os arapongas da Kroll, agência de investigação contratada pelo banqueiro para espionar seus adversários. Em 2004, a Polícia Federal desmontou o esquema de espionagem criado pela Kroll contra os inimigos de Dantas – entre eles, o ex-ministro Luiz Gushiken. Mangabeira, frise-se, nunca foi acusado de cometer nenhuma ilegalidade. Não se sabe como o delegado obteve as informações e os documentos sobre o ministro, mas, uma vez de posse deles, Mangabeira foi promovido a "político associado" do grupo Opportunity num organograma secreto, preparado pelos arapongas. O ministro não é o único "político associado". Ele está ao lado do nome dos senadores Heráclito Fortes, do DEM do Piauí, e ACM Júnior, do DEM da Bahia. Heráclito é amigo do empresário Carlos Rodenburg, sócio de Dantas, e atua como defensor do grupo Opportunity no Congresso. A inclusão do nome de ACM Júnior, no entanto, é misteriosa. Não se sabe qual seria a relação dele com Dantas.

 

O ápice da metodologia de trabalho de Protógenes está registrado num relatório da PF classificado como "confidencial", com data de 12 de junho do ano passado. Nele, o delegado diz que tem sido "alvo de constantes vigilâncias". A única "vigilância" que Protógenes cita no documento teria acontecido no restaurante Original Shundi, em Brasília. Na noite anterior à elaboração do documento, o delegado diz que jantava no restaurante quando o advogado Nélio Machado, que trabalha para Dantas, se sentou numa mesa próxima, acompanhado de um grupo de "pessoas não identificadas". Narra o relatório: "(Os advogados) passaram a se comportar em (sic) atitudes suspeitas, o que por dever de ofício obrigou o DPF Queiroz a sacar o celular e fazer o registro fotográfico das pessoas que ali se encontravam" – o que, de fato, Protógenes fez. As fotos estavam no computador do delegado e mostram o advogado e seus amigos... jantando. Muito suspeito. Durante meses, o delegado Protógenes espalhou que o advogado Nélio Machado estava acompanhado de assessores do ministro Gilmar Mendes, em uma clara insinuação de que haveria uma relação promíscua entre o presidente do STF e a defesa do banqueiro. Ele dizia que tinha fotos que provavam o encontro. Nunca as mostrou. Agora a razão disso ficou clara. Quando a Polícia Federal identificou as pessoas que são vistas nas imagens, o blefe de Protógenes apareceu em toda a sua pomposa falsidade. Foi mais uma tentativa criminosa do delegado de atingir o presidente do STF, portanto, chefe de um dos poderes independentes da República.

 

Dida Sampaio/AE

O CONSULTOR
Mangabeira Unger, ministro de Assuntos Estratégicos, mereceu um relatório à parte. Os espiões levantaram seus contratos com o ex-banqueiro Daniel Dantas e até as despesas de uma viagem que ele fez a Nova York, a serviço do grupo Opportunity

 

O material apreendido pela PF está dividido em duas partes. Uma delas é formada por relatórios policiais, gravações telefônicas e ambientais, vídeos, planilhas e transcrições de conversas interceptadas. São peças do inquérito, comandado por Protógenes, que investigou Daniel Dantas, obtidas pelo delegado com base em diligências autorizadas pela Justiça. É estranho que Protógenes tenha aberto um baú em casa para guardar documentos sigilosos que deveriam integrar apenas o inquérito oficial. A segunda parte do material, porém, é bem mais que isso. Ela reúne gravações telefônicas de conversas entre membros da comunidade de inteligência e dirigentes da Abin, fotografias, imagens de pessoas que não eram investigadas na operação e informes de arapongas sobre a vida íntima e profissional de autoridades e ex-autoridades. A polícia ainda não conseguiu abrir alguns documentos apreendidos com a equipe do delegado e que estão protegidos por senhas de acesso, com codinomes como "Tucano", "FHC" e "Serra". Os arquivos de Protógenes Queiroz continham até um manual detalhado sobre como operar um equipamento clandestino de interceptação de telefonemas e mensagens de celular. Interceptações autorizadas pela Justiça são feitas pelas companhias telefônicas e seu conteúdo é armazenado em computadores da Polícia Federal. Por que será que Protógenes Queiroz guardava um manual assim em casa?

 

Uma pista pode ser encontrada no próprio baú digital do delegado. Analisados em seu conjunto, os documentos apreendidos mostram que gravações ilegais eram uma de suas principais ferramentas de investigação. Uma das investidas mais perversas foi usada pela turma do delegado contra a jornalista Andréa Michael, da Folha de S.Paulo. Andrea é autora de uma reportagem, publicada em abril passado, que noticiou a investigação da PF sobre Daniel Dantas. A reportagem levou os advogados do banqueiro a fazer uma varredura na Justiça Federal de São Paulo em busca de detalhes da investigação e despertou a ira da turma do delegado Protógenes. No pen drive do delegado foi encontrado um vídeo, de 7 minutos e 39 segundos, no qual a jornalista aparece conversando com um emissário dele. Não há nada que a desabone, o que não impediu Protógenes e sua equipe de vinculá-la no inquérito à "organização criminosa" e pedir sua prisão preventiva. O vídeo é uma prova de como a equipe do delegado utilizou expedientes ilegais e clandestinos para investigar pessoas que não eram alvo de sua operação. É a constatação também de que a ausência de provas não foi obstáculo para incluir essas mesmas pessoas no inquérito.

Alan Marques/Folha Imagem

O ALIADO
O senador Heráclito Fortes é apontado pelos arapongas como defensor dos interesses de Daniel Dantas no Congresso. Seu nome consta como "político associado" no organograma dos espiões

Há uma vertente importante que deve ser apurada sobre a famosa Satiagraha – o consórcio formado entre a polícia, o Ministério Público e a Justiça. As ilegalidades da operação podem acabar livrando da cadeia um vilão do calibre de Daniel Dantas. Por causa disso, o juiz do caso, Fausto de Sanctis, está sob investigação da corregedoria da Justiça Federal. Já o Ministério Público, desde que foi regulamentado, em 1988, não apresentava uma atuação tão incomum. Em São Paulo, procuradores, em vez de apurar os abusos denunciados, tentaram usar todos os instrumentos legais para manter intacto o conteúdo dos computadores do delegado. Os procuradores chegaram a bater de frente com o juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Federal, que já informou que pretende solicitar vários procedimentos sobre as ações clandestinas do delegado Protógenes – e conta para isso com o apoio do Conselho Nacional de Justiça. O deputado Marcelo Itagiba, presidente da CPI dos Grampos, disse que ainda não examinou os documentos, que chegaram à comissão apenas na semana passada. "Mas tudo parece muito grave e, se confirmado, vou pedir a prorrogação dos trabalhos", garantiu o parlamentar ao ser informado do conteúdo. O delegado Protógenes não foi encontrado. Um dos arquivos de seu computador mostra que ele estava se dedicando a escrever uma autobiografia. Título: "Protógenes, a Lenda".

Beto Barata/Folha Imagem

O ASSOCIADO
O senador ACM Júnior, do Democratas da Bahia, também é citado no organograma do delegado Protógenes como parceiro de Dantas. Os relatórios não explicam por que o nome dele foi incluído entre os suspeitos dos arapongas

 

Alan Marques/Folha Imagem

PUNIÇÃO
O deputado Marcelo Itagiba vai analisar os arquivos e deve pedir a prorrogação dos trabalhos da CPI: "Isso é grave"

 

Andre Dusek/AE

BLEFE
Para atingir Mendes, do STF, o delegado espalhou que assessores dele aparecem nesta foto ao lado do advogado de Dantas, Nélio Machado (no detalhe). A PF identificou as pessoas da foto. Não há assessores de Mendes. Era mentira de Protógenes

 

 

Com reportagem de Alexandre Oltramari e Diego Escosteguy

Fonte: Revista Veja - Editora Abril

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 27

07/03/2009

Investigadores punidos pagavam para ter cargo de volta »

Um vídeo reforça a denúncia de que um advogado negociava cargos na polícia de São Paulo em nome de seu primo, o ex-secretário adjunto de Segurança Malheiros Neto

Por: Kalleo Coura

FLAGRANTE
Valente e seu interlocutor combinam dividir os lucros que conseguirem com novos clientes

 

Para ganhar o benefício da delação premiada, o investigador Augusto Pena, preso no ano passado, fez uma série de denúncias acusando colegas e superiores de "vender" cargos de direção na Polícia Civil de São Paulo. Pena está detido desde abril, acusado de sequestro e tentativa de extorsão. Entre as acusações que fez, estava a de que o ex-secretário adjunto de Segurança Pública Lauro Malheiros Neto havia negociado cargos com três delegados e "vendido" a reintegração de outros três policiais demitidos por tentativa de extorsão. Por caso, Malheiros Neto teria recebido entre 100 000 e 250 000 reais. O intermediador seria o advogado Celso Augusto Valente, primo e ex-sócio de Malheiros. Na semana passada, as denúncias de Pena ganharam áudio e vídeo. Numa gravação recebida pelo Ministério Público, o advogado Valente surge, de terno e óculos escuros, negociando com um investigador sua absolvição num processo administrativo. Em um trecho, ele diz ao seu interlocutor, identificado apenas como José Luiz: "Esse negócio de PA, parecer administrativo, é tudo baboseira. É um carimbo, um risco e já era". Noutro, procura vender seu peixe dizendo que as pessoas não têm "ideia do conceito que o Laurinho tem com o governador do estado". Lauro Malheiros Neto diz que foi "tudo armação" – inclusive o vídeo.

 

Chamou particularmente atenção o pedaço da conversa em que, indagado sobre como um delegado poderia se transferir do Departamento de Polícia Judiciária da capital para o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), o advogado Valente sugere que seria preciso ter em mãos entre 200 000 e 300 000 reais. O dado curioso é que o salário líquido médio de um delegado, no estado de São Paulo, gira em torno de 6 500 reais. Sendo assim, por que razão alguém se comprometeria em pagar, na melhor das hipóteses, quase dois anos e meio de salário adiantado para assumir um cargo que lhe renderia praticamente o mesmo salário que o anterior?

 

Nilton Fukuda/AE

"LAURINHO"
Lauro Malheiros Neto: para ele, é "armação". Mas com vídeo e tudo?

Uma das pistas para chegar a essa resposta está, por exemplo, num endereço da Rua Santa Ifigênia, no centro de São Paulo. Lá, bem debaixo do nariz dos policiais, mais precisamente a 100 metros do 3º Distrito Policial, funciona um dos maiores polos de distribuição de produtos pirateados no Brasil. "Nas divisões de narcóticos, antipirataria e nos Detrans, há um contexto de oportunidades propícias à corrupção", explica Claudio Beato, coordenador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Uma série de pesquisas mostra que cerca de 1,5% da população de regiões metropolitanas já foi extorquida por policiais civis. "Ninguém tem interesse em comprar um cargo para a Divisão de Homicídios, onde a possibilidade de vender facilidades é praticamente inexistente", diz Beato. Para resumir, policiais corruptos querem determinados cargos – e pagam por isso – pelo mesmo motivo que políticos do PMDB: para fazer "negócios" muito, muito lucrativos.

 

Fonte: Revista Veja - Editora Abril

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 26

06/03/2009

Modernização

PF aposta em nova arma contra o crime »

O velho fichário policial está com os dias contados. A Polícia Federal começa a montar, a partir de maio, o primeiro banco de dados nacional com o perfil de criminosos através da coleta de DNA. Aprovado pelo Ministério da Justiça em dezembro do ano passado, o projeto terá a parceria do FBI, a polícia federal americana, que cederá de graça um software – conhecido como sistema Codis – com as características genéticas dos criminosos.

– A investigação policial passará por uma revolução – diz o chefe da Diretoria Técnico-Científico (Ditec) da PF, Paulo Roberto Fagundes, um dos mentores do projeto.

Com capacidade para armazenar até 250 mil perfis de criminosos por estado, o Codis vai ajudar a polícia no esclarecimento de casos como homicídio e estupro, mas poderá auxiliar também na busca de pessoas desaparecidas ou na identificação de vítimas de acidentes aéreos.

O servidor ficará numa ala do Ditec em Brasília, mas poderá ser acessado pelas polícias estaduais que firmarem convênio com a Polícia Federal. Uma vez traçado o perfil genético de homicidas na rede, os dados poderão ser cruzados com o material coletado por peritos em locais de crime. Segundo Fagundes, o primeiro impacto do novo sistema de identificação será o esclarecimento de casos estupro e de homicídios hoje considerados insolúveis em muitos estados.

– Nos Estados Unidos, o FBI conseguiu esclarecer e prender vários serial-killers cruzando os dados do perfil armazenado no Codis com o material encontrado no corpo de vítimas ou no local em que os crimes ocorreram – diz Fagundes.

Em alguns casos de estupro seguido de assassinato da vítima, foi possível apontar com precisão até o número de vítimas dos criminosos em série. O DNA pode ser feito através de um fio de cabelo, uma amostra de sangue, saliva ou, em casos de pessoas desaparecidas, dos dentes e ossos.

Comparado com o atual sistema de identificação, que é baseado no confronto de impressões digitais e num fichário organizado a critério de cada estado, o perfil genético através do DNA permite a formação de um banco de dados mais farto e de maior credibilidade sobre os criminosos.

– Investigações sobre homicídios arquivadas no passado por falta de provas serão revistas – diz o diretor.

Como o banco de dados será nacional, o cruzamento permitirá também identificar e localizar criminosos que mudam de um estado para outro, mas continuam praticando estupro ou homicídio.

Assinatura

O acordo pela cessão do software será assinado em maio num encontro entre os dirigentes da Polícia Federal e do FBI em Salvador. A polícia americana já cedeu o sistema a outros 27 países gratuitamente, mas impõe como contrapartida que os parceiros se comprometam a adotar um rigoroso controle laboratorial, invistam na capacitação de equipes especializadas para lidar com a nova tecnologia e valorizem as amostras de material de confronto nos locais de crime.

A ideia é garantir a credibilidade da prova para evitar possíveis erros judiciários. A coincidência entre padrões de DNA pode ligar um criminoso a um determinado local de crime, mas nem sempre é uma prova definitiva. Na avaliação da PF, a credibilidade da investigação científica está relacionada à preservação do material periciado.

As polícias estaduais também terão de estruturar seus laboratórios para alimentar o banco de dados, cujo acesso será autorizado pelo servidor central em Brasília. O diretor científico da PF lembra que os governos estaduais também devem atender as exigências do FBI.

– Será uma importante ferramenta de combate à impunidade – afirma Fagundes.

A implantação do projeto Codis é uma proposta antiga do diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, que chegou a apresentá-la na gestão do ex-ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, quando era secretário Nacional de Segurança. Não foi em frente porque não havia recursos para estruturar a rede. Com a ampliação do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), o governo passou a financiar e a equipar os laboratórios das polícias estaduais, entre elas a do Rio de Janeiro. Em dezembro, o ministro da Justiça, Tarso Genro, autorizou a assinatura do convênio.

Fonte: Jornal do Brasil

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 25

04/03/2009

Rio Grande do Sul

Escrivã que matou dois escapa de um atentado »

A Polícia Civil de Alvorada procura os dois homens que teriam atirado em uma policial civil na frente da casa dela no bairro Porto Verde, segunda-feira à noite.

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Oficialmente, o delegado que está a frente das investigações trata o caso como uma tentativa de assalto. Nos bastidores, a versão é outra: a escrivã de 44 anos, que em outubro passado reagiu a uma tentativa de roubo de carro e matou dois homens, foi vítima de um atentado.

Segundo a escrivã Rosaliria Lemes Lorentz, que trabalha na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento de Alvorada, o ataque ocorreu quando ela se preparava para ir de carro ao supermercado, acompanhada dos filhos. Ao perceber a chegada dos suspeitos, ela pegou a arma dela no banco do carona. Quando se aproximaram da porta do carona, um deles atirou. Ela revidou com 10 tiros.

– A primeira hipótese é de que tentavam assaltar a colega e atiraram quando perceberam que ela estava armada também – explica o delegado Marcos Machado.

Dois suspeitos foram identificados. Até a tarde de ontem, os policiais não sabiam se a policial havia ferido algum dos bandidos. Já as marcas de três disparos de revólver calibre 38 efetuados pelo carona da moto ficaram no carro da escrivã.

A reação ao ataque sofrido em outubro passado, no bairro Partenon, na Capital, provocou mudanças na vida de Rosaliria.

– Tive até que me mudar, pois sofri ameaças – lembra ela.

“Ando sempre armada”

Rosaliria Lemes Lorentz – Sim. Notei que eles vinham em direção ao meu carro, que estava estacionado em frente de casa. O carona estava com a mão na frente do corpo, como se escondesse algo. Foi instinto: peguei a minha pistola que estava embaixo da bolsa do lado do carona e aguardei. Quando ele apontou a arma e atirou, revidei. Acertaram três tiros no meu carro.

ZH – A senhora teve medo de ser baleada?

Rosaliria –
Temi mais pelos meus filhos (uma menina de nove ano e um menino de 10 anos). Eles estavam dentro do carro, mas instantes antes haviam entrado em casa. Se estivessem ali poderiam ter sido feridos. Felizmente, sempre orientei os dois para que se ouvissem tiros, deitassem no chão. Foi o que fizeram dentro de casa.

ZH – Em outubro, a senhora matou dois criminosos durante uma tentativa de assalto. Sempre teve essa postura de reagir?

Rosaliria –
Ando sempre armada, 24 horas por dia. Costumo treinar em estandes de tiro. Estou preparada para usar minha pistola e meu revólver calibre 38. Sou policial.

Fonte: Zero Hora

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 24

Justiça

04/03/2009

Rio de Janeiro

Delegados proibidos de portarem segunda arma fora do serviço »

Os delegados da Polícia Civil do estado do Rio estão impedidos de portar, quando não estão em serviço, uma segunda arma de uso restrito. É o que decidiu a Justiça, provocada pela Procuradoria Regional da União da 2ª Região (PRU2), com sede no Rio. O pedido para o uso de uma segunda arma fora feito pela Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Rio de Janeiro. A Adepol moveu uma ação civil pública para que os delegados portassem até duas armas de fogo de uso restrito, como 357 Magnum, 9x19mm, 40 S&W e 45 ACP, sendo algumas importadas, para uso próprio. Os policiais federais já possuem tal permissão, concedida pelo comando do Exército.

Os delegados do Rio reivindicam a isonomia com os colegas federais, que além deste direto, são melhor remunerados. Segundo a Advocacia Geral da União, a "3ª Vara Federal do Rio determinou prazo de até 72 horas para apresentação da manifestação da União e negou o pedido da Adepol após a apresentação da defesa". Ainda segundo a AGU, "a Procuradoria argumentou, com a ajuda de informações prestadas pela Polícia Federal, que as autorizações concedidas pelo Exército para aquisição de armas de fogo de uso restrito levam em conta critérios técnicos, além da oportunidade e conveniência."

Atualmente, aos policiais civis é permitido o porte de uma arma, fornecida pelo Estado, mesmo que estejam fora de serviço. Além dela, eles podem adquirir outra arma para defesa pessoal, como um revólver ou uma pistola, que não são de uso restrito

"A Procuradoria pediu que fosse considerado o grande efetivo policial existente no País, o que aumentaria significativamente o volume de armas de fogo em circulação. Também destacou que o Exército proíbe a importação de determinadas armas para estimular a indústria nacional, que tem capacidade de produzir armas similares", informou a AGU em comunicado oficial. A advogada da União Andrea de Moura Soares, que atuou no caso, defende que "estudos comprovam que após o Estatuto do Desarmamento houve uma diminuição da violência armada, em especial da taxa de homicídios. Armas particulares podem ser facilmente roubadas ou extraviadas e direcionadas à criminalidade".

Deixe aqui seu comentário sobre a decisão da 3ªVara Federal e sobre o argumentos levados à Justiça pela procuradoria federal.

Fonte: O Dia

ASSUNTOS DA POLÍCIA FEDERAL QUE NOS INTERESSAM 23

05/03/2009

Jurisprudência

Perícia precisa ter vínculo com a polícia, diz STF »

O Supremo Tribunal Federal decidiu ontem, por unanimidade, que a criação de um órgão de perícia desvinculado da Polícia Civil do Rio é inconstitucional. O órgão estava previsto na emenda constitucional 35/05, projeto de iniciativa parlamentar. Os ministros do Supremo Tribunal Federal, no entanto, entenderam que tal matéria só poderia partir do chefe do Executivo estadual - o governador.

Pela Constituição, cabe ao presidente da República propor a criação de lei que trate de instituição, estruturação e atribuições de secretarias e órgãos da administração. Pelo princípio da simetria, nos estados essa função ficaria a cargo do governador.

A emenda constitucional estadual 35/05 foi contestada pela Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol-Brasil), por meio de ação direta de inconstitucionalidade, julgada procedente pelos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Fonte: O Globo

 
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